POLÍTICA DO BLOG
Obrigado pelo seu comentário. Este blog é mediado. Não serão publicados comentários com palavras de baixo calão, denúncias levianas e troca de ofensas entre leitores.
Em Havana onde me encontro, meu filho Zeca acaba de me telefonar para transmitir a triste notícia de que faleceu ontem durante o jogo do Santos com o São Paulo, o Wilson Bellini, meu amigo e sócio da alfaiataria Bellini, que montamos juntos em Cruzeiro do Oeste (PR) na década de 70 quando ali vivi clandestino durante a ditadura militar.
Falei por telefone agora com o irmão do Bellini, o jornalista e radialista Wanderlei Bellini. Transmiti-lhe e pedi que retransmitisse à família os meus pêsames e a minha solidariedade.
Torcedor fanático do Santos, hipertenso, Wilson não agüentou a vitória santista e morreu de um infarto fulminante, deixando saudades a nós que o conhecemos muito de perto e a todos os seus familiares e amigos. Era um excelente alfaiate, mais do que isso um verdadeiro designer.
Wilson continuou meu amigo por todos esses anos, sempre solidário e de uma lealdade ímpar. Era uma dessas pessoas com as quais você sempre sabia que podia contar sem nem mesmo consultá-lo. Lamento não estar no Brasil para ir a Umuarama (PR) dar o último adeus a um amigo que me ajudou e apoiou como poucos nesses anos todos.
É velho, requentado a toda hora, mas tenho que reconhecer, muito caro à direita brasileira - que semana sim e outra também o retoma - o tema da manchete principal da 1ª página no Estadão de domingo "Gestão Lula chegará ao fim com 100 mil servidores a mais".
Mais do mesmo, é a ladainha de sempre que os jornalões rezam numa espécie de rodízio, cada um destaca o assunto num fim de semana: quando chegar ao término do 2º mandato o presidente Lula terá contratado 100 mil servidores públicos a mais só no Executivo.
OK, vou repetir: todas essas nomeações são mediante concurso público, necessárias para reorganizar a burocracia civil do Estado brasileiro, sua direção, gestão e assessoramento para que o país possa retomar a capacidade de planejamento, elaboração, execução e controle de projetos, e fazer a devida prestação de serviços nas mais diversas áreas - saúde, educação, justiça, segurança pública, previdência social, etc.
São contratações indispensáveis, também, para a continuidade da execução dos programas sociais na ponta para o cidadão. O próprio jornal se trai. Termina justificando-as e reconhecendo que o Estado foi sucateado por oito anos de tucanato neoliberal de FHC quando diz: "As contratações de Lula praticamente compensaram o enxugamento feito no governo anterior e reverteram uma política de corte de funcionários públicos iniciada em 1990"
Inacreditável, meus amigos, como nossa direita está na retaguarda e na vanguarda do atraso. Todo mundo clama pela presença do Estado, enquanto no Brasil temos essa critica primitiva à sua reorganização.
Faz isso, hoje, em seu ex-blog, seja falando sobre a Espanha, sobre a qual está cantando eufórico a vitória antecipada do PP (partido que surgiu com o reagrupamento dos remanescentes do franquismo), seja em post sobre o Reino Unido, no qual aplaude o thatcherismo, a política (direitíssima) da 1ª ministra Margaret Thatcher.
Maia diz em seu ex-blog: "4. No momento em que o governo Thatcher introduzia sua política econômica (1980/81) e que 354 economistas fizeram um manifesto publicado na imprensa contra a sua política econômica, o ministro da fazenda afirmou que entre inflação e emprego ele ficava com a inflação, pois protegia o emprego e o salário permanentemente e não só naquele ano. A inflação no final dos anos 70 havia disparado internacionalmente. Realmente: o Reino Unido cristalizou a médio e longo prazos a menor inflação e a menor taxa de desemprego da Europa/EUA, e de forma sustentável”
Mas, não é verdade, basta ler o texto "O Mundo em 2010" do The Economist-Carta Capital (Edição especial, 18/12/2009, p.58): "Supondo que a taxa de desemprego chegue ao pico, em torno de 9%, a recessão de Gordon Brown terá sido menos dolorosa para o público que a de Thatcher de 1979-81, depois da qual o desemprego mais do que dobrou chegando até os 11,9%, ou mesmo a de Major de 1990-1991, quando chegou a 10,7% (em 1993), e um número muito maior de pessoas perdeu as suas casas.”

Mas é fato. O Colégio de Periodistas (como eu disse, o sindicato) é de oposição pura e dura ao presidente Chávez. Decidiu não convocar mais para as atividades da entidade, os trabalhadores da rede de TV Venevision (Grupo de comunicação Cisneros) porque muitos deles não são antichavistas.
Descobriu-se essa ditadura a partir de documento entregue pelos jornalistas da Venevision ao presidente do sindicato, William Echeverria, no qual solicitam ao Colégio que atue com isonomia, adote igualdade de tratamento no trabalho que a entidade diz fazer em defesa da liberdade de expressão no país.
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Em cima do documento "A política internacional do PT" - proposta a ser votada no IV Congresso Nacional do partido a se realizar de 18 a 21 desse mês - O Globo faz estardalhaço hoje, bem na linha do que eu disse em nota anterior sobre o crescimento da neura conservadora da mídia.
Nos Estados Unidos e em diversos países existem diferentes órgãos, conselhos e conselheiros sobre política externa, segurança nacional, economia e várias outras áreas junto à presidência da República. Só no Brasil, nossa direita - mídia à frente - tem essa fobia atávica à participação popular, a partidos políticos, a sindicatos, a conselhos e consultas.
É herança. Isso vem do nosso passado aristocrata, escravocrata e elitista, da convivência e uso por parte de nossas elites das ditaduras do autoritarismo como formas de governo e gestão. Basta lembrar, por exemplo, que durante mais de meio século de um período da nossa história - o escravocrata - só votava quem tinha propriedade e renda.
Hoje, nos países desenvolvidos, essas formas de democracia direta - inclusive a de consultas populares via voto e plebiscitos - são comuns, estão previstas nas constituições e são vastamente utilizadas para decidir sobre impostos, energia nuclear e questões ambientais e sociais, dentre estas, casamento homoafetivo, aborto e eutanásia.
Depois do artigo dominical do ex-presidente Fernando Henrique, duas perguntas não querem calar: então a campanha vai ser com FHC? Mas os tucanos, governadores-candidatos, Aécio Neves (MG) e José Serra (SP) não teriam como explicar? Duas razões para o artigo de FHC e sua entrada com tudo na campanha: a primeira, natural, o ex-presidente se sente na obrigação de defender seu governo, tão mal avaliado pelos brasileiros; a segunda, ele precisa urgentemente levantar a militância tucana e sua base social tão desmobilizada pelos escândalos do PSDB do RS, SC e SP, e de seu aliado o DEM-Brasília...

