
por Sonia Travassos
Do que achamos graça
A decisão do ministro Ayres Britto de atender ao pedido da Abert de suspender parte da lei eleitoral que proibia piadas com políticos, sem dúvida, é uma atitude saudável em um estado democrático de direito. Cabe, todavia, uma reflexão sobre o que pode vir a se transformar em um atentado aos direitos humanos das mulheres e homossexuais, sob a capa da liberdade de imprensa e opinião.
Jornalistas, como sabemos, são cidadãos/ãs como outros/as quaisquer, com seus interesses, preconceitos, valores, enfim, com visões de mundo que espelham e reafirmam a sociedade em que vivem. Não há porque imaginar, portanto, que as suas "inocentes" piadas com os políticos apenas servirão para fazer relaxar os ouvintes e tornar o momento eleitoral mais ameno.
A literatura antropológica há muito tempo mostra que grupos sociais e sociedades acham graça e riem de situações diferentes. No Brasil costumamos achar graça de piadas com negros, judeus, argentinos, homossexuais e mulheres, entre outros personagens favoritos nossos, dependendo de cada estado e/ou região do país. Não achamos graça ou fazemos piadas falando de húngaros ou canhotos, simplesmente porque estes grupos sociais não são Outros preferenciais para os/as brasileiros/as. Os grupos sociais "elegem", por assim dizer, outros grupos com os quais preferencialmente se relacionam e interagem, inclusive através de relações jocosas.
As piadas podem cumprir funções diversas em diferentes sociedades e situações. Uma das funções das piadas pode ser a reafirmação de estereótipos e preconceitos contra determinados grupos sociais. As mulheres e homossexuais são alvos frequentes dessa prática.
Não vimos até agora e, dificilmente veremos, algum/a candidato/a atentando contra a dignidade das mulheres, uma vez que, em público, somos todos/as politicamente corretos/as. Ocorre que, na forma de piadas, deixamos passar muitos dos nossos valores, preconceitos e ojerizas, achando que "são apenas piadas", que não fazem mal algum a ninguém, não configuram discriminação a qualquer grupo, servem "apenas" para nos fazer rir e relaxar.
A candidata Dilma Roussef, conhecida por sua personalidade forte e aguerrida, certamente é um alvo em potencial para a construção de piadas de cunhos machista, misógino e homofóbico. Um mulher que ousou ocupar o espaço público e ganhou notoriedade, a ponto de estar às portas de ser eleita a primeira mulher presidente do Brasil, não passará impune aos comediantes de plantão. Essas possíveis piadas podem não fazer baixar um ponto percentual sequer nas intenções de votos à candidata nas pesquisas eleitorais, nem fazer com que ela se sinta particularmente atingida.
Mas, como mulheres, hetero ou homossexuais, seremos todas atingidas por piadas que, longe de serem inocentes, reafirmam os preconceitos arraigados na sociedade brasileira contra mulheres e homossexuais. Uma sociedade onde temos assistido repetidamente ao assassinato de jovens e mulheres por ex-parceiros que se sentem no direito de puni-las por não quererem continuar os relacionamentos amorosos, não pode se dar ao luxo de deixar passar situações que atentem contra os direitos humanos das mulheres. Uma sociedade onde o número de agressões e assassinatos de homossexuais é estarrecedor, não pode suportar que se continue a achar graça de piadas que ridicularizam e ofendem os/as homossexuais.
Se a liberdade de imprensa e expressão precisa ser garantida, esse direito não deve ser assegurado às custas da reafirmação dos preconceitos contra quaisquer grupos sociais.
É aguardar e ver do que achamos graça.
Sonia Travassos é antropóloga, profa. da PUC-Rio e militante do PT/RJ
por Luiz Antonio de Almeida
Luiz Antonio de Almeida
Recentemente, uma amiga do orkut, Cláudia Beraldo, enviou e-mail pedindo que eu votasse contra a mudança do Museu da Imagem e do Som de Campinas, de sua sede no Palácio dos Azulejos para sabe-se lá onde... Parece que o poder público quer transformar o prédio histórico numa espécie de sala de recepção, ou coisa que o valha. A intenção, obviamente, se justifica: o edifício é deslumbrante. Prefeitura de qualquer cidade teria orgulho em possuir um salão nobre ou sala de recepção num palácio desses. Contudo, dizer que o MIS-Campinas, para justificar o “despejo”, não atrai público suficiente, é uma tremenda injustiça.
Museu não é estádio de futebol. Cultura poderia até ser produto de “massa”, mas não é. Cultura é algo a ser trabalhado, de resultados demorados, porém permanentes. Vejamos o Louvre. Milhares de pessoas visitam esse museu diariamente. E isso não se alcançou em 10 ou 20 anos, mas, sim, depois de 200 anos dedicados a transformá-lo no que ele é. O governo francês, desde os tempos de Napoleão, entendeu que a instituição seria exatamente a resposta ao mundo, à posteridade, à civilização ocidental, da importância que a França representava. E Campinas?
Palácio dos Azulejos, tesouro arquitetônico de Campinas, construído em 1878 e atual sede do Museu da Imagem e do Som. (03)
Daqui do Rio de Janeiro, só ouço falar de Campinas quando o assunto está relacionado à Unicamp ou às duplas “Chitãozinho e Xororó” e “Sandy e Júnior”, ilustres residentes da cidade. E é só. Campinas, em termos de projeção junto à cultura nacional, poderia ter papel altamente significativo. Não tem. E uma prova de que tal situação possivelmente se perpetuará é o fato de um museu importantíssimo como o MIS-Campinas, de uma hora para outra, ser ameaçado pelo próprio poder público! Ao invés de se “pensar” o MIS, procurar entender suas dificuldades, carências... Não, o negócio é “remover”. Pra quê um prédio tão bonito abrigando tanta “velharia”?... Quer coisa mais absurda que no Estado de São Paulo, em pleno ano de 2010, uma prefeitura compreenda a cultura de sua cidade dessa maneira?
É certo que o palácio transformado em sala de visitas do prefeito receberá as melhorias de que tanto precisa. Mas não é assim que a coisa deve funcionar. Isso é uma covardia com o pessoal do museu, com a memória de Campinas. Ou seja: para abrigo de futuros regabofes entre correligionários e palco das vaidades do alcáide falastrão, certamente o dinheiro aparecerá, o prédio será restaurado. Mas para a preservação do patrimônio histórico da cidade, nada.
