Josué Medeiros
Josué Medeiros
O tema da juventude tem aparecido de forma ambígua na pauta da mídia conservadora mais preocupada em impedir a vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais e a conseqüente continuidade do projeto democrático e popular iniciado pelo presidente Lula, do que em prestar serviços ao país no sentido de termos uma eleição legítima e participativa que fortaleça ainda mais a democracia brasileira.
Por um lado, assistimos na televisão ou lemos nos jornais que o número de jovens com 16 anos que tiraram título de eleitor é o menor de toda a história, e atribuem isso à decepção com a política e as denúncias de corrupção.
Com isso, buscam pautar a ação da oposição no sentido de conquistar os votos da juventude brasileira, pois reconhecem que esse é um setor mobilizado e importante - quando se engaja, pode ajudar uma candidatura a vencer. O uso das novas ferramentas tecnológicas, como o twiter, por exemplo, é sempre destacado nessa tentativa de atingir essa faixa etária da população.
O que a mídia não admite é que esse engajamento já acontece e a favor de Dilma. E, mais: a mobilização das e dos jovens brasileiros a favor da candidata do PT a presidente é fruto de todos os avanços que o presidente Lula trouxe para o Brasil.
É nesse contexto que se insere a escolha do deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ) como vice do candidato oposicionista. Os principais colunistas que buscam dirigir a oposição nessas eleições preferiam o governador de Minas Gerais neste posto, mas diante da recusa de Aécio Neves, passaram a formatar um perfil que pudesse ajudar na derrota do governo Lula.
Em teoria, o deputado carioca se adequava perfeitamente a esse perfil: jovem, totalmente à vontade com os novos métodos de fazer campanha, com currículo limpo em matéria de corrupção de um Estado da federação em que a candidatura do governo é muito forte.
Mas, assim que o jovem político conservador começou a agir como vice, a máscara caiu e o perfil tão desejado pela mídia oposicionista fez água.
Em primeiro lugar, a tentativa de Índio da Costa em se apropriar de uma iniciativa popular foi desmoralizada. O parlamentar se apresentou como o “pai do ficha limpa”, um projeto de lei que só tramitou no Congresso por conta de um milhão de assinaturas de cidadãos, ou seja, justamente porque não tem nenhum “dono”.
Além disso, o Brasil descobriu surpreso que o próprio Índio da Costa não é tão “ficha limpa” assim. Ele foi denunciado em uma CPI da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro por desvio de dinheiro de merenda escolar. E o mais interessante: ele foi denunciado por uma vereadora do PSDB, o que liquida qualquer defesa dele no sentido de ser vítima do jogo eleitoral.
Apesar de ser jovem, o vice do Serra mostrou que, na verdade, ele representa o que tem de mais velho da política brasileira. Usou a internet para fazer acusações levianas, despolitizadas, de vínculo entre o PT e supostos terroristas internacionais.
Pegou tão mal a atitude de Índio da Costa que ele foi desautorizado pela própria mídia que o alçou a estrela nacional. E também pelo seu companheiro de chapa. Depois deste episódio, o vice submergiu na campanha, e ninguém mais sabe dele no processo eleitoral.
Esse sumiço nos leva ao terceiro motivo da sua escolha pela oposição: a tentativa dela de virar o jogo no Rio de Janeiro, francamente favorável a Dilma. Também esse nesse ponto, a mídia fracassa.
Em todas as pesquisas, Dilma cresce no Rio. Do mesmo modo que ocorre no resto do Brasil. E mais do que isso, o padrinho político do Índio, o ex-prefeito César Maia, percebe que sua candidatura ao Senado, antes dada como certa, agora corre sérios riscos, pois ele está tecnicamente empatado com o candidato do PT, Lindberg Farias, esse sim um grande representante da juventude brasileira, ex-presidente da UNE na campanha do Fora Collor, em 1992. Lindberg vem crescendo dia a dia, como demonstram todos os institutos de pesquisa.
Ao fim e ao cabo, a ida do Índio da Costa para a chapa do Serra serviu mais ao filho do César Maia, pois todos os levantamentos eleitorais no Rio indicavam que o DEM não conseguiria eleger dois deputados federais com o perfil de juventude. E ia acabar sobrando pro Rodrigo Maia...
Diante deste fracasso da direita brasileira em conquistar a juventude do país nestas eleições, nós só temos que comemorar! E manter a mobilização desta campanha, divulgando as realizações do governo Lula que beneficiaram os mais jovens, até que a vitória da Dilma esteja garantida e com ela seja garantido também o futuro do Brasil e da nossa juventude.
E vamos gritar bem alto, até o dia 03 de outubro, para o Índio da Costa: Não fale em nosso nome!!!
Josué Medeiros é historiador e mestrando do IUPERJ
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