Duas razões para o artigo de FHC e sua entrada com tudo na campanha: a primeira, natural, o ex-presidente se sente na obrigação de defender seu governo, tão mal avaliado pelos brasileiros; a segunda, ele precisa urgentemente levantar a militância tucana e sua base social tão desmobilizada pelos escândalos do PSDB do RS, SC e SP, e de seu aliado o DEM-Brasília.
Ao se enfiarem na lama das irregularidades e da corrupção, PSDB e DEM tiraram de FHC e dos tucanos a única bandeira - falsa, mas bandeira - que tinham: a da moralidade da velha UDN.
O novo "chefe" da campanha assume o posto acuado com os governos Serra e Kassab (prefeito da capital) vivendo um momento de crise em São Paulo, resultado da falta de política e investimentos na infraestrutura da cidade e na defesa civil do Estado; com os péssimos resultados das pesquisas - Dilma alcançou Serra, empata e em alguns cenários já o ultrapassa; e com Aécio entrincheirado nas montanhas de Minas sob o risco de enfrentar uma aliança PT-PMDB com Zé Alencar candidato a governador.
Assim, só resta a FHC polarizar com o presidente Lula e desqualificar Dilma na tentativa de mobilizar seu partido. Mas, é uma tática que tem um preço para eles: confirma o caráter plebiscitário (e de comparação) das eleições. Seguí-la é cair na armadilha montada por Lula. É por isso que Serra está quieto, como se não fosse com ele. Sabe - e sente - que essa intervenção do ex-presidente e do senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) são tiros no pé, o chamado fogo amigo.
Foto: José Cruz/ABr
"O pessoal está atrasado. Nem em Davos (Fórum Econômico Mundial) a gente recebe mais essa crítica", retrucou apropriadamente a ministra Dima Rousseff, ao responder sobre a polêmica gerada pelos jornais de que, eleita, priorizará estatizações.
Os jornalões, particulamente da última semana para cá, recrudesceram na postura que sempre tiveram: veem estatização, interferência do Estado, ameaça à liberdade em tudo o que passa perto do governo e da candidata - das conferências (Confecom e de Cultura, etc) ao programa da futura administração Dilma.
"Que não haja retrocesso, que não voltemos às políticas de privatização que ameaçaram a Petrobras, que podia ter virado Petrobrax", completou a pré-candidata do presidente da República, do PT e aliados aos que insistem em afirmar que terá postura de extrema esquerda em sua futura administração. Dilma lembrava a tentativa do tucanato de FHC de privatizar a Petrobras, tendo chegado, inclusive, a propor a mudança do nome da empresa.
Condenado ao sumiço por seus companheiros - que nem o levaram à rede nacional de TV do PSDB no final do ano, depois que as pesquisas indicaram que 50% do eleitorado não votariam em candidato indicado ou apoiado por ele - o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não se conforma e não se contém.
No espaço que lhe resta, o artigo dominical nos jornais, no fim de semana, ele disse não ter "nada a temer" nas comparações entre seus dois governos e os dois do presidente Lula que marcarão a campanha eleitoral. Com essa postura, ele desautoriza os governadores tucanos de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves (candidato a presidente, a vice de Serra ou a senador?) que têm condenado a tentativa de se comparar os dois governos, última coisa que querem ouvir falar na vida.
"Comparar não é ficar olhando para o retrovisor, pelo contrário. É discutir que caminho eu vou seguir, para que lado eu vou. Comparar é discutir o que se fazia em saneamento antes de 2003 (governo FHC) - pouquíssimo. O povo tem que discutir porque é importante saber se nós vamos fazer obras de saneamento ou não", disse-o bem a ministra Dilma Rousseff.
"Comparar sim, se não fica difícil. Vamos discutir quem fez o quê. E quem fará o quê. Nós não temos problema algum com comparação sabe por quê? Estamos vendo os dados", insistiu Dilma ao participar no domingo do Encontro Nacional da Juventude do PT, quando destacou por 15 minutos, as realizações desse governo "ignoradas" na administração tucana como as políticas de educação superior e saneamento básico do PAC.
"Nos últimos 50 anos, nós do PT fomos grandes governantes pelo fato de que distribuímos renda. Essa é a diferença entre nós e outros governos", concluiu a pré-candidata do presidente Lula, do PT e da base aliada ao Palácio do Planalto na eleição de outubro.
Ciro critica Dilma e afirma que falta experiência à ministra. O pré-candidato do PSB à Presidência adotou ontem em Recife o discurso dos tucanos contra a presidenciável do PT, Dilma Rousseff. "Quantas eleições ela já disputou? Lamento, e pouco importa se parece com o [que diz José] Serra ou não", disse, referindo-se ao pré-candidato do PSDB.
Um dos liberianos foi detido e torturado por se negar a dizer que pertencia a um grupo rebelde, apesar de nunca ter se relacionado com a organização, conforme noticia a mídia. O acusado foi julgado a partir de uma legislação que penaliza a tortura e permite que tribunais dos EUA avaliem casos relacionados com esse tipo de crime fora de suas fronteiras, caso o acusado seja americano. Emmanuel, que é americano, viveu no estado da Flórida até a década de 90, quando se mudou para a Libéria. Que o caso sirva de exemplo para o Brasil.
Enquanto para o PT e para a candidatura de Dilma Rousseff as notícias da semana foram boas (veja nota Uma Semana de Boas Notícias) para São Paulo, infelizmente, as notícias continuam péssimas. Depois de termos mais uma semana de tragédias, com as enchentes destruindo casas e já interferindo na economia da maior cidade do país e matando pessoas; de termos visto na mídia a decisão equivocada do demotucano Gilberto Kassab, de cortar a merenda de crianças carentes; dos péssimos indicativos na educação (atestando mais uma vez a incompetência do governo Kassab), hoje temos a notícia de que o prefeito (eleito pelas mãos de Serra) irá fechar mais albergues na cidade. Até a Folha de S. Paulo critica a medida na página de Opinião do jornal.
Em sua coluna, Fernando de Barros observa que aumentou o número de mendigos nas ruas do centro de São Paulo e diz que, “provavelmente, isso está ligado à atuação da Secretaria de Assistência Social, título algo irônico diante da política conduzida pela pasta da vice-prefeita de Gilberto Kassab, Alda Marco Antonio.” A gestão Alda-Kassab, relata o colunista, está fechando os albergues no centro. Foram desativadas desde 2008 duas grandes unidades que abrigavam a população de rua - o Jacareí e o Glicério, com 700 leitos, mas que na prática acolhiam mais gente. Ainda está previsto o fim de pelo menos duas outras unidades, o que significará a perda de novas 500 vagas. É o fim...

