Não tratei do tema ontem, quando reiniciei as atividades deste blog, mas é claro que todos nós militantes temos presente que este 2008 é um ano de eleições.
Nós do PT temos a responsabilidade de ser governo. Não temos o hábito de subir no palanque antes da hora e, muito menos agora vamos cair em provocações eleitoreiras como esta, armada pela oposição, de explorar a bandeira da carga tributária.
Há o devido momento para isto, companheiros e, como lembrei ontem neste blog, os campeões de elevação de impostos e tributos no país são mesmo os tucanos nos 8 anos do governo Fernando Henrique Cardoso e seus coadjuvantes, os velhos pefelistas que fugiram do antigo nome e agora se chamam DEM.
Tudo tem sua hora e, no momento apropriado, temos munição para isto. O que quero transmitir aos companheiros é que temos todas as razões para estar otimistas com o nosso desempenho eleitoral no pleito municipal deste final de ano. O governo está no rumo certo, levou o Brasil a registrar os mais altos e consistentes índices de crescimento das últimas décadas, batemos recordes na geração de empregos, enfim temos as melhores condições para ganhar estas eleições de outubro em um bom número de capitais e nas maiores cidades do país. Com um bom trabalho, ganharemos na maioria dos municípios brasileiros.
O PT ingressa em 2008 revigorado em termos políticos e eleitorais - políticos, pelo processo de eleição direta de seus dirigentes e a recondução do Ricardo Berzoíni ao comando do partido; e eleitorais, pelos índices de apoio popular de seus pré-candidatos às eleições municipais do ano que vem. Lembro, também que todas as pesquisas mais recentes mostram que mais da metade da população brasileira considera ótima e boa a administração do presidente Lula, quer dizer, está satisfeita com o governo.
Claro, não vamos deitar sobre os louros, não vamos nos acomodar. Já fui, e por anos, um dos dirigentes nacionais do PT e sou o primeiro a reconhecer que o partido precisa avançar, dar um salto em sua ação para estar à altura dos grandes desafios que o momento político vai exige de todos nós. Não nos acomodemos, nem nos esqueçamos: este é um ano de lutas.
Lamentávelmente não temos só comemorações. Não avançamos na reforma política, sempre adiada mas, na minha visão, fundamental para se avançar e consolidar o processo de conquistas proporcionado pela Constituição de 1988.
Desperdiçamos alguns momentos oportunos para fazê-lo e as eleições municipais deste fim de ano ainda ocorrerão sob uma legislação e normas em muitos pontos inadequados. Não nos iludamos, em ano eleitoral não se faz reforma política, até porque as adotadas num ano destes terminam casuísticas e oportunísticas.
Assim, o Brasil vive um problema sério: há um descompasso entre a estrutura político-partidária, a forma como elegemos nossos governantes, as próprias instituições executivas e legislativas e a demanda democrática da sociedade. Precisamos fazer uma reforma política-administrativa, o país precisa por fim a esse sistema político-partidário em que as legendas quase só funcionam - e nós do PT somos uma exceção ! - no período eleitoral. Não o fizemos até hoje, e há pouco, o poder Judiciário acabou praticamente legislando sobre a atividade partidária, implantando ou impondo à seu modo a fidelidade - fundamental, necessária, mas não instituída da forma mais adequada.
Vamos para as urnas de outubro com o país sem um financiamento público de campanha. O sistema atual, em que as campanhas são sustentadas em grande parte por doações privadas, decididamente já se provou inadequado. Gera uma promiscuidade com o financiamento de obras públicas, concorrências e licitações, gera emendas parlamentares mais lá na frente, apresentadas pelos eleitos, enfim, o resultado não tem sido bom.
Por falta de uma reforma política ainda não temos voto em lista, não decidimos se queremos o voto distrital puro ou misto, ou se continuamos com esse sistema proporcional. E, continuamos com dificuldade de formar maiorias no Parlamento, algo pelo qual luto desde sempre, do início da minha militância política ao tempo em que permaneci no governo, porque esta maioria é fundamental para a governabilidade no país.
Os dois governos do presidente Lula, particularmente o início deste segundo com essa questão da CPMF, por exemplo, evidenciaram à exaustão a necessidade de se construir essa maioria que seja uma sólida base de apoio ao governo no Congresso.
Mas, meus amigos, vamos à luta. A história, as dezenas de eleições anteriores em todos os níveis das quais participamos, e a própria chegada do PT ao poder em Estados e no Brasil, por duas vezes, mostra o acerto de se adotar e seguir religiosamente uma política de alianças e coligações.
Sei, um pleito municipal tem suas peculiaridades, fortes componentes locais, as vezes bairristas até, mas, gente, só se chega lá (aos objetivos, ao poder) fazendo. Nada que nos desfigure, mas tudo que nos fortaleça. Nada que venha a nos desagregar, mas tudo que viabilize a vitória e nos possibilite governar. Vamos manter as atuais alianças e coligações municipais, todas aquelas sobre as quais não temos nenhum motivo para nos envergonhar, ampliá-las e focar 2008 com olhos de 2010.
Sim, porque as eleições deste ano são municipais, não se fazem sob a égide de todas essas reformas políticas que preconizei, mas um dado fundamental, imprescindível, não podemos deixar de ter presente: este pleito de outubro é a antesala de 2010. É nele, aqui e agora, neste ano, que vamos acumular forças e, ao final da peleja eleitoral, começar a largada para a batalha da eleição de um candidato ou candidata do PT ou da base governista, que dê continuidade às políticas do governo Lula daqui a três anos.