O campineiro Antonio Carlos Gomes, autor da célebre ópera “Il Guarany” e primeiro compositor brasileiro a alcançar fama internacional. (01)
Sabemos que Carlos Gomes, o maior nome da música erudita brasileira, no século XIX, nasceu em Campinas. E daí? O que Campinas tem feito pela memória de Carlos Gomes, hoje? Onde estão, por exemplo, a “Medalha Carlos Gomes”, o “Festival Carlos Gomes”, o “Prêmio Carlos Gomes”?... Não estão em lugar nenhum! Simplesmente, não existem!
Fico pensando em Gramado (RS), com seu festival de cinema, Parati (RJ), com a Flip, sua feira literária, eventos de projeção internacional. Mas isso dá trabalho, não se faz de um dia para o outro, de uma gestão administrativa para outra... Há, ainda, o exemplo de Santa Rita do Passa Quatro, no interior de São Paulo, que aproveitou uma estação de trem desativada e a transformou num museu com o nome de Zequinha de Abreu, compositor nascido na cidade e autor do famosíssimo chorinho “Tico-tico no fubá”. Esse museu é uma das pérolas de Santa Rita.
Museu Histórico e Pedagógico Zequinha de Abreu. Santa Rita do Passa Quatro, São Paulo, 1986. (02)
Em 1926, nos primeiros dias de julho, o compositor Ernesto Nazareth, em turnê por algumas cidades de São Paulo, chegou a Campinas, ali se apresentando no Club Campineiro (por duas vezes), no Club Semanal de Cultura Artística e no Centro de Sciencias, Letras e Artes, perfazendo, portanto, um total de quatro recitais públicos. Quanto às audições particulares, certamente foram em bom número, pois só retornou à capital paulista entre 19 e 22 de agosto, levando, consigo, além das melhores impressões, dois pequenos álbuns com dez primorosos cartões-postais em cada, retratando o Largo Carlos Gomes e coreto, a Praça José Bonifácio, a Escola Normal, a Rua da Conceição, Monumento Ruy Barbosa, Rua Andrade Neves, 4º Grupo Escolar, a Catedral, o Clube Campineiro, a Rua Barão de Jaguará, a estátua de Carlos Gomes, a Rua Treze de Maio e a Igreja Matriz da Santa Cruz.
Três recordações de Ernesto Nazareth, datadas de 1926:programa, fotografia tirada por Valério Vieira (SP) e convite. (02)
Ernesto Nazareth dedicou a dois amigos de Campinas, o dentista Numa Corrêa de Carvalho e sua esposa Effe, uma de suas obras primas, o “Nocturno nº 1”, que pode ser ouvido na magistral interpretação de Alexandre Dias, acessando o link: http://sovacodecobra.uol.com.br/2010/06/noturno-op-1/
A terra que testemunhou o francês Hércules Florence realizando as experiências que projetariam seu nome entre os pioneiros da fotografia universal; Carlos Gomes, primeiro e único a levar histórias de nossos índios e negros aos palcos da Europa, por meio de suas óperas; Alexandre Levy, outro músico erudito, precursor no recolhimento de temas populares, especificamente o “Samba”, e perpetrando-os em partitura, isso em 1890... Que pena! Que descaso!
Cidade sem passado é cidade sem futuro. Não que Campinas vá desaparecer do mapa. Porém, conhecendo bem esse filme, que não é de ficção, mas de terror, vejo Campinas sendo transformada em mais uma daquelas cidades sem história, sem tradição, “sem alma”, anunciada pelos telejornais como “cidade-satélite” da megalópole São Paulo ou, o pior de todos os pesadelos: a transformação de Campinas numa espécie de “cidade-terminal ferroviário”.
Futura sede do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. Praia de Copacabana, mais importante cartão-postal do Brasil. Maneira inteligente de se governar, com respeito à memória de uma cidade e à MPB. (03)
Luiz Antonio de Almeida é pesquisador da Música Brasileira.
Fontes:
01 - Carlos Gomes por Arthur Anglada Lucas, Museu dos Teatros, RJ;
02 - Coleção Luiz Antonio de Almeida, Rio de Janeiro;
03 - Imagem disponibilizada pela Internet.
Artigo originalmente publicado na revista online João do Rio
Cid Barbosa Lima Jr.
Serra : ontem e hojeNão falhando minha memória, foi no começo de 1978 que conheci o Serra. Vinha de seu auto-exílio com disposição para disputar um mandato de deputado federal.
Na época - ainda ditadura - funcionavam em minha casa três grupos de estudos de problemas brasileiros. Estávamos discutindo a reorganização partidária. Paralelamente, Plínio de Arruda Sampaio, Weffort, Almino, FH e Serra estudavam também a possibilidade de estruturar um grande partido nacional.
Pelo seu passado – movimento estudantil, UNE, exílio - propus aos grupos uma aproximação e eventual apoio a Serra. Em uma noite reunimos os três grupos de estudo e fui pegar o Serra em seu apartamento, onde conheci sua esposa, uma chilena, esguia e muito bonita. Aproveitei o pequeno trajeto até minha casa e informei-o sobre o funcionamento dos grupos e como se encontravam as discussões.
Já em casa, Serra colocou uma série de idéias estapafúrdias e discordantes dos grupos. Após a reunião, os companheiros cobraram-me fortemente e acharam que Serra não era identificado com as causas dos trabalhadores, não era de esquerda e não queria – em sua lógica – a construção de um amplo partido, que fosse socialista. Naquele momento eu entendia que Serra, apesar do jeito centralizador e autoritário, que não admitia contestação, poderia ser um parceiro na luta pela abertura política e ao Brasil.
Depois de tudo isso, Serra acabou não saindo candidato, pois a legislação da ditadura militar proibia candidatos com menos de 2 anos de residência no país. Com o passar do tempo e conhecendo-o melhor, afastei-me, mas acompanhei sua trajetória de longe.
Sua atuação como deputado federal ajudou a apagar da minha memória a hipótese de ele ser um social-democrata, na acepção européia moderna. Sua atuação aproximou-o das forças mais oligárquicas e conservadoras, afastando-o cada vez mais das causas dos trabalhadores.
A aliança do PSDB com os pefelistas – era FHC – na governança do Brasil, sua atuação como Ministro e o aprofundamento da aliança com os demos – ex-pefelistas - na Prefeitura e, posteriormente, no Governo do Estado de São Paulo leva-o, definitivamente, para o campo da direita. E neste é consolidado como liderança.
Quando o ouço acusar o PT de ligações com as FARCs, de criticar vários chefes de Estado e não só os da América Latina, de criticar a atuação do Presidente Lula, não me assusto tanto quanto outros companheiros.