E ainda tivemos o balanço do PAC . Obras, obras e mais obras para deixar qualquer tucano arrepiado. Semana que vem temos o Congresso do PT que, por unanimidade, apoiará Dilma Rousseff como nossa porta voz, nossa candidata a dar continuidade ao governo Lula e depois o Carnaval. E como ninguém é de ferro eu vou para Recife ver o GALO DA MADRUGADA.
Foto: Antonio Cruz/ABr
O embaixador norte-americano no Brasil, Thomas Shannon, teve um mal começo em suas funções. Em sua primeira entrevista à imprensa após ter apresentado suas credenciais ao presidente Lula, deu declarações desrespeitosas e inconvenientes sobre a situação política venezuelana. Claramente exorbitou de suas funções, ao intrometer-se, em território brasileiro e na condição de representante de uma nação estrangeira, em assuntos de correspondem à autodeterminação de um país irmão.
A atitude do sr. Shannon é incompatível com promessas públicas do presidente Barak Obama no início de seu mandato, quando se comprometeu com o abandono da arrogância e da política hegemonista nas relações com a América Latina. Mas, acima de tudo, fere a regra internacional sobre o papel que cabe a um embaixador.
Com a palavra, o governo brasileiro e o Itamaraty.
Muito interessante a reportagem do João Villaverde publicada sob o título "Consumo de máquinas subiu 18% no 4º trimestre ", na edição de hoje do Valor Econômico. Traz um apanhado bem completo, com números e percentuais, do crescimento da economia brasileira em alguns dos mais importantes setores econômicos nos últimos meses do ano passado, um levantamento do Departamento de Pesquisas Econômicas do Bradesco.
Contra a bandeira da oposição que só pensa em acabar planos - o Bolsa Família e o PAC, por exemplo - e tem como "programa" (entre aspas, porque na verdade não tem nenhum e nem rumo) cortes e congelamentos de gastos públicos, a reportagem prova que "os investimentos ajudaram a puxar a economia no último trimestre".
Melhor ainda: comprova que os três últimos meses de 2009 podem caracterizar-se como "o segundo período consecutivo de recuperação do investimento na economia brasileira após a crise (econômica) internacional", porque do segundo para o terceiro trimestre já ocorrera um crescimento dos investimentos da ordem de 6,.5% do PIB nacional.
Vejam só como são as coisas: o prefeito de Curitiba, o tucano Beto Richa que concorre esse ano ao governo do Paraná (será o candidato do PSDB se vencer a disputa interna com o senador Álvaro Dias), publicou nos jornais de Cascavel (PR), por quatro vezes, uma página inteira sobre um programa de saúde de sua gestão na capital paranaense.
Em outras palavras, o prefeito faz propaganda de sua pré-candidatura a governador num município a 500 Km da cidade que administra. Pior, o dono dos jornais de Cascavel - Gazeta do Paraná e O Paraná - que veicularam a propaganda escancarada de Richa, é o deputado estadual Alfredo Kaefer, seu correligionário e apoiador no PSDB.
A resposta de Richa e da tucanada paranaense? Foi um erro. Isso mesmo, culpa da "agência publicitária responsável que deveria ter enviado aos jornais uma peça sobre turismo".
Agora, sabem o que é pior mesmo? É como a Folha de S. Paulo trata esse caso. A matéria é de uma neutralidade, uma objetividade, quase traz um pedido de desculpas por publicar algo contra o PSDB, partido a quem o jornalão paulistano apoia e obedece. É assim meus caros, que os tucanos mandam e fazem o que bem querem. Os outros jornalões, então, nem uma palavra a respeito.
Essa é a Folha, esse é o jornalismo rabo preso, esse é o nível de informação "isenta" que passa aos seus leitores. Na realidade, uma tremenda piada de mau gosto. Afinal, infelizmente o que Richa faz e fez em Curitiba não é uma exceção da política tucana. Que o digam os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) com propaganda de suas estatais em redes de TV no Brasil inteiro...
Ao contrário do que a grande imprensa diz, dia sim e outro também, em três anos de PAC, 63,3% dos investimentos previstos foram executados, incluindo os progamados pelo setor privado. O dado consta de mais um balanço do programa divulgado por sua coordenadora nacional, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Pelo balanço, entre 2007 e 2009, foram executados investimentos da ordem de R$ 403,8 bilhões entre públicos e privados. A previsão do governo é, até o final de 2010, chegar a R$ 638 bilhões de investimentos no PAC. Metade das obras do programa está concluída.
Não tive nenhuma surpresa, claro, ao abrir os jornais hoje e ver que cada um deles partiu para uma conta mais estapafúrdia do que o outro. O Globo, por exemplo, embarca nos números irreais da oposição e diz que "PSDB só vê 9,8% de término de projetos". A Folha recorre a um site especializado para estampar na primeira página: "Em três anos, o PAC conclui no máximo 40% das suas obras".
O Estadão vai na mesma linha, é ranço puro: "Só 40% das obras do PAC foram concluídas". Isso é que é torcer contra! Mas, deve ser parte do esforço dos jornalões para embasar a decisão da oposição, anunciada pelo presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), de acabar com o PAC caso o candidato à presidência da República, José Serra, vencesse a eleição de outubro.
As conseqüências da crise internacional não só não cessaram como provam a fragilidade da chamada recuperação e seus riscos. As bruscas oscilações da Bovespa e do câmbio mostram que o Brasil não pode se fiar ou depender dessa recuperação, e apenas da economia mundial.
Temos que crescer apoiados em nossa poupança e mercado interno, na integração sul-americana e na conquista de novos mercados como a África e Ásia - nesta, China à frente. Isso não significa minimizar, nem desconsiderar a importância dos mercados americano e europeu, mas adotar um seguro contra a instabilidade da economia mundial.
A valorização do dólar chama a atenção para os dogmas sobre câmbio flutuante e controle cambial - como a China exerce - provando que devemos ser pragmáticos ao máximo em se tratando de moeda, defendendo sempre nosso interesse nacional e os do crescimento de nossa economia e exportações.
Render-se ao PIB potencial e aumentar juros é pequenez
Nesse cenário, ganham destaque o papel do investimento governamental (que alavanca e estimula o privado), dos bancos públicos - BNDES à frente - de nosso mercado interno, da distribuição da renda e da urgência na aceleração das obras de infraestrutura, principalmente as relacionadas à educação e inovação, garantindo um crescimento interno sustentável com reflexos em nossa competitividade externa.
