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Expanso sustentvel
Publicado em 02-Set-2010
(artigo publicado no jornal Brasil Econômico em 02 de setembro de 2010)

Nos primeiros meses de 2010, vimos algumas manifestações temerosas quanto ao forte ritmo de crescimento econômico brasileiro. Chegaram ao cúmulo de propor uma taxa máxima ideal de crescimento, como se a condução da economia fosse exclusivamente um processo de adequação da realidade às fórmulas.

Tais preocupações ignoravam também o fato de que parte do nosso crescimento era, na verdade, recuperação da crise.

Ainda há quem duvide da solidez de nossas bases econômicas, mas qualquer análise mais séria haverá de concluir que são ecos do processo eleitoral. Afinal, hoje, nossa economia está madura.

Isso não significa que esteja isenta problemas -não se supera em alguns anos a estagnação de décadas. A maturidade de nossa economia reside, assim, no fato de que possuímos plenas condições de crescer de forma sustentável pela próxima década.

Demonstramos isso na crise, quando tivemos a certeza de que há um forte mercado interno e em ascensão. Entre 2004 e 2008, a renda média do trabalhador cresceu 17,3% acima da inflação, de acordo com o IBGE.

Trata-se de um movimento consistente, já que 88% de 290 categorias de trabalhadores conseguiram reajustes acima da inflação medida pelo INPC neste primeiro semestre, como informa o Dieese.

A perspectiva que se desenha é de manutenção desse mercado em alta, reforçada pela geração recorde de empregos formais -serão 14 milhões em oito anos ao final de 2010.

A decorrência imediata é que o Brasil virou destino internacional quando se fala novos investimentos. Nosso país vivencia uma "janela de oportunidades", pois cresce, gera empregos, aumenta renda e possui inúmeros setores nos quais é preciso investir e avançar. Além disso, os dois maiores eventos esportivos do mundo serão sediados aqui num intervalo de dois anos.

Estamos falando de um potencial de desenvolvimento de nossa infraestrutura sem precedentes, pelo menos nos últimos 35 anos. A consequência é a geração de empregos de perfil diferente dos criados pelo mercado interno aquecido.

A perspectiva de que nosso mercado manterá a tendência de elevação atrai novos investimentos no país. Há iniciativas tradicionais, como na construção civil, rodovias e commodities, mas há recursos sendo direcionados para uma nova economia em nascimento, como o setor de geração de energia limpa, de alto potencial no país - para se ter uma ideia, a energia eólica dominou o segundo Leilão de Fontes Alternativas, organizado pela Aneel.

É evidente que nosso amadurecimento trará problemas e desafios. Por exemplo: como absorver as novas etapas da cadeia produtiva, de maior valor agregado e que passa por desenvolver tecnologias e estimular a inovação?

São processos que só serão possíveis com qualificação da mão-de-obra, portanto, com altos investimentos em educação que venham a se somar aos destinados à indústria e à infraestrutura.

Afinal, só manteremos nosso crescimento sustentável se ampliarmos os investimentos nessas três vertentes.
  
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