A história tem mostrado a existência de outros Lacerdas e o “ modus faciendi” udenista. Apesar da repetição, ela mostra que todos eles acabam no esquecimento, o progresso continua avançando e as mudanças acontecendo.
Cid Barbosa Lima Junior é engenheiro
Lutamos por um Brasil inclusivo, de todos e para todos
A Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, entidade apartidária e independente, que tem como objetivo a inclusão das pessoas com síndrome de down na sociedade, entende que a educação é dever do estado, família e sociedade.
Considerando a importância para todas as crianças e adolescentes de crescer e aprender na classe comum da escola regular.
Considerando a Constituição Federal, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e ainda as diretrizes do Ministério da Educação,o Decreto 6571 de 2008 e a Resolução No 4 do CNE/CEB.
Considerando que a educação é um direito humano indisponível e inquestionável.
Considerando que a Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação vem agindo em conformidade com as legislações acima citadas, disponibilizando recursos para a equiparação de direitos e igualdade de condições.
Considerando que trabalhamos diariamente por uma sociedade mais justa e inclusiva, manifestamos a nossa indignação e repudiamos as declarações do Sr. José Serra, no debate realizado no dia 5 de agosto de 2010, por contrariar todos os avanços duramente conquistados por entidades, pessoas com deficiência e familiares, ao questionar e instigar contra o direito à educação inclusiva garantido por Lei.
A legislação vigente é resultado de anos de luta pela garantia do direito à inclusão educacional de alunos com deficiência em turma regular. No que diz respeito às pessoas com deficiência, as verbas destinadas para a educação devem ser utilizadas para inclusão, acessibilidade e atendimento educacional especializado, ou seja, recursos para que os alunos público alvo da educação especial tenham direito ao acesso e permanência, com as suas especifidades atendidas, para que possam aprender em igualdade de condições, e de acordo com as suas possibilidades.
É preciso por fim ao aparthaid , ao preconceito e à discriminação, e não há como fazer isso sem que os alunos público alvo da educação especial estudem nas mesmas salas de aulas.
É preciso garantir e oportunizar o pleno acesso à educação, reunindo qualidade e quantidade.
Nada temos contra a entidade citada pelo Sr. José Serra, que recebe recursos do MEC para a realização do atendimento educacional especializado , de acordo com a Resolução No 4 do CNE/CEB. É merecedora do respeito e apreço da sociedade brasileira, pela sua história e pelos conteúdos e saberes acumulados, que são de extrema relevância para a efetivação da educação inclusiva.
A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência foi ratificada com equivalência de Emenda Constitucional em 2008, e, em respeito às pessoas com deficiência, associações e ativistas, e, em particular, as crianças e adolescentes com e sem deficiência, pedimos que não discrimine pessoas com deficiência, no discurso e na prática.
Lutamos por um Brasil inclusivo, de todos e para todos.
Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down – FBASD

Jogando Limpo Rumo ao Hexa!!
Denise Motta Dau
Jogando Limpo Rumo ao Hexa!!
Segundo a Organização Internacional do Trabalho – OIT, “o trabalho decente é via fundamental para superar a pobreza, criar sociedades mais justas e inclusivas e fomentar a governabilidade democrática.” Para que seja efetivado é preciso que os países tratem as políticas de forma articulada - políticas sociais de emprego e de mercado de trabalho.
Desde 1999 a OIT vem aprofundando o conceito sobre o tema e os pilares que o sustentam. O objetivo é reduzir a pobreza e construir sociedades mais equitativas e, a geração de empregos quando tratado de forma isolada tem se mostrado insuficiente. É necessário que esses (empregos) sejam adequadamente remunerados, exercidos em condições de liberdade, eqüidade, segurança e capazes de garantir uma vida digna, que se pode resumir assim: mais e melhores empregos, extensão da proteção social, respeito aos direitos trabalhistas e existência de espaços e mecanismos de diálogo social que envolva governos, empregadores e trabalhadores.
Mercado de trabalho, o caso brasileiro
O mercado de trabalho brasileiro, em especial na década 90-2000 se caracterizou por um elevado déficit de trabalho decente, revelados por alto índice de desemprego e informalidade, alta rotatividade, baixa remuneração do trabalho, grande desigualdade entre diferentes grupos, refletindo assim o significativo nível de discriminação, sobretudo em relação às mulheres e a população negra. A esses fatores soma-se a insuficiência da qualidade das ocupações disponíveis.
O Brasil tem registrado no período do Governo Lula, melhora expressiva em indicadores importantes do mercado de trabalho, com destaque para o aumento dos níveis de ocupação, geração de empregos formais e reversão da trajetória de queda dos rendimentos do trabalho, acompanhando uma recuperação do crescimento econômico. Apesar disso, o país ainda convive com um mercado de trabalho estruturalmente segmentado, que exclui social e economicamente uma parcela expressiva de trabalhadores/as, em função da precarização do trabalho e consequentemente de suas relações. Embora o aumento do emprego seja um reflexo positivo da estabilidade econômica, não garante que esse crescimento seja sustentado. Para que isso ocorra é necessário que se assegure desenvolvimento com distribuição de renda. É preciso priorizar as políticas que ajudam a conciliar demanda e oferta de trabalho, em especial aquelas que contribuem para a geração de empregos de boa qualidade.
A Copa de 2014 – geração de emprego e desenvolvimento local – esse é o desafio!!
Eleitas as Cidades-sede para a copa do mundo de 2014 no Brasil, definido o volume de investimentos em infraestrutura - mobilidade urbana, estádios, hotelaria, investimentos em projetos para reforma de aeroportos e portos, segurança, tecnologia da informação dentre outros, é possível imaginarmos os impactos econômicos e sociais que estes investimentos terão para o desenvolvimento do País?
Um elemento central que não devemos perder de vista é a transparência sobre, como e onde estes investimentos serão aplicados. Serão consideradas as demandas e necessidades da população local?
O Governo Federal tem reforçado a orientação para que Estados e municípios garantam transparência nos seus atos, mas sabemos que, para que isso ocorra é preciso exercer pressão sobre os Governos e fiscalizar a aplicação dos investimentos.
Segundo previsões do Governo os impactos econômicos com a realização da Copa podem atingir o volume de R$ 183,2 bilhões, dos quais R$ 47,5 bilhões (26) são impactos diretos e R$ 135,7 bilhões indiretos (74%).
Esse volume de investimentos, com certeza impactará na geração de empregos, que pelas previsões podem atingir o número de 330 mil permanentes e 380 mil temporários. Sem contar com o incremento do turismo, aumento do consumo das famílias, arrecadação pelo Estado, etc.