Nesse sentido não tem lógica as pressões por um aumento de juros por causa do crescimento da demanda e aquecimento da economia. Pelo contrário, o governo e o empresariado podem e devem se articular para romper os gargalos e pontos de estrangulamento na produção ou fornecimento. E fazê-lo via importação de insumos e matérias primas, aumentando inclusive a produção nos setores da indústria que atingirem sua capacidade instalada, seja com a expansão da produção, seja com a da capacidade produtiva.
O país não pode se render a pequenez do PIB Potencial ou da taxa de juros de equilíbrio. Nada disso, deve é assumir seu momento histórico e romper as barreiras políticas e corporativas para crescer e dobrar seu PIB nos próximos anos, apoiado numa revolução tecnológica, educacional e social.
A maior queda da Bolsa brasileira, a BOVESPA (Bolsa de Valores de São Paulo) nos últimos quatro meses - caiu 4,73% nessa 5ª feira - seguida por baques nas Bolsas na Ásia, Europa e Estados Unidos, refletiu o nervosismo que vem se ampliando com a situação de algumas economias européias, principalmente a da Grécia, mas também as da Itália e Irlanda.
Combinado à tensão, havia a expectativa ontem pelos fundamentais indicadores da economia americana - principalmente quanto aos números de emprego e da corrida ao seguro-desemprego - que serão oficialmente divulgados nesta 6ª feira, mas que já haviam vazado ontem e estão muito abaixo das expectativas dos analistas e do mercado.
No Brasil, num reflexo de toda essa movimentação e sem que o Banco Central (BC) tenha adotado nenhuma medida especial relativa à moeda, a taxa de câmbio doméstica chegou ontem a R$ 1,90 - sua maior cotação desde setembro. Este ano o dólar já subiu 8,2% no país e a bolsa brasileira desabou 6,8%.
A Grécia há meses tem a situação acompanhada com redobrada atenção por analistas e investidores face a sua deterioração fiscal, quadro que os assusta e preocupa por se alastrar, também, por outros países da mesma região, entre os quais Itália e Irlanda. Esse cenário de desastre das contas públicas é provocado, entre outros motivos, principalmente pelos altos gastos para conter a crise econômica mundial de 2008.
Lamentáveis, sob todos os aspectos, as declarações do general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, com críticas e restrições à presença de homossexuais nas Forças Armadas. O general falou a uma Comissão do Senado, em sabatina sobre sua indicação para uma vaga no Superior Tribunal Militar (STF).
Felizmente o Brasil já discute o assunto com mais abertura e abrangência, num debate que já chega às corporações militares. Como bem destacou o ministro da Justiça, Nelson Jobim: "Nós estamos abrindo o debate no Ministério da Defesa. E evidentemente que essa manifestação feita pelo general não influenciará essa discussão porque isso (o que ele falou) não diz respeito ao tribunal que ele agregará".
Tomara que o ministro esteja certo e que o debate seja aberto e se intensifique nas próprias corporações militares, porque o Brasil precisa por um fim à discriminação e ao preconceito contra os homossexuais, particularmente em instituições nacionais como as Forças Armadas.
O debate dessa questão alastra-se por todo o mundo. Os Estados Unidos, por exemplo, estão muito mais avançados, na medida em que discutem com maior intensidade e em todos os segmentos de sua sociedade, a revisão da política de don"t ask, don"t tell (não pergunte, não diga), que permite a entrada de homossexuais em suas organizações militares desde que mantenham a orientação sexual em sigilo.
A política americana ainda vigente, decididamente não é a solução, como não é o general que depôs no Senado e os demais militares darem as costas ao debate e fazer de contas que a polêmica, a discriminação e o preconceito não existem. Se queremos a democratização de todas as instituições e segmentos da sociedade nacional, inclusive e principalmente agora das Forças Armadas, temos de travar de forma ampla, aberta e intensiva esse debate.
A semana termina com muita intriga, um caldeirão de boatos e fofocas. Duas estão entre as mais quentes. Uma dá conta de que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, grão-mor tucano, convenceu o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), a ser candidato a vice-presidente na chapa do candidato da oposição, governador de São Paulo, José Serra (PSDB).
A outra é que Serra pode renunciar à candidatura... Então, como a "Viúva Porcina" da novela do Dias Gomes, Aécio, o ex-presidenciável que não foi (candidato ao Planalto) volta a ser...
Como vocês podem ver, muita fofoca, gritinhos histéricos de TPE - tensão pré-eleitoral, hipocrisia de um pré-candidato tucano exigindo que a lei seja cumprida e não se permita o uso da máquina dos governos, menos a dele.
Há, também, fogo amigo contra a candidatura de Dilma Rousseff. Esse não adianta. Nada consegue apagar a fagulha que se espraia pela planície. A ministra, nossa candidata - a do presidente Lula, do PT e dos partidos da base do governo - consolida sua situação e se fortalece de todos os lados (político, administrativo, das pesquisas).
Então, só me resta cantar: "... Deixa a vida me levar / Deixa a Dilma nos levar..."
Foto: Rossana Lana
Já são quase dois meses (desde 8 de dezembro) de enchentes e mortes (já chega a 70 o número de vítimas) diariamente em São Paulo. Ao lado desta tragédia ainda temos que conviver com os desastres administrativos da dupla demotucana, o governador José Serra (PSDB) e prefeito Gilberto Kassab (DEM-PSDB).
A última do Kassab foi determinar um corte na merenda das crianças carentes (orfãs ou em situação de risco): desde 1º de janeiro a compra de alimentos enviada a abrigos conveniados foi trocada por uma verba mensal de R$ 2.289,00 por entidade que abriga, em média, 20 jovens. E isso quando a receita da prefeitura cresceu 3,5% no ano passado.
Com o novo sistema, cada uma delas recebe o equivalente a R$ 3,80 para oferecer cinco refeições por dia. Vai ver que é a colocação em prática da tese defendida pelo prefeito da outra vez em que cortou o dinheiro da merenda escolar, de que criança não deve comer muito se não fica obesa...
A Promotoria de Justiça de Defesa dos Interesses da Infância e Juventude da capital instaurou inquérito civil para apurar os motivos da mudança. Conforme declarou a promotora Dora Martin Strilicherk ao jornal Agora SP, esse dinheiro "não dá para comprar nem uma coxinha e um suco. As crianças e adolescentes que vivem em abrigos já estão vitimizados. Agora, correm o risco de passar fome".
Ao lado dessa notícia, outra nada animadora: dados da Prova São Paulo 2009 atestam mais uma vez que continua mau o nível de aprendizado dos alunos da rede de mais de 1000 escolas da Prefeitura da capital. Nem a metade dos estudantes avaliados obteve nível satisfatório e na 8ª série, por exemplo, 91% não aprenderam o necessário e o programado em matemática.
