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Morre Erasmo, um smbolo da represso
Publicado em 05-Jan-2010
É sempre ruim falar de alguém que morre, ainda mais...

É sempre ruim falar de alguém que morre, ainda mais com essa idade (85 anos) e depois de longa enfermidade, mas o coronel do Exército, Erasmo Dias não foi só o carrasco que comandou em setembro de 77 a invasão ilegal e violenta contra a PUC-SP, numa operação militar covarde contra estudantes indefesos que realizavam uma manifestação pacífica. Erasmo destruiu tudo o que havia pela frente naquela ocupação e agrediu com violência os estudantes.

As cenas e as imagens estão aí, para ninguém tentar inocentá-lo. Conheci Erasmo como comandante do Forte de Itaipu, na Praia Grande onde ficamos presos em 68-69, antes de sermos transferidos para o 2º BC do Exército em São Vicente. Foi de Itaipu que Erasmo lançou uma operação fracassada para tentar prender o Capitão Carlos Lamarca no Vale do Ribeira. A História registra que levou um baita baile do Capitão e saiu de lá desmoralizado perante a tropa. Nos meses que ficamos em Itaipu presenciamos cenas hilárias do então "comandante do Forte" como ele era conhecido.

Gritos com soldados porque o café ou o rancho (refeição) dos presos estava frio e ameaça de fuzilamento. Pura pressão psicológica, já que a ditadura havia decidido nos usar como garotos-propaganda do bom tratamento dado nas prisões, enquanto nos porões do DEOPS e do DOI-CODI (ainda OBAN), os presos políticos eram torturados e assassinados.

Andava sempre armado

Erasmo, que depois se ligou ao malufismo (foi deputado federal, estadual, e vereador na capital) era um homem espalhafatoso, uma caricatura de militar. Falava aos gritos, com gestos bruscos e por nada ameaçava seus interlocutores. Andava sempre armado já que temia, suponho, represália pelos crimes praticados não só contra presos políticos mas contra prisioneiros em geral durante sua gestão no DEOPS (74-79), que tinha sob sua jurisdição como secretário de Segurança Pública do Estado.

Convivi com ele como deputado estadual (87-90). Guardo a imagem de um homem conservador, reacionário, violento, mas era um deputado atuante e dedicado ao seu mandato. Reeleito várias vezes graças ao apoio da direita e do malufismo, manteve durante toda a vida ligações com os esquemas de segurança que financiavam suas campanhas.

Foi perdendo votos e eleitorado conforme o país se democratizava e as informações sobre os crimes da ditadura aumentavam. Terminou no ostracismo, mas não deixemos cair no esquecimento sua biografia. Pelo contrário, devemos resgatá-la em nome da verdade e da justiça.

 

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