Contudo, para que os empregos gerados tragam de fato, resultados econômicos e sociais positivos para a população das cidades envolvidas é necessário que se garanta, emprego de qualidade, respeito a direitos como organização sindical, negociação coletiva e acesso ao local de trabalho, premissas para o Trabalho Decente. Além desses direitos é preciso que se garanta via Protocolos, ou outro documento negociado e firmado entre as partes - Governo Federal e Governos Locais e empresas contratadas, que em nenhuma circunstância será permitido o uso do trabalho infantil, escravo ou forçoso e o compromisso de combate permanente a estas formas de exploração.
É importante que nos apropriemos deste momento para garantir avanços e ampliar direitos. A Copa pode e deve ser um bom momento para uma maior regulação do trabalho, considerada em toda sua dimensão - liberdade sindical e de organização, respeito à negociação coletiva, igualdade de oportunidades e de tratamento e diálogo social.
Muitas das cidades eleitas para a Copa estão diante de grandes desafios, já que têm a sua frente dificuldades estruturais importantes que precisam ser enfrentadas, como saneamento básico, exploração sexual infanto-juvenil e tráfico de pessoas, em especial nas capitais do nordeste, além do transporte precário, saúde e educação com baixo investimento. Criar condições para realização da copa nestas cidades exige investimentos públicos de grande monta. Nossa tarefa é garantir que esses investimentos tenham contrapartidas sociais, quer seja para a geração de bons empregos, quer seja para melhoria na qualidade de vida da população.
É preciso disputar na localidade para onde e como os investimentos devem ser usados, visando o desenvolvimento sustentável, ético e, sobretudo, pactuar boas práticas com governantes locais com vistas a garantir resultados positivos para a classe trabalhadora e a sociedade, pós-copa 2014.
Enfim, para que tenhamos o sucesso esperado e desejado por todos e todas, não podemos deixar de considerar o papel das eleições este ano. Depende de quem elegeremos nas eleições de 03 de outubro o sucesso da Copa e de avanços do projeto democrático e popular.
A Plataforma da CUT para as eleições é o nosso instrumento de disputa na sociedade. Valorização do trabalho; igualdade, distribuição de renda e inclusão social; Estado democrático com caráter público e participação ativa da sociedade são eixos orientadores para nossa intervenção. A Plataforma está sendo lançada nos Estados e angariado o compromisso de várias candidaturas.
Podemos fazer um gol de placa em direitos, participação popular e avanços para as relações de trabalho no País, jogando limpo, combinando a conquista do Hexa com mais e melhores empregos!
Denise Motta Dau é Secretária Nacional de Relações de Trabalho da CUT.
A Juventude e a Constituição
Edson Pistori
A Juventude e a ConstituiçãoO Congresso Nacional promulgou a sexagésima quinta emenda à Constituição Federal para inserir os jovens no artigo 227. A emenda foi comemorada por movimentos juvenis e gestores governamentais, pois tramitou durante 6 anos no parlamento e é a primeira prioridade efetivada dentre as 22 definidas pela I Conferência Nacional de Juventude realizada em 2008.
A inserção inédita da juventude na Constituição tem um valor simbólico incontestável. A emenda reconhece os jovens como sujeitos de direitos por sua condição específica de viverem uma etapa singular do ciclo de vida.
Contudo, a norma não acrescenta novos direitos ao catálogo já previsto na Constituição e também não explicitou direitos específicos aos jovens.
Agora, a esperança é que tais direitos sejam definidos por um Estatuto da Juventude, cuja emenda determina a edição por meio de uma lei.
Da interpretação do novo artigo 227 da Constituição depreende-se que a partir de agora os jovens, juntamente com as crianças e adolescentes, terão “prioridade absoluta” de acesso aos direitos que já lhes eram conferidos por serem universais (vida, saúde, alimentação, educação, cultura, dignidade), mas que dependem muito de políticas públicas para serem plenamente efetivados.
A crítica a emenda está na ausência de proporcionalidade, princípio inerente aos direitos constitucionais, que na prática dá a um rapaz de 20 anos a mesma prioridade absoluta que deve ter um menino de sete anos.
A conquista de direitos dá-se por meio da disputa na arena pública. A “prioridade absoluta” às crianças e aos adolescentes visa compensar o fato de que estes sujeitos não podem, por sua condição, pressionar diretamente os poderes públicos para exercê-los. Já os jovens, historicamente, se mostraram prodigiosos na sua capacidade de reivindicarem seus direitos seja nas ruas, seja por representação junto às instituições (disputando cargos eletivos ou exercendo o voto).
Assim, não se questiona a prioridade “política” a ser dada às políticas de juventude, mas o fato de estender a prioridade “absoluta” a 48 milhões de jovens enfraquece a “priorização máxima” necessária às crianças e aos adolescentes e ao mesmo tempo excede-se na proteção aos jovens, visto que o meio mais adequado seria propiciar aos jovens condições para emancipação, incluindo a responsabilidade de atuarem por si para exercer seus próprios direitos sem paternalismo do Estado, sob o risco de domesticar uma geração inteira com reflexos futuros sobre a cidadania.
Embora tenha sido aprovada por “consenso” no parlamento, e sob grande aplauso das organizações juvenis, tal medida é um descompasso que não contribui para a construção de uma democracia com fortes laços de solidariedade entre as gerações.
Outro aspecto de destaque é que a emenda inseriu a expressão “os jovens” sem fazer uma distinção clara com o segmento da juventude e o segmento da infância e da adolescência.
A diferenciação jurídica entre os segmentos repercute na organização das políticas de juventude, que devem se desvincular das estruturas de assistência social, tendo abordagem mais emancipatória e menos de proteção e da tutela, como deve ser para a infância. Os jovens (18 a 29 anos) buscam independência e inserção social autônoma. Portanto, as políticas de juventude devem ter caráter emancipatório.
Acredito que a emenda perdeu a oportunidade histórica de consagrar direitos específicos à condição juvenil: o direito à emancipação; ao financiamento público do tempo livre; à experimentação; à convivência social; à redução obrigatória da jornada de trabalho durante os estudos; à participação; ao trabalho decente ou ao financiamento da sua inatividade; dentre outros direitos úteis aos jovens na construção de suas trajetórias para assim colaborarem melhor com o desenvolvimento da nação.
Edson Pistori é professor de Direito Constitucional do Centro Universitário Euroamericano. Foi coordenador executivo da I Conferência Nacional de Juventude em 2008.