Três exemplos perfeitos e acabados do jeito tucano de administrar.
Exemplo de vida, dignidade e luta, o vice-presidente da República, meu conterrâneo José Alencar, com a humildade de sempre afirmou durante a abertura dos trabalhos no Congresso Nacional, que ficou emocionado ao saber que receberá do PT de Minas, o título de "militante honorário" do partido.
A justa homenagem está programada para segunda-feira próxima (08.02) em Belo Horizonte, durante as comemorações dos 30 anos de fundação da legenda petista. Como bem afirmou o deputado Reginaldo Lopes, presidente do PT-MG, dentre as várias virtudes que justificam a concessão do título ao homenageado, ela é concedida, também, "pelo brasileiro que ele é, pela sua história de vida e pela lealdade ao presidente Lula e sua contribuição política ao PT".
Na realidade, a emoção é toda nossa. Somos nós, petistas, que nos orgulhamos em ter José Alencar entre nossos quadros, como militante e filiado honorário. E mais, o orgulho não é só nosso, mas de todo o país e desse povo que tem em Alencar um exemplo de garra, de vida pública e política. Nosso vice-presidente da República é um patrimônio de todos nós.
Em entrevista ao Terra Magazine, o diretor do Datafolha, Mauro Paulino, do alto de sua experiência de 20 anos à frente do instituto de pesquisas do Grupo Folha - condição destacada pela revista eletrônica - afirma que a questão de fundo trazida pelas mais recentes pesquisas eleitorais foi ignorada pela grande mídia em suas análises: o fato do presidente Lula já estar transferindo, e muito, o seu prestígio e votos para a ministra Dilma Rousseff, sua candidata, do PT e dos aliados à presidência da República.
"Comprovadamente Lula já está transferindo muitos votos para Dilma", diz Paulino. Para o diretor do Datafolha, a ministra é vista pelo eleitorado como a "mulher forte do governo" e a "peça chave" da sucessão no Palácio do Planalto é o presidente Lula. "Os dois candidatos (Dilma do governo, José Serra da oposição) estarão com os olhos voltados para ele e o eleitorado, por sua vez, também", conclui.
Outro "leão" em matéria de entendimento de pesquisas pela sua história e experiência, o diretor-presidente do IBOPE, Carlos Augusto Montenegro, depois de passar os últimos tempos apostando na vitória de Serra começa a rever essas certezas. “Se Dilma ganhar, eu não me surpreenderia”, diz Montenegro ao Balaio, o blog do Ricardo Kotscho.
Meu amigo Montenegro, de quem já ganhei algumas apostas em torno de resultados de pesquisas, externa ao Kotscho outra opinião, com a qual não concordo, mas reforça a constatação do Mauro Paulino: Dilma pode chegar logo aos 30%, e se atingir esse patamar, diz Montenegro, 28% seriam de Lula e só 2% dela.
Por unanimidade e atendendo a pedido do Tribunal de Justiça do Estado, a Assembléia Legislativa de Santa Catarina aprovou a abertura de ação por corrupção passiva contra o vice-governador tucano Leonel Pavan. Dos 40 deputados estaduais, três estavam ausentes da sessão e os 37 presentes votaram a favor da abertura do processo.
Pavan foi denunciado pelo Ministério Público por advocacia administrativa. Ele foi alvo de investigação da Polícia Federal que o acusa de ter recebido propina de R$ 100 mil para ajudar empresários a recuperar a inscrição fiscal de uma distribuidora de combustíveis, cancelada por sonegação. O vice tucano, reincidente em problemas com a justiça e suspeito de participar de lavagem de dinheiro do narcotráfico, sempre negou as acusações.
E a grande mídia nacional hein? Como o vice Leonel Pavan é tucano, poupa-o de todas as maneiras e não divulga o caso. Esconde ou foge do assunto, como o diabo da cruz, porque não quer tratar de questões que lembrem os gigantescos escândalos que envolvem o PSDB, o DEM, o PPS e aliados menores. Pensa que o povo não tem memória e se esqueceu das dezenas de denúncias, irregularidades e corrupção que a oposição protagoniza permanentemente. Rememore aqui , as "proezas" mais recentes e de maior destaque da oposição.
Sensatas e objetivas as declarações da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) durante a inauguração do gasotudo Cabiúnas-Reduc 3, no Rio. A pré-candidata do presidente Lula, do PT e aliados ao Planalto declarou que "as pesquisas são pesquisas", portanto, não devem ser tomadas como "resultados definitivos".
Dilma se referia ao resultado das sondagens Vox Populi e CNT/Sensus que indicam o crescimento da sua candidatura e a queda do tucano José Serra nas intenções de voto.
Como bem afirmou Marco Coimbra, diretor do Vox Populi, em artigo publicado no Correio Brazilense, "olhando para o que tínhamos há alguns meses, as mudanças [detectadas pelas pesquisas] são grandes. Não faz muito tempo, Serra reunia, sozinho, intenções suficientes para vencer a eleição em primeiro turno, ao fazer mais que a soma dos oponentes. Nessas pesquisas, mesmo no cenário sem Ciro, a possibilidade parece remota".
A respeito do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) que se declara candidato à presidência, a ministra afirmou que "gostaria sempre de estar em palanque com ele", mas concluiu que a decisão é exclusivamente dele.

Claro, o anúncio de manutenção do Bolsa vem à la Sérgio Guerra e oposição, de forma enviesada, com as distorções habituais - se bem que dessa vez ocorre com o blá blá blá de sempre, dizendo que foi FHC que criou o programa. Então quer dizer que foi o FHC que criou o "bolsa esmola", tão criticado e combatido pelos tucanos?
Bom, se vão continuar tudo o que o governo do presidente Lula criou, fez e faz apenas para eleger o presidenciável deles, governador José Serra, não é melhor ficar com Lula, continuar com sua administração num terceiro mandato, elegendo a ministra Dilma Rousseff para presidente?
Dupla miopia
Mas já que os tucanos estão numa fase revisionista... Vou publicar aqui um lembrete para o senador Sérgio Guerra sobre a inauguração de um gasoduto do PAC no Rio - um programa que o senador e a oposição dizem que não existe e que um governo Serra acabará com ele. Avivo a memória oposicionista, mas fica a pergunta: como é que se acaba com um programa que não existe?
O presidente Lula, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) inauguraram no Rio o Gasduc III, o maior gasoduto em diâmetro da América do Sul, e de maior capacidade de transporte (40 milhões de metros cúbicos por dia) entre os gasodutos brasileiros. Nessas características (diâmetro e capacidade), ele supera o Gasoduto Bolívia-Brasil (capacidade de transporte de 30 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural).
