
É sempre ruim falar de alguém que morre, ainda mais com essa idade (85 anos) e depois de longa enfermidade, mas o coronel do Exército, Erasmo Dias não foi só o carrasco que comandou em setembro de 77 a invasão ilegal e violenta contra a PUC-SP, numa operação militar covarde contra estudantes indefesos que realizavam uma manifestação pacífica. Erasmo destruiu tudo o que havia pela frente naquela ocupação e agrediu com violência os estudantes.
As cenas e as imagens estão aí, para ninguém tentar inocentá-lo. Conheci Erasmo como comandante do Forte de Itaipu, na Praia Grande onde ficamos presos em 68-69, antes de sermos transferidos para o 2º BC do Exército em São Vicente. Foi de Itaipu que Erasmo lançou uma operação fracassada para tentar prender o Capitão Carlos Lamarca no Vale do Ribeira. A História registra que levou um baita baile do Capitão e saiu de lá desmoralizado perante a tropa. Nos meses que ficamos em Itaipu presenciamos cenas hilárias do então "comandante do Forte" como ele era conhecido.
Gritos com soldados porque o café ou o rancho (refeição) dos presos estava frio e ameaça de fuzilamento. Pura pressão psicológica, já que a ditadura havia decidido nos usar como garotos-propaganda do bom tratamento dado nas prisões, enquanto nos porões do DEOPS e do DOI-CODI (ainda OBAN), os presos políticos eram torturados e assassinados.
Andava sempre armado
Erasmo, que depois se ligou ao malufismo (foi deputado federal, estadual, e vereador na capital) era um homem espalhafatoso, uma caricatura de militar. Falava aos gritos, com gestos bruscos e por nada ameaçava seus interlocutores. Andava sempre armado já que temia, suponho, represália pelos crimes praticados não só contra presos políticos mas contra prisioneiros em geral durante sua gestão no DEOPS (74-79), que tinha sob sua jurisdição como secretário de Segurança Pública do Estado.
Convivi com ele como deputado estadual (87-90). Guardo a imagem de um homem conservador, reacionário, violento, mas era um deputado atuante e dedicado ao seu mandato. Reeleito várias vezes graças ao apoio da direita e do malufismo, manteve durante toda a vida ligações com os esquemas de segurança que financiavam suas campanhas.
Foi perdendo votos e eleitorado conforme o país se democratizava e as informações sobre os crimes da ditadura aumentavam. Terminou no ostracismo, mas não deixemos cair no esquecimento sua biografia. Pelo contrário, devemos resgatá-la em nome da verdade e da justiça.
Mas como a histria no me, juiza, a palhao chegou a ver processados Maluf e Brilnate Ustra, o que deve ter sido suficiente para ele ter ficado em alerta vermelho sabendo que se continuasse vivo seria processado, pois ele quem mais sabia dos esqueletos que tinha no armrio, dos crimes que carregava nas costas, das atrocidades permitidas e praticadas contra prisioneiros.
Outa coisa que deve ter funcionado como castigo, uma cutucada em face do que ele realemnte merecia, ter visto seu padrinho poltico, o filhote da ditadura, Maluf, sendo processado por corrupo e por tercolaborado com a OBAN construindo o Cemitrio de Perus para o ocultamento dos cadveres dos companheiros que enfretaram a corja que assaltou o poder no golpe militar de 1964.
No vai deixar nehuma saudade a maorte desta caricatura de homem.
Anna Flvia Schmitt, Rodeio,S.C.
servi ao quarteu em 1974 turma de 1955 no segundo batalho de caadores, na poca tinha l o carro que foi usado por Lamarca,um OPALA preto, trofeu exemplo para a tropa.
Este convivio na caserna me fez conviver com a ditadura militar, quanto sofrimento para servir a Patria amada, onde o soldado passava por todas umilhaoes, nada contribuia para formar cidado.
na poca este coronel Erasmo Dias era o exemplo de cidado, triste exemplo para nossa baixada.
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