Idade não transforma a realidade social, talento e ousadia sim
Eduardo Lyra
Idade não transforma a realidade social, talento e ousadia sim
Recentemente participei de um debate entre jovens do curso de Jornalismo da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), o embate girava em torno de uma suposta falta de argumento e capacidade de transformação da realidade brasileira em que o jovem está (acreditam-se erroneamente) submetido.
A discussão foi acalorada, sobretudo quando um dos participantes afirmou precipitadamente e de modo generalizado que o jovem brasileiro não cria, não acrescenta, não tem o que dizer, por isso deve ficar quieto e apenas ouvir os mais velhos. De acordo com ele, o jovem deve ser um agente passivo e não desenvolver as suas potencialidades.
Eu, porém, discordei incisivamente, e provo a razão de minha discórdia aliado à história que nos apresenta jovens inquietos, ambiciosos e com uma enorme vontade de fazer as coisas que pareciam erradas darem certas. Um bom exemplo é Alexandre, O Grande, que começou a governar a Babilônia com 20 anos, dando início a uma marcha implacável pela conquista do mundo. O que o imperador macedônico conquistou com apenas 33 anos, muitos reis não conquistaram durante todo o curso da vida.
O rei Davi, filho mais novo de Jessé, é dono de uma das biografias mais respeitadas entre os judeus. O menino de cabelos ruivos, com ínfimos 17 anos, não aceitou os insultos do gigante Golias, e com uma pedra e uma funda às mãos, alcançou o trunfo, de derrubar o homem que parecia insuperável. Coisa que os soldados experientes de Saul não o fizeram, e com isso garantiu a permanência do Estado de Israel.
No campo das artes, pode-se citar o insuperável Michelangelo Buonarrotti, que pintou a Capela Sistina, obra que o imortalizou. O seu talento também despontou muito cedo. Aos 13 anos foi enviado para estudar com o mestre Domênico Ghilandaio, um dos maiores pintores da Toscana. Porém não demorou muito para que os afrescos do jovem estudante superassem aos do professor em qualidade, inventividade e ousadia. Uma prova irrefutável de que idade não interfere na qualidade da obra.
Foi também muito jovem que Mozart compôs, durante uma viagem a Paris, a Sinfonia Concertante, que se tornou muito popular pela combinação de diversos instrumentos. O trabalho é considerado uma das obras primas de Mozart, além de marcar sua entrada na maturidade composicional e, sobretudo por ter sido elaborada quando o moço havia perdido a mãe.
Contra os que argumentam que feitos tão notáveis aconteceram apenas no passado, podemos citar o jovem Ricardo Ferreira, 21 anos, que neste ano, ainda na graduação, fez algo que muitos professores titulares das melhores universidades do País não chegaram perto: teve um de seus trabalhos publicados na Science, uma das principais revistas cientificas do mundo. Após três meses nos Estados Unidos, tornou-se autor de um artigo sobre captura de CO2, técnica de engenharia que é uma das promessas no combate ao aquecimento global.
Dizer que o jovem não possui capacidade de transformação é no mínimo um deslize e preguiça de raciocínio. Pode ser que haja muitos que ainda não se encontraram enquanto cidadãos, que não contribuem com a sociedade. Também pudera, pois apenas 13% dos jovens entre 18 e 24 anos conseguem ter o ensino superior completo no Brasil. Mas há seguramente uma gama de gente comum fazendo coisas extraordinárias com pouquíssima idade. Esses serão os futuros protagonistas do crescimento do País.
Eduardo Lyra é estudante de Jornalismo e vencedor do concurso de reportagens da Revista Itaú Continuum.
Transportes e pedágios : somos campeões do mundo
por Cid Barbosa Lima Júnior
Transportes e pedágios : somos campeões do mundo
O estado de São Paulo é campeão brasileiro de pedágios. São ao todo 227 pontos de pedágio até março deste ano. Todas as praças de pedágio –cerca de 121 – são concessionadas à iniciativa privada. Em todo o Brasil há um total de 239 praças, portanto 51% encontram-se em São Paulo.
Os governos tucanos colocam o estado na liderança de preços praticados nos pedágios. Para o Sindicato Nacional dos Transportadores são os maiores do planeta. Não é a toa, que alguns jornalistas chamam o ex-governador de Zé Pedágio. As concessões no Estado aconteceram em duas etapas e começaram em 1997, com 3.500 km de estradas. A arrecadação, até março deste ano, foi de 22,6 bilhões de reais e foram para os cofres estaduais cerca de 3 bilhões.
A segunda etapa abarcou 1.700 km de estradas e os contratos foram feitos mediante concessões onerosas. Assim, quando pagamos R$10,00 nos pedágios, cerca de R$1,33 vão para a Fazenda Estadual, além de remunerar – e bem – o capital privado. Em dois pequenos comparativos entre os pedágios estadual e o federal vemos o quão caro é o estadual.
Para se ir da cidade de São Paulo à cidade de Limeira, em um trecho de 152 km, os motoristas gastam R$0,14 / km. Nas rodovias Anchieta e Imigrantes que ligam São Paulo a Santos se gasta R$0,32 / km. Já o custo dos pedágios nas rodovias Fernão Dias e Régis Bittencourt é de R$0,02 / km. Muito abaixo do pedágio estadual.
Esse custo é maior para os veículos que transportam mercadorias, pois é em função do número de eixos. Os custos dos pedágios paulistas além de recair diretamente no bolso dos usuários das rodovias, recai também, de forma indireta, sobre todos os consumidores dos produtos transportados. São os produtos de baixo valor agregado como os alimentos e materiais básicos de construção ( areia, pedra etc ), que mais sofrem com os custos elevados dos pedágios.
Em muitos países mais desenvolvidos a cobrança de pedágio só é permitida, quando há uma estrada alternativa sem essa cobrança. O pedágio existe hoje em apenas 11 estados brasileiros. Caso Serra vença essas eleições, o que é pouco provável, teremos todos os estados da federação pedagiados e a preços caríssimos, como em São Paulo.
Aliás, em transportes caros, os tucanos são senhores absolutos. O Metrô de São Paulo, cuja construção anda a passos de tartaruga, é um dos mais caros do mundo. E quem arca com isso, mais uma vez é a população. Por outro lado o governo federal conseguiu no dia 5 de abril, grande vitória, com a obtenção da Licença de Instalação para as obras de duplicação da Régis Bittencourt na Serra do Cafezal. O Ibama, na época do gov. FHC, impediu essa duplicação para evitar possíveis mortes do macaco-prego, conseguindo, tão somente, aumentar exponencialmente a morte de pessoas por atropelamentos ou colisões. O governo da época foi incapaz de resolver esse problema.