Um trecho de seus 179 quilômetros de extensão passa sob a Serra de Santana, em Cachoeiras de Macacu (RJ), na Área de Proteção Ambiental Bacia do Rio São João/Mico-Leão-Dourado. Dessa forma, a obra evitou a supressão vegetal de uma área de 125,4 mil metros quadrados de Mata Atlântica, preservando o habitat de animais sob ameaça de extinção, como o mico-leão-dourado. Todo o material retirado durante a construção desse túnel foi utilizado na recuperação de áreas já degradadas antes do início da obra.
Vejam só a dupla miopia tucana: um gasoduto de 179 quilômetros de extensão e o Bolsa atendendo 12 milhões de famílias e eles não enxergam. E ainda acham que o povo brasileiro é cego e acredita que eles manteriam os programas sociais criados sim pelo governo Lula.
Nos últimos meses, tenho visitado todo o país, dado entrevistas e palestras, participado de atos públicos e debates, reuniões com as direções do PT locais, com dirigentes de governos e partidos aliados. Enfim, ajudando no que posso para nossas alianças e a montagem dos palanques nos Estados. Faço isso aberta e publicamente.
Nessas viagens, o que mais me impressiona são os avanços em alguns Estados. No Piauí, por exemplo, antes conhecido como o mais pobre do país, estão sendo investidos mais de R$ 600 milhões esse ano, uma verdadeira revolução. na educação no Estado. A administração do governador Wellington Dias (PT) possibilitou e possibilita assim melhorias em todos os municípios nos três ciclos do ensino: fundamental, médio, técnico e o acesso a cursos de graduação - 64% dos estudantes que ingressaram na universidade vieram das escolas públicas estaduais.
Parnaíba, por exemplo, segunda cidade do Estado, que contava com 2,5 mil universitários, hoje tem oito mil. Algumas cidades piauienses não tinham rede de esgotos em seus bairros populares, hoje, todos os municípios contam com água e luz e equipamentos básicos públicos de educação, saúde, segurança e justiça. Além disso, as estradas do Estado foram recuperadas e seu crescimento econômico é uma realidade.
Durante minhas viagens pelo Norte e Nordeste do país, o que realmente me impressionou e deixa-me com grande esperança sobre o futuro - e quero compartilhar isso com vocês - são os equipamentos para a juventude nas cidades visitadas.
Pontos de cultura como os que vi na cidade de Santana (AP), governada por Antônio Nogueira do PT; a Cidade do Saber em Camaçari (BA), do prefeito Luiz Caetano do PT; o projeto CUCA em Fortaleza (CE), administrada por Luizianne Lins do PT; e a Cidade da Ciência em João Pessoa (PB), governada por Ricardo Coutinho do PSB, comprovam-se excelentes iniciativas.
Nessas regiões, pude ver equipamentos de cultura, lazer, esporte, educação e artes construídos para a juventude, particularmente, para a mais pobre, mais necessitada de proteção e moradora das periferias. Ali pude ver ginásios poliesportivos, piscinas olímpicas, quadras de esportes, cinemas e teatros com aulas de dança e música, cursos técnicos e toda uma estrutura integrada voltada para a formação desses jovens.
E mais, nessas regiões, estão garantidos os espaços sociais, verdadeiros clubes de jovens e para as comunidades, benefícios antes exclusivos das classes médias brasileiras. Fora o fato de termos vários Pontos de Cultura do Banco do Brasil. Certamente nos próximos anos - como aconteceu com a experiência revolucionária dos CEUs em São Paulo, iniciados na gestão da prefeita Marta Suplicy - todas as cidades e bairros brasileiros contarão com uma estrutura dessas para a nossa juventude.
É para isso que estamos trabalhando.
As pesquisas Vox Populi e CNT/Sensus divulgadas do fim de semana para cá e que apontam queda do candidato tucano José Serra e ascensão da petista Dilma Rousseff, não surpreendem os especialistas e apresentam resultados coerentes com as sondagens feitas desde o ano passado.
A opinião é do diretor do Instituto Vox Populi, Marco Coimbra, em artigo publicado hoje no Correio Braziliense (disponível para assinantes ). Coimbra analisa, também, as possibilidades do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) no pleito presidencial e discorre sobre a polêmica questão se ele beneficia Serra ou Dilma permanecendo na disputa pelo Planalto.
"O encurtamento da vantagem do governador [Serra] em relação à ministra já tinha sido constatado em outras pesquisas feitas em dezembro. O Datafolha, por exemplo, havia indicado uma queda (na diferença entre Serra e Dilma) de 21 para 14 pontos entre agosto e o fim de 2009, depois de ela ter estado em 25% alguns meses antes", observa o diretor do Vox Populi.
"Olhando para o que tínhamos há alguns meses - conclui Coimbra - as mudanças são grandes. Não faz muito tempo, Serra reunia, sozinho, intenções suficientes para vencer a eleição em primeiro turno, ao fazer mais que a soma dos oponentes. Nessas pesquisas, mesmo no cenário sem Ciro, a possibilidade parece remota".
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tem todo direito de defender a doutrina católica e seus dogmas, ser contra a descriminalização do aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e o direito de adoção de crianças por casais homoafetivos.
Tem o direito, também, de rejeitar a criação de mecanismos que impeçam a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos, da mesma forma que nós temos todo o direito de defender esses direitos humanos e a simples aplicação da Constituição que declara o Brasil uma República laica, com a separação entre a Igreja e o Estado.
Mas, a CNBB não tem o direito de defender os que praticaram crimes em nome do Estado - de tortura, desaparecimentos e assassinatos - mesmo sob o pretexto do “risco de reacender conflitos sociais já pacificados com a lei de anistia" ou sob o argumento de que "estas propostas constituem, portanto, ameaça à própria paz social", como afirmam os bispos em seu documento contrário ao III PNDH.
Isso sim é não defender a vida e a dignidade humana, muito menos a família como alega o documento assinado por 67 bispos da CNBB.
Faz muito bem a direção nacional do PT - e que as regionais façam o mesmo - ao pedir humildade aos militantes e dirigentes frente às pesquisas que dão empate (e o 1º lugar para a nossa candidata, Dilma Rousseff, na sondagem espontânea) na disputa eleitoral desse ano.
É isso mesmo, eleição se ganha na campanha e na disputa política, respeitando a oposição e seus eleitores, travando o debate político e enfrentando os ataques dos adversários, sem medo e com firmeza. Nada de descansar sobre os louros.
Ainda temos um longo caminho que passa pelas alianças e palanques estaduais, a montagem das chapas de senadores e deputados, a organização da campanha, e a disputa eleitoral que começa efetivamente só no 2º semestre.
