Blog do Zé

 

Desmonte do modelo de partilha é parte de política para reduzir papel do Estado no desenvolvimento

Ontem o Conselho de Administração da Petrobras aprovou o Plano de Negócios de 2015 a 2019, de US$ 130,3 bilhões, que substitui o anterior (2014-2018), em que eram previstos US$ 206,8 bilhões em investimentos. Um corte de US$ 76,5 bilhões, ao mesmo tempo a empresa anunciou a venda de ativos no valor de US$ 57,7 bilhões de dólares. Esses números reduzem a dívida da Petrobras, US$ 100 bilhões, a sua verdadeira dimensão. São uma prova definitiva que a empresa pode sim dar conta de seu papel no modelo de partilha e que devemos, até por sobrevivência de nossa indústria, manter a política de conteúdo nacional e a propriedade do petróleo extraído do pré-sal. Mas o projeto 131/2015, de José Serra, pretende acabar com este modelo.

União Europeia pressiona o povo grego a dizer “sim” a sacrifícios ainda maiores

O objetivo do Banco Central Europeu, da União Europeia e do FMI, ao tentar impor um acordo que prevê mais desregulamentação do mercado de trabalho, cortes nas pensões, reduções mais drásticas nos salários do setor público, é a derrocada do governo de esquerda do Syriza. A decisão está nas mãos do povo grego. Mas a pressão da UE e o Banco Central Europeu sobre os eleitores gregos revela que não aceitam nenhuma outra saída além a vitoria do SIM. Que não salvara a Grécia mas preservará o sistema financeiro europeu, já que os bancos, alemães principalmente, já foram salvos as custas dos sacrifícios do povo grego.

Petroleiros avaliam que plano de (des)investimentos da Petrobras é um desmonte da política dos governos petistas desde 2003

“Infelizmente a nova diretoria da Petrobras, obviamente com o aval de seu acionista majoritário, que é o governo, está fazendo uma opção pelo mercado”, lamenta Zé Maria, em entrevista, esta tarde, ao Blog do Zé Dirceu. “Este ano faz 20 anos da nossa greve de 95, que fez o contraponto à política entreguista do governo FHC. E se nosso destino for, aos 20 anos, ter que realizar uma nova greve, contra essa nova investida, daqui a 20 anos vamos lembrar dessa greve de 2015.”

Não podemos voltar ao passado, precisamos proteger e ampliar os direitos previstos na nossa Constituição.

Artigo de Oscar Vilhena Vieira na Folha de S. Paulo de hoje: “”Em uma sociedade democrática, as maiorias são movediças e têm o direito de redefinir decisões tomadas no passado. Há, porém, dois obstáculos no caminho da nova maioria. O primeiro deles é de natureza institucional. Numa democracia constitucional, nem tudo o que uma maioria circunstancial quer ela pode. Em especial, ela não pode colocar em risco as próprias regras que habilitam a continuidade do jogo democrático. Está proibida também de usar sua força para destituir certos direitos, em especial direitos de grupos minoritários e discriminados. Caso esses limites sejam ultrapassados, caberá ao Supremo a difícil missão de exercer o papel de instância contramajoritária. Há, por fim, um obstáculo de natureza geracional. Três décadas de democracia provocaram uma silenciosa transformação na forma como os jovens brasileiros esperam ser tratados. Regressões não serão bem-vindas.”

Marcos Coimbra: os limites do antipetismo.

De acordo com pesquisa realizada pelo Vox Populi em maio, o antipetismo não e do tamanho que a imprensa e parte das redes sociais querem fazer parecer. Isso porque um percentual importante da população que não é antipetista (nem petista) reconhece os governos Lula a Dilma tomaram medidas que geraram melhoria em sua qualidade de vida. Não cabe otimismo nem comodismo, porque vivemos um momento complicado. Mas é bom pensar sobre esses dados, porque eles nos indicam o que devemos continuar a defender. E também que há margem para diálogo com a população.

O discurso histórico de Alexis Tsipras, primeiro-ministro da Grécia.

“À chantagem do ultimato que nos pedem para aceitar uma severa e degradante austeridade sem fim e sem qualquer perspectiva de uma recuperação social e econômica, eu peço a vocês que respondam de uma maneira soberana e altiva, como a história do povo ensina. O autoritarismo e a austeridade severa, nós responderemos com democracia, calma e decisivamente. A Grécia, local de nascimento da democracia enviará uma resposta democrática retumbante para a Europa e para o mundo. Eu me comprometo pessoalmente a respeitar o resultado da escolha democrática de vocês, qualquer que ele seja. E eu estou absolutamente confiante em que sua escolha honrará a história do nosso país e enviará uma mensagem de dignidade para o mundo.”

A ofensiva conservadora sobre os direitos humanos é a mesma que pretende acabar com o regime de partilha na Petrobras

AA ofensiva conservadora em relação à redução da maioridade penal ou sobre os direitos humanos, ou mesmo a temas como a homofobia e o Estado Laico, faz parte de uma ofensiva maior sobre os direitos dos brasileiros. Esses temas têm importância real na luta pela igualdade e contra todo tipo de preconceito e segregação social. O conservadorismo moral foi assumido em 2010 pela campanha de José Serra. Quem se lembra? Pois este mesmo senador agora encabeça a cruzada pelo fim do regime de partilha no pré-sal. O modelo de partilha assegura à empresa e à nação não apenas o controle dos recursos naturais do pré-sal. Assegura que a maior parte da renda do petróleo e do gás a ser explorado e comercializado seja apropriada pelo governo e investida em saúde, educação, infraestrutura, inovação e meio ambiente. O contrário da cantinela conservadora por mais-cadeia-menos-educação. E o próximo alvo do tucanato serão os bancos públicos. É preciso reagir contra os ataques dos direitos da maioria dos brasileiros. É hora de uma ampla frente em defesa da Petrobras e da indústria nacional. É hora da defesa dos instrumentos que permitem ampliar e não reduzir direitos. É hora da defesa do Brasil.