Não é só nos transportes a incompetência tucana. Ela se dá em todas as áreas. Recentemente os jornais divulgaram que neste ano, até maio, houve um total de 22.346 casos de dengue no litoral paulista. Um aumento de 50 vezes em relação ao ano passado. O número de mortes saltou de um para 51 em um ano. Coincidência ou não, quando Serra foi ministro da saúde do governo FHC, ele demitiu milhares de trabalhadores, os chamados “mata-mosquitos”.
Será que o tucanato, ainda vai querer comparar seu candidato com a Dilma no quesito competência e respeito ao trabalhador?
Cid Barbosa Lima Júnior é engenheiro.
Dilma X Lula
por Wagner Gomes
Dilma X Lula
Lula, com sua sensibilidade aguçada, sempre procura acertar o alvo com precisão cirúrgica. Com tal instinto, procurou direcionar o início da campanha eleitoral para um confronto do tipo “eles contra nós”, estabelecendo paralelos com a era FHC.
Estimulada por essa postura, teve início uma guerra suja, pela internet, tentando destruir a reputação dos candidatos, cujo lado mais torpe busca atingir a honra da candidata do PT. Dilma Rousseff teve uma juventude abastada, fruto das posses amealhadas por sua família, que lhe assegurariam um bem viver pelo resto de seus dias. Renunciou a tudo isso, no período da ditadura, para lutar pelos seus ideais. Isso é fato. Todo o resto é platitude. Os assassinos de reputação, ao lhe impingirem calúnias, a satanizam tanto, que deturpam, propositadamente, sua trajetória. Uma campanha política não se pode valer de expedientes dessa natureza.
José Serra, no discurso de pré-lançamento da sua candidatura, afirmou em contraponto: “Somos todos irmãos na Pátria. Lutamos pela união dos brasileiros, e não pela sua divisão.” Com isso dava o tom de sua caminhada, ao tempo em que situava a disputa entre os reais candidatos postulantes à Presidência da República: ele, Dilma e Marina Silva. Nada de intermediários entre os dois, até aqui, principais concorrentes. Nem Serra será a continuidade de Fernando Henrique, nem Dilma será a de Lula. Ambos têm fortes e marcantes personalidades e jamais se deixariam envolver por algo que os transforme em simples marionetes.
O grande desafio da candidata do PT será, pois - além de exorcizar o fantasma de Marina Silva, que a ronda -, para manter-se na condição, recém conquistada, de dianteira nas pesquisas, desvencilhar-se das inevitáveis comparações que serão efetuadas entre ela e o Presidente Lula, uma vez que Serra e Marina já construíram, solidamente, suas próprias identidades. Dilma deverá convencer a Nação de que ela tem luz própria e que não orbita ao redor de Lula, astro maior de toda essa constelação sob a qual gravita. Vencendo esse desafio provocado pela inevitável comparação Lula x Dilma, ela se livraria da armadilha de seu principal oponente, que ao detectar todo esse panorama, ocupou a mídia com mensagens reais e subliminares que evocam e realçam essas singularidades.
À margem, a bem articulada Marina Silva, ativista do meio ambiente com ampla credibilidade, também cresce e ocupa, habilidosamente, os espaços que se abrem. Escaramuças à parte, o que precisamos, sem disfarces, é que se promova um debate de ideias, que comece pela reforma política, a mais urgente de todas as que o País reclama. Os partidos estão dilacerados, há muito tempo, porque FHC e Lula não tiveram a coragem - ou o interesse - de patrociná-la. E que esse debate seja tão amplo, que possa abrigar temas como o aquecimento global, a guerra ao terrorismo, o tumulto financeiro dos mercados mundiais, e o que fazer quando a falta de trabalho provocar distúrbios civis nesse nosso universo em desencanto, que passa por um processo de destruição criativa.
É sempre bom ter em mente que discurso não muda a história. Apenas práticas novas podem fazê-lo.
Wagner Gomes é conselheiro fiscal efetivo do Banco do Brasil de Investimentos, da Fundação Banco do Brasil, e do Banco Mercantil do Brasil.
(artigo originalmente publicado na Revista ViverBrasil em 30.05.2010)

A maioria dos jovens ocupa lugares de baixa qualificação, portanto, não gosta necessariamente do que faz, mas só o faz porque necessita e suas necessidades vão além de apoio à família. O jovem trabalha porque quer ser independente, fazer as coisas que gosta, comprar roupa, sair a noite com os amigos e etc. Proibí-lo de trabalhar não adiantaria absolutamente nada. Por Ismael de Almeida Cardoso.
Um Plano Nacional do primeiro emprego
Precisamos começar a elaborar nossa estratégia nacional pelo primeiro emprego, um conjunto de ações e órgãos que possam repensar a maneira com a qual a juventude se relaciona com o mundo do trabalho. Não existe um órgão de pesquisas e projetos do governo federal voltados para este segmento, é claro que a criação da Secretaria Nacional da Juventude e o Conselho Nacional de Juventude significam um avanço importantíssimo, porém, estes órgãos não cumprem este papel. O que existe, na verdade, é um emaranhado de ações dispersas pelos diversos ministérios desconectados uns dos outros, fragmentadas estas ações têm um impacto menor na realidade difícil da juventude brasileira.
Acredito que o primeiro passo seja a criação de um serviço de informações e monitoramento da inserção ocupacional dos jovens. O CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) é órgão que mede a relação emprego/desemprego, mas, acho que poderia cumpri um papel mais abrangente, não se limitando apenas a verificar quem tem ou não emprego no Brasil, ele poderia ser este órgão de acompanhamento, o CAGED-Jovem. Em segundo lugar, casado ao CAGED-Jovem e por ele sendo orientado, um plano nacional de formação profissional. Nos últimos seis anos, o governo federal construiu mais escolas técnicas do que se construiu em um século de história no Brasil, portanto, poderíamos utilizar a própria estrutura destas escolas e seus professores para este plano nacional de formação. Fora isso temos também o sistema “S” (SENAI, SEBRAI e etc) que já forma milhares de pessoas com muita qualidade, porém, o sistema “S” deve ser público. A maioria das pessoas não sabe, mas, cada trabalhador com carteira assinada neste país paga para que este sistema exista e quando o próprio trabalhador busca mais formação tem que pagar caríssimo pelos cursos oferecidos. O ministério da educação obteve uma vitória nesta questão e garantiu gratuidade para um milhão de jovens em poucos anos, por entanto, devemos incluir o sistema “S” neste plano de formação da juventude.