Assim, meus amigos e parceiros de luta, serenidade e humildade são mesmo indispensáveis. Nosso diferencial em relação aos adversários, que sempre nos deu ânimo e vantagem nesses 30 anos de PT, é exatamente muita disposição para o trabalho, a confiança que temos sempre em nossa militância e na força do povo que nunca faltaram ao presidente Lula e ao partido nesses últimos anos.
A tese do governador tucano de Minas, Aécio Neves, de não fazer comparações entre os governos Lula e FHC na campanha eleitoral, não merece respeito. Comparar governos é o mínimo que se faz em todas as democracias. Mas, sua rejeição à tese tem explicação.
Aécio agora tem que disputar em Minas para valer. Ainda mais com a real possibilidade de acordo na base do governo entre o vice-presidente José Alencar (PR); o ex-prefeito de BH, Fernando Pimentel (PT); e os ministros do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias (PT) e Comunicações, Hélio Costa (PMDB) para compor uma chapa comum.
Realmente o momento que vivemos é diferente, daí ter todo sentido a comparação Lula x FHC. O país é outro, quer continuidade, enfrenta novos desafios, e temos condições de superá-los com um programa de governo que priorize a juventude, a educação, a inovação (uma revolução tecnológica), a continuidade das obras de infraestrutura, saneamento, habitação, um programa de mobilidade (transportes) urbana, equipamentos de lazer, cultura e esportes para os jovens, telecentros e a universalização da banda larga.
Um programa de ação dessa natureza e a continuidade dos que já desenvolvemos possibilitarão a superação das desigualdades, a criação de 2 milhões de empregos/ano que, ao lado da melhoria de vida nas comunidades, levará a um novo tempo e à diminuição da violência que cresce assustadoramente, por exemplo, em São Paulo, governado há 16 anos por tucanos.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega e o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles mantêm a batalha que travam desde o inicio do primeiro governo Lula. O comandante do BC continua entrincheirado nas teses do PIB potencial e da taxa de juros de equilíbrio que o Brasil deve pagar - 7% ou 8% de Selic.
São duas teses acadêmicas que servem muito bem aos interesses dos rentistas e do capital financeiro, mas sem qualquer base na realidade brasileira, na economia do país. Podemos e devemos, com tranquilidade, crescer mais que 5% ao ano e para isso não precisamos de juros mais altos e nem de desaceleração, fora as conseqüências que isso teria no câmbio, com a valorização do real e o aumento dos gastos do serviço da dívida interna.
Não há erro maior nesse momento em que aumentamos os investimentos públicos das estatais e privados - particularmente na infraestrutura do país e em educação e tecnologia (garantia de maior produtividade e menores custos) - do que elevar os juros. Os desafios do país são outros: fazer uma revolução tecnológica e educacional, consolidar uma matriz enérgica sustentável, melhorar a gestão pública, reformar as instituições políticas, fazer a reforma tributária, e equacionar a previdência social para o futuro.
Nada que se compare com a miopia de aumentar juros ao primeiro sinal de crescimento, como se nossa economia não tivesse força e instrumentos para equacionar a falta de insumos ou equipamentos, de matérias primas ou de recursos humanos.
Foto:Valter Campanato/ABr

O prefeito demotucano anunciou o congelamento de R$ 120 milhões, ao contrário de detalhar a utilização dos R$ 240 milhões destinados a esse fim. Kassab agora alega "crise econômica", mas não conta que a arrecadação no município - dinheiro pago por quem anda e dirige pelas ruas esburacadas da capital - teve um aumento 3,6% maior do que no ano passado.
Antes fosse apenas uma questão de promessa de campanha. Imaginem vocês o que significa essa redução após um mês inteiro de chuvas e enchentes! É muita irresponsabilidade.
No Estadão, duas comparações merecem a reflexão: nas principais ruas da capital, há um buraco a cada 400 metros. Pior, num percurso de 114 quilômetros nessas vias, pode-se contar 288 buracos. Num outro exemplo, o jornal informa que "um motorista que circula numa velocidade de 25 km/h (a média do pico da manhã) encontra um buraco por minuto". Esse é resultado da administração parceira Gilberto Kassab/José Serra na capital.
Foto: José Cruz/ABr
Em 2009, São Paulo governado pelo presidenciável tucano José Serra bateu outro triste recorde: ocorreram 257 mil roubos no Estado, o maior índice registrado desde 2003 (240 mil, então). Tem mais, no ano passado aumentaram todos os tipos de crimes - homicídios, latrocínios, estupros e até sequestros - segundo o balanço da Secretaria de Segurança, publicada no Diário Oficial.
Nesse horrível balanço, publicado pelo Estadão, entre as alternativas apresentadas por especialistas para minorar o problema da criminalidade estão a efetiva integração das polícias (civil e militar) e maior investimento na parte científica, em armas e nos métodos de investigação. É algo que todos sabemos e defendemos, exceção, parece, do governador Serra.
O levantamento mostra, também, que aumentou a violência das polícias. Fica claro, assim, que maior violência policial não coíbe o aumento da criminalidade, ao contrário do que bradam os defensores da tortura, do "prende e arrebenta" que caracteriza o pensamento retrógrado, infelizmente ainda presente na nossa sociedade. Maior violência policial não só não resolve, como eleva a criminalidade.
Truculência não é solução
Esses recordes - esse sim o grande "feito" do governo Serra - expressam uma administração que prefere a repressão no lugar do diálogo, da conciliação com a população. Afinal, a violência recai sobre os moradores do Estado. Alguém duvida?
Não preciso aqui relembrá-los das cenas lamentáveis da invasão da USP no ano passado, tampouco como o governador trata a população que se revolta contra às enchentes, ou mesmo o episódio recente da invasão policial do sindicato dos jornalistas que pacificamente realizava um ato em defesa do III PNDH.
A falácia da administração tucana está clara. Hoje, como mostra a reportagem do Estadão, a segurança pública no Estado de São Paulo, sob responsabilidade do governador Serra é uma triste piada. Essa é a prova perfeita e acabada dos 16 anos de polícia sob a batuta das administrações tucanas.
Muito correta e necessária, na minha avaliação, essa reunião que as direções regionais paulistas do PSB, PT, PDT, PC do B, PTC, PRB, PSC e PTN marcaram para o próximo dia 12 com o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) para discutir sua candidatura ao governo paulista.
"Caso Ciro venha para São Paulo, esses partidos apoiam a candidatura dele", destacou o presidente regional do PSB-SP, deputado Márcio França. "Queremos dar essa segurança ao Ciro e afirmar que, se ele quiser, os partidos estão dispostos a abrir o debate", justificou o presidente regional do PT-SP, Edinho Silva, ao falar do encontro.