DIRCEU TRABALHOU PARA UTC NO EXTERIOR

É mentirosa a afirmação publicada pela revista VEJA, neste sábado (27), de que o empresário Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, teria repassado a José Dirceu R$ 3,2 milhões para custeio de despesas pessoais. O ex-ministro divulgou nota à imprensa nesta sexta (26) reiterando que prestou consultoria à empresa a partir de 2012 para prospecção […]

Ação diz que Aécio e Anastasia não repassaram R$ 14 bi à Saúde em Minas

O próprio PSDB de Minas Gerais argumenta que os cálculos feitos pelos governos tucanos sãos os mesmos adotados pelo governo federal. Diz também que os números foram aprovados pelo Tribunal de Contas do Estado. No governo federal, os atrasos de repasses para programas sociais foram corrigidos ainda no final do ano passado. Em Minas, além de não se chamarem “pedaladas”, foram repetidos ao longo de dez anos.

Na rua se exige direitos, na rua se resiste ao conservadorismo.

Pauta da Quinta-Feira Vermelha, manifestação realizada ontem pelo MTST: 1. Contra o ajuste fiscal do governo federal, estados e municípios (pelo lançamento imediato do programa Minha Casa Minha Vida 3; pela liberação das verbas da educação e em defesa das greves nas universidades; pelo fim do fator previdenciário e contra a progressividade na idade de aposentadoria). 2. Contra a ofensiva das pautas conservadoras no Congresso Nacional (não à redução da maioridade penal, que pretende penalizar ainda mais a juventude pobre, negra e periférica; não à PL 131/15 que revê o regime de partilha do pré-sal; não ao projeto das terceirizações). 3. Contra a PEC da Corrupção aprovada em primeira votação na Câmara, que legitima o financiamento empresarial de campanhas eleitorais.

Luis Nassif: “O TCU força a mão nas pedaladas fiscais”

“Dentro da legalidade, o que o TCU poderá fazer de pior – para as contas públicas – será decidir que tudo precisa ser colocado em dia, inclusive o ressarcimento aos bancos públicos pelas taxas de equalização. Significaria uma notável injeção de capital neles, mas as metas fiscais deste ano iriam para o espaço. Qualquer ação adicional – como o de rejeitar as contas de Dilma – é golpe. Os problemas reais da economia são de outra ordem: o nível de atividade caindo, a receita despencando junto, o desemprego aumentando e o Banco Central teimando em manter a taxa Selic em 14,5%.”

Com essa política de juros altos, a conta do superávit não vai fechar.

Repetimos quase diariamente neste blog que a política de aumento dos juros e o consequente aumento do serviço da dívida pública — asim como a queda na atividade econômica — anulam o esforço que a equipe econômica está fazendo para atingir superávit de 1,2%. Bom, um prêmio Nobel de economia, Joseph Stiglitz, vem e coloca o dedo na ferida. Em entrevista hoje, no Valor Econômico, ele diz claramente, para quem quiser ouvir: “O Brasil precisa é de uma reforma fundamental em seu setor financeiro. Vocês têm uma das taxas reais de juros mais altas do mundo. Não é de surpreender que isso esteja afugentando investidores.”

É falsa a notícia de que ex-presidente entrou com pedido de habeas corpus em Curitiba

O que justifica o portal da Folha de S. Paulo ter dado uma manchete assim: “Lula pediu habeas corpus preventivo para não ser preso na operação Lava Jato”??? Ou que o título da matéria em OGlobo, às 14h30, mesmo depois de apurada a origem do pedido — o que deveria ter sido feito antes de repercutirem dessa maneira tal absurdo — seja “Lava-Jato: habeas corpus é protocolado em nome de Lula e instituto nega autoria”?? O limite da irresponsabilidade, até onde vai?

Nós falamos em democracia da mídia. Eles, em controle.

Em artigo publicado nesta Folha em 18/6, Regis de Oliveira, eminente desembargador aposentado e ex-vice-prefeito de São Paulo durante a gestão Celso Pitta, acusou o PT de buscar “mecanismos legais para subordinar a mídia”. Veja a resposta de José Américo Dias, deputado estadual (PT/SP) e e secretário nacional de Comunicação do partido, sobre por que defendemos a liberdade plena de expressão e de imprensa. E por que o artigo de Oliveira é uma falsificação.

Senado deve mudar pontos fundamentais da reforma política

O Senado não aceita a coincidência das eleições e mandatos de cinco anos, quer aprovar o fim das coligações proporcionais e quer limitar doações das empresas privadas. Reagindo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, afirma que o Senado não tem que se meter na eleição proporcional porque os senadores são eleitos pela maioria dos votos. Ele vai mais longe e diz que se o Senado mexer na reforma da Câmara, nem submete o tema a voto. Só em 2017, depois que sair, porque a Constituição veda a apreciação de um mesmo projeto na mesma legislatura.

Uma pequena observação sobre o BNDES

O jornal o Estado de S.Paulo registrou hoje que BNDES deu um lucro líquido de R$ 1,585 bilhão no primeiro trimestre do ano. O BNDES dá lucro, tem baixa inadimplência, é fundamental para o financiamento de nossa indústria, exportações, tecnologia, pequenas e médias empresas. Tem transparência e excelente governança, principalmente se comparado com bancos no mundo todo e suas fraudes, lavagem de dinheiro, especulações criminosas. Ou não é verdade?