Prefiro tratar separadamente a terceira ação, pois, é a principal ação desta estratégia nacional do primeiro emprego devido a sua magnitude e seus impactos diretos na juventude. Como havíamos dito anteriormente neste espaço (leia texto anterior), para quebrarmos o ciclo vicioso do jovem que precisa trabalhar e para de estudar por conta de seu trabalho, seria necessário adiar a sua entrada no mercado de trabalho, mas, diferente da criança, o jovem tem necessidades de outro tipo. A juventude não procura trabalho somente porque precisa ajudar sua família ou porque gosta de trabalhar. Como sabemos, a maioria dos jovens ocupa lugares de baixa qualificação, portanto, não gosta necessariamente do que faz, mas só o faz porque necessita e suas necessidades vão além de apoio à família. O jovem trabalha porque quer ser independente, fazer as coisas que gosta, comprar roupa, sair a noite com os amigos e etc. Proibí-lo de trabalhar não adiantaria absolutamente nada. É preciso que se realize um programa de transferência de renda básica para os jovens e, simultaneamente o jovem poderia participar de atividades socialmente úteis para a cidade.
Gostaria, por último, de fazer uma simulação com vocês do impacto positivo que esta renda básica poderia trazer para a sociedade como um todo. Sabemos que a juventude é a que mais mata e morre no Brasil. No Rio de Janeiro, estes números são alarmantes, assim como são alarmantes o número de jovens que abandonam a escola por conta do trabalho, acredito que o primeiro impacto seria o de trazer, aos poucos, de volta para os bancos das salas de aulas os mais de 5 milhões de jovens que estão fora do ensino médio e, impedir que mais jovens abandonem, pressionando o Estado brasileiro a resolver uma outra questão grave: a falta de professores. Para se ter uma ideia, precisamos contratar 510 mil professores, abrir 140 mil turmas e construir 47 mil salas de aula para suprir a demanda. O segundo impacto acredito ser na segurança pública, uma maneira eficiente de combater a marginalidade juvenil.
Façamos uma conta para o Estado do Rio de Janeiro, onde residem cerca de 1,1 milhões jovens entre 15 e 18 anos. Se realizássemos uma linha de financiamento de metade desses jovens, ou seja, os 550 mil jovens mais pobres, recebendo uma bolsa de 400 reais, o Estado investiria 220 mi por mês e, 2,6 bi por ano. Como diria meu amigo Fernando Henrique Borgonovi, isso é dinheiro de pinga para o que pode proporcionar de benefícios a todo o Estado. Somente para as Olimpíadas, serão investidos cerca de 36 bi de recursos públicos, investimento direto da União, do Estado e do Município. O Brasil continuará a crescer cerca de 5 a 6% nos próximos anos e, o Estado do Rio será um dos que mais crescerá, devido não só aos investimentos dos grandes eventos esportivos, mas, com os vultosos recursos dos royalties atuais e dos que ainda estão por vir com o pré-sal.
Tentei nestes dois pequenos textos expressar uma opinião que é muito vasta e polêmica. Espero ter conseguido em certa medida esquentar este debate, principalmente agora que estamos realizando o 14º congresso da UJS e, acredito ser esta uma grande bandeira para os jovens socialistas e progressistas do Brasil. Deixo a dica para quem quiser pesquisar mais: leiam o livro do professor Marcio Pochman, “A batalha pelo primeiro emprego”.
Um grande abraço a todos e todas, saudações socialistas!
Ismael de Almeida Cardoso foi presidente da UBES e é membro da direção nacional da UJS. Foto home: MEC
O início do primeiro mandato do governo Lula foi como uma mudança para uma casa velha, com inúmeros problemas de água, luz, esgotos, rachaduras nas paredes, pisos etc. Herdou uma inflação de 12,53% em 2002; a geração de empregos nos dois mandatos de FHC foi pífia, criou-se tão somente 780 mil novos. Por Cid Barbosa Lima Jr.
Da herança maldita ao PAC-2
O início do primeiro mandato do governo Lula foi como uma mudança para uma casa velha, com inúmeros problemas de água, luz, esgotos, rachaduras nas paredes, pisos etc. Herdou uma inflação de 12,53% em 2002; a geração de empregos nos dois mandatos de FHC foi pífia, criou-se tão somente 780 mil novos – o desemprego era grande; as reservas internacionais estavam em 27,8 bi de dólares, contando com o empréstimo do FMI; a política econômica com o câmbio ancorado não resistia às crises – bem menores que a de 2009 – internacionais e herdou, também, um estado diminuto, sem poder de ação e indução.
O primeiro mandato de Lula foi aquele que reformou e colocou ordem na casa. Ao seu final em 2006, a inflação estava em 3,14 % (quatro vezes menor); foram gerados 4.651 mil novos empregos formais (cinco vezes mais que FH nos dois mandatos); as reservas internacionais apresentavam robustos 86 bilhões de dólares e sem a participação do FMI. Ao compararmos estes e outros números – que neste espaço não cabem - passamos a compreender a profundidade da afirmação, de que o primeiro governo Lula recebeu uma herança maldita.
Já no segundo mandato, com os fundamentos econômicos e as finanças em ordem, pode o governo implementar uma série de políticas públicas, a maior parte delas consubstanciadas no PAC-Programa de Aceleração do Crescimento. A oposição demo-tucano tem criticado o governo, tendo alguns de seus altos dirigentes afirmado, que caso ganhem a eleição deste ano, acabarão com o PAC e a Bolsa Família, que chamam de bolsa esmola.
Essa crítica sistemática ao PAC, amplificada diariamente pela grande mídia, afirma que o programa está atrasado e é lento. Essa mesma mídia não fala que, os estados governados pelos tucanos são os que estão mais atrasados na implementação dos recursos do PAC. Na área de saneamento do governo estadual de São Paulo, o atraso é enorme. Das 126 obras de saneamento que receberam recursos do PAC, a Sabesp - empresa de saneamento do estado - iniciou apenas 73, de 2007 até o mês de março deste ano.
A 3ª. Etapa do Projeto de despoluição do Tietê que deveria ter começado em 2.008, até hoje está patinando. A linha amarela do Metrô de São Paulo encontra-se dois anos atrasada, em relação ao cronograma inicial. Enquanto isso o governo federal começa a organizar e implementar projetos para o PAC-2 e com isso evita-se uma descontinuidade das políticas públicas, voltadas que estão para o crescimento da economia com geração de empregos formais, distribuição de renda e inclusão social.
Serão 1,5 trilhões de reais aplicados no período de 2011-2014 em seis grandes eixos, quatro deles no vetor social-urbano: “Cidade Melhor”, “Comunidade Cidadã”, "Minha casa, Minha vida” e “Água e luz para todos”.