Os indícios e informações que analiso indicam, porém, que o deputado sai candidato a presidente da República. Mas a reunião faz avançar o processo sucessório em São Paulo, já que talvez possamos resolver essa questão dia 12 sem ter que esperar 15 de março como quer o PSB.
Principalmente agora que também o deputado Antônio Palocci (PT-SP) comunicou ao comando estadual do partido, que não disputará o governo e prefere a reeleição. Mas, vamos manter a disposição para o diálogo e o entendimento, porque o PT paulista ainda corre o risco, caso o Senador Aloizio Mercadante (PT-SP) não aceite ser candidato a governador e opte pela reeleição, de ter de passar por prévias. Afinal, com a desistência de Palocci, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, volta a ser candidato, além do senador Eduardo Suplicy (PT-SP).
Esse filme nós já vimos antes e já sabemos o resultado.
Ontem, compartilhei com vocês meu espanto frente às críticas da mídia brasileira contra a expansão da Petrobras e o fato de suas atividades e negócios já representarem 10% do PIB nacional. Também comentei o tom negativo da imprensa contra a decisão da Camargo Corrêa de comprar duas grandes distribuidoras energéticas (AES e Eletropaulo) e a parte do Banco do Brasil (BB) e do Previ numa terceira, a Neoenergia.
Hoje, abro os jornais e o que vejo? Aplausos e festa para a associação da Cosan - gigante nacional da área de produção de etanol de cana de açúcar - com a Shell. Todos incensam, a partir das chamadas nas primeiras páginas, a associação da empresa (incluída em dezembro no index do BNDES por ter sido flagrada com trabalho escravo) com a tradicional multinacional do petróleo.
Quer dizer que agora o certo é criticar o apoio do governo à expansão dos negócios da Petrobras e à constituição de grandes empresas nacionais - por exemplo, a grande distribuidora formada pelo grupo Camargo Corrêa? Devemos festejar só negócios com as multinacionais? Parceria com multi é boa e pode? Ampliar empresa nacional é ruim e não pode?
Só se for na cartilha sem pé nem cabeça da mídia e da oposição. Isso beira o ridículo público! Repito meus argumentos de ontem: em qualquer país desenvolvido do mundo, a política é fortalecer a empresa nacional, apoiá-la, financiá-la, no mínimo defendê-la. É inacreditável que a mídia retrógrada queira que aqui seja diferente...

Aos 102 anos completados em dezembro e depois de cirurgias e recaídas no ano passado, mestre Oscar Niemeyer continua firme na luta, no trabalho, criando sempre. Há poucos dias, esteve com o presidente Lula na festa do aniversário (100 anos) de Maria Amélia Alvim Buarque de Hollanda - viúva do historiador Sérgio Buarque de Hollanda - no Rio. Com o mesmo entusiasmo de sempre, ele se prepara para as comemorações dia 21 de abril próximo do cinquentenário de sua obra prima, Brasília.
Na última 6ª feira (29.01), acompanhou a inauguração do Auditório Oscar Niemeyer de Ravello - cidade situada num pequeno trecho da costa Amalfitana, no Sul da Itália - um conjunto arquitetônico debruçado sobre um precipício junto ao mar, que custou 18,5 milhões de euros (R$ 48 milhões) construído pela União Europeia.
Três dias de concertos musicais, um festival de cinema, shows de dança e uma exposição marcaram merecidamente a festa dessa inauguração em Ravello de mais uma das inúmeras obras de Niemeyer hoje presentes em todos os continentes. Parabéns, mestre! Com esse entusiasmo, força e determinação para o trabalho você representa mais de um século de lições de vida pra todos nós.
Foto: Antonio Cruz/ABr
Conforme registra o site Carta Maior, a coalizão demotucana acusou o golpe do empate técnico entre as candidaturas Dilma Rousseff e José Serra na primeira pesquisa CNT/Sensus de 2010. Como diz o Carta, demorou horas para que o grão-tucanato reagisse na web, mas quando o fez - às 18:58, mais de seis horas, após a 1ª veiculação da sondagem - coube ao presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE) balbuciar o ato falho supremo: 'Serra está sólido'.
Enquanto o líder tucano anunciava publicamente essa solidez, um temporal liquefazia a praça das Bandeiras - no centro da capital paulista - onde Serra, quando prefeito (2005 a abril de 2006) suspendeu a construção de um piscinão licitado pela prefeita do PT, Marta Suplicy (2001-2004).
No Estadão.com a perplexidade veio embalada no clássico: "isso (crescimento de Dilma) não é uma tendência", enquanto no Globo online a pesquisa não ocuparia em nenhum momento o espaço nobre da manchete. Claro, para ajudar o candidato deles e da oposição não lhes interessava mesmo destacar que ele cai a cada pesquisa e que a candidatura Dilma sobe.
À noite, a Rede Globo continuou a ajudar Serra e fez a suprema coroação do trabalho: o Jornal Nacional "abandonou qualquer pejo e mandou às favas os limites da decência jornalística", simplesmente sonegando a informação política mais importante do dia aos seus telespectadores. Nenhuma palavra a respeito. Já se fosse o contrário, Dilma estagnada ou caindo na pesquisa...

Ainda que tentando disfarçar, como sempre, a mídia não consegue conter o seu desespero hoje com a queda da candidatura José Serra (PSDB) e o crescimento do nome da ministra Dilma Rousseff (PT e aliados) na pesquisa CNT/Sensus.
O noticiário parece samba de uma nota só: a tônica de todos os jornais ao noticiar a pesquisa é que o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) na disputa ajuda Dilma a encostar em Serra. Com ele fora, ela estaciona e Serra leva vários pontos de vantagem. Típica análise talhada para ajudar o candidato da mídia (Serra), estimular Ciro a sair para presidente, garantir um 2º turno e acabar o caráter plebiscitário da disputa.
Ou seja, os jornalões vêm com a toada de sempre: Ciro ajuda Dilma a subir e precisa sair candidato a presidente cobram eles. Até parece que querem isso mesmo e não acordaram para o fato de que a candidatura do deputado diminui os votos de Serra! Mas a mentira tem perna curta. O fato (que procuram esconder) é que Ciro caiu também junto com Serra. A verdade mais importante dessa pesquisa é que Dilma sobe (não Ciro) e tira votos de Serra.
É preciso fazer outra pesquisa quando Ciro desistir - se desistir da candidatura à presidência, o que é uma decisão dele e do PSB - para se saber qual sua real influência no páreo. Nessa outra sondagem, aí sim vamos ver que Dilma continuará a subir e Serra a cair mesmo sem Ciro. Isso está claro desde já, mas para nossa direita midiática vale tudo, até camuflar o óbvio e manipular pesquisa.
Foto: Antonio Cruz/ABr


[2]