Essa mídia transformou os heróis em bandidos

Por Marcelo Marani 

Num tempo em que a palavra era crime punível com a tortura e morte, onde as paredes tinham ouvidos atentos e o medo era o cardápio dos dias, algumas almas que amavam a liberdade mais do que as próprias vidas, atraídas pelo senso de justiça, foram para o meio da rua disputar o espaço com os canhões e baionetas da ditadura.

Armados com suas consciências, a eloquência dos seus propósitos e um punhado de coragem, bradaram em favor do povo, da democracia e da justiça social.

Nesse tempo onde até o olhar de soslaio era ato subversivo, eles encararam os ditadores vestidos de fardas, violentando as cores da nação, manchando-as de sangue de brasileiros inocentes, civis, famílias, crianças, religiosos, todos que encontravam pela frente e desejassem enxergar como inimigos.

Era um tempo cruel, onde uma inimizade pessoal transformava uma pessoa qualquer em inimigo da nação.

Onde nada podia ser mais rude e selvagem, jaziam corpos putrefatos em covas clandestinas de milhares, milhões de brasileiros e brasileiras assassinados, clamando suas almas por justiça.

Nesse tempo sujo, homens de alma limpa ergueram o braço em chamamento a todos os que tivessem ouvidos de ouvir e olhos de ver, para o civil confronto em prol das gerações futuras. Um gesto comum que consistia no fechar da mão direita e um acenar ostensivo para cima, ensejando “força companheiros!”, “a luta só acabará quando a justiça houver sido plenamente alcançada no nosso país”. Esse era o significado do emblemático gesto, comum a todos os que partilhavam dos mesmos propósitos.

Alguns desses heróis sobreviveram às chacinas praticadas pela ditadura, seguiram no tempo e nos braços do povo se elegeram gestores do poder maior da nação, para enfim, desenvolverem o trabalho de avançar nas conquistas de justiça social e democratização do país. Não impunemente. O poder que um dia alimentou a sanguinolenta ditadura ainda está vivo. Escondido, à espreita, tal qual uma cobra ansiando o momento do bote fatal. Este poder não atacará mais com canhões e baionetas, pois custam muito dinheiro e dá trabalho. Ele transmutou-se naquilo que mais odiava: a palavra. Mudou sua moradia, dos quartéis para as salas de redação, de onde comanda seu exército de robóticos replicadores orais do pensamento fascista da direita decrépita.

Não se aprisionam mais brasileiros nos porões do DOI-CODI, nem do DOPS. A mídia os aprisiona em suas próprias mentes.

Hipnoticamente, delineia linhas de raciocínio através da TV, das rádios, jornais, revistas e sites, direcionados para atingir todos os cidadãos através do que chamam de entretenimento e jornalismo.

Por isso há tanto dinheiro jogado nesse mercado de entorpecimento de consciências em que prendemos nossa família e nossos filhos.

Essa mídia transformou os heróis em bandidos, os julgou e prendeu em celas de penitenciárias, logrando hoje o sucesso que não tiveram outrora.

Para prendê-los como desejavam, não bastaria um simples julgamento, foi necessária a realização de uma grande lavagem cerebral nos brasileiros através da violência maciça da mídia. O julgamento desses heróis foi apenas uma formalidade banal, um espetáculo circense para deleite da platéia, como no circus do império romano. É verdade, não os entregaram aos leões, mas ao capitão do mato e seus jagunços, é mais brasileiro.

Nós todos que não fomos hipnotizados pelas insinuações da mídia, sabemos o valor dos homens que hoje, ultrajados em sua honra, encontram-se encarcerados nos porões da ditadura da direita, ainda instalada no país.

E, unidos pelo mesmo ideal primeiro, o que motivou-nos a gritar por liberdade nos anos de chumbo, calados deixamos nosso recado claro e altivo: o pagamento das multas arbitrárias aos condenados, como um aceno do montante de resposta a esse monstro chamado direita, nas urnas. Vamos trabalhar para que esse monstro volte a dormir por mais mil anos.

Sinto pelas mentes que já foram conspurcadas pelo monstro da direita, mas vamos avançar com nosso ideal. Sinto pelos que já não tem mais jeito, aqueles que acreditam que é melhor sofrer com o mal do que ser feliz com o bem.

Zé Dirceu, Delúbio, Genoíno, JPCunha: nossos respeitos e desejos de força! O Brasil está maciçamente a seu lado, aguardando o momento de depositar na urna a nossa resposta ao ultrage que os vitimou.

1 responder
  1. Matheus Paulsen
    Matheus Paulsen says:

    Brilhante texto,diz tudo que gostariamos de colocar pra fora ,com tanta cegueira e vilania enfim as pessoas vão despertar para a verdade algum dia.Parabens.

    Responder

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