As eleições deste ano nos levam à reflexão e à esperança de que será muito bom para o Brasil, ter um governo que mantenha e implante o PAC em sua nova versão e, também, governos estaduais comprometidos com essas políticas públicas e que não durmam em berço esplêndido.
Cid Barbosa Lima Junior é engenheiro
"O jovem rico estuda até os 25 anos e isto lhe ajuda a ocupar os postos mais qualificados no mercado de trabalho. O jovem pobre começa a trabalhar mais cedo e aceita o trabalho que lhe é oferecido, com baixos salários, alta jornada de trabalho e total precariedade. Com isso, ele não tem tempo, muito menos dinheiro, para se formar". Por Ismael Cardoso.
A juventude tem se tornado tema central para a construção de uma nação forte, porém, devemos admitir que apesar dos valorosos esforços feitos até aqui, pouco se realizou de grandioso para efetividade de um projeto nacional da juventude, que a qualifique e acompanhe sua transição da escola/universidade para o mercado de trabalho. Outro aspecto importante que devemos sempre lembrar é que não existe projeto juvenil que qualifique e incentive o ingresso no mercado de trabalho deslocado do aumento de vagas no mercado em geral, portanto, não há projeto nacional de juventude sem projeto nacional de desenvolvimento.
Pesquisas dizem que a marginalidade não está ligada somente ao ganho fácil de recursos, mas ao poder de ser uma referência em sua comunidade, é quase dizer “eu existo!”, já que a falta de perspectiva que experimentamos principalmente na década de 90 nos excluiu – e ainda exclui – de qualquer bem estar social. Porém, este poder marginal torna-se muito menos sedutor se pudermos elevar a escolaridade dos jovens e dar-lhes trabalho, condições materiais para que possam fazer aquilo que gostam. Esse é nosso desafio, lançaremos aqui em dois pequenos textos, dados e fatos históricos para a defesa de uma tese polêmica, elaborada pelo professor Márcio Pochman (Pres. do IPEA): a de adiar a entrada do jovem no mercado de trabalho.
Juventude, um conceito em permanente mudança
Ao longo dos séculos, a humanidade se defronta com um problema fundamental: como intervir na natureza para dela retirar os meios necessários à sobrevivência e ter tempo para o gozo das coisas boas, como família, lazer etc. No capitalismo a maior parte das pessoas precisa vender sua força de trabalho para sobreviver - digo sobreviver e não viver bem que é muito diferente. Não necessariamente o que um trabalhador produz é dele ou pode ser por ele comprado, esta relação tensa entre produção coletiva das riquezas e apropriação privada das mesmas caracteriza o capitalismo e a luta de classes.
No passado, nas sociedades agrárias, as pessoas começavam a trabalhar muito precocemente, era normal crianças com 5 e 6 anos de idade trabalharem muitas horas. Além disso, trabalhava-se de 16 a 18 horas por dia, 112 horas semanais durante quase todos os 365 dias do ano, o que dava uma jornada de trabalho anual de 4 mil horas. A conseqüência natural é que a expectativa de vida ficava abaixo dos 40 anos, portanto, o trabalho consumia mais de 70% da vida humana. Se para nós hoje uma pessoa de 25 anos é considerada jovem, a cerca de 200 anos atrás era velha, já que não passaria dos 35 a 40 anos de idade.
Na sociedade industrial, principalmente nos últimos cem anos, as coisas mudaram bastante. Graças às lutas dos trabalhadores foram criadas diversas leis de proteção ao trabalhador e serviços públicos, não se trabalha mais até morrer e não se pode trabalhar como adulto antes dos 15 anos. O Estado foi obrigado a financiar a inatividade dos que precisam se dedicar ao estudo até os 15 anos de idade e dos que precisam descansar a partir dos 65 anos. Simultaneamente a estas leis de proteção, a jornada de trabalho diminuiu consideravelmente, hoje trabalhamos 44 horas por semana com direito a férias e feriados, 276 dias por ano ou 2 mil horas por ano, 45% do tempo de vida.
A expectativa de vida passa dos 70 anos no Brasil e em vários países passa dos 80 anos, é possível que em algumas décadas o mundo alcance uma expectativa de vida de 100 anos, portanto, em muitos países já se abandonou o conceito de juventude de 14 a 25 anos, uma pessoa com até 35 anos pode ser considerada jovem. Em síntese, este conceito é mutável e está ligado diretamente à expectativa de vida das pessoas.
Vivemos uma transição da sociedade industrial para a chamada sociedade do conhecimento, construímos tecnologias suficientes para reduzir ainda mais o tempo de trabalho humano por sua sobrevivência. Portanto, não é absurdo falar em 25 horas semanais de trabalho, durante 200 dias do ano, consumindo apenas mil horas anuais e, mais ainda, adiar a entrada dos jovens até 25 anos no mercado de trabalho, financiando sua inatividade para que se dediquem exclusivamente ao estudo e façam uma correta transição dos estudos para o trabalho, ocupando de maneira mais qualificada os postos de trabalho.
Educação e trabalho
A luta pela sobrevivência tem obrigado milhares de jovem a se lançarem no mercado de trabalho sem a menor formação e pior, ao começar a trabalhar, a maioria para de estudar por não conseguir acompanhar as duas coisas. No Brasil, cerca de 5,7 milhões de jovens entre 14 e 17 anos estão fora do ensino médio, isso é mais da metade dos jovens nesta faixa etária. Temos hoje cerca de 20 milhões de brasileiros que não completaram o ensino médio. Já quanto ao analfabetismo funcional, ou seja, jovens entre 15 e 24 anos com menos de 4 anos de estudos, chega-se a 22% - no Nordeste este número atinge 40%. As barreiras educacionais são tão grandes que a cada dez jovens somente seis estudam neste momento no Brasil. Apenas 13% dos jovens entre 20 e 24 anos estão na universidade, enquanto que nas economias mais avançadas esta taxa é três vezes maior.
Outra barreira que nos desafia é o analfabetismo tecnológico e estes não estão ligados somente a indicadores escolares, aqui devemos valorizar o esforço do governo brasileiro em retomar o papel da Telebrás com o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), tão atacado pela mídia por conta de seus interesses, de suas relações promíscuas com as operadoras de telefonia.
Agora, vejam que a postergação da entrada no mercado de trabalho até o 25 anos já existe para as famílias de classe média e ricas. A cada dez jovens da classe média apenas três trabalham e estudam, mas estes últimos só começam a trabalhar a partir dos vinte anos, até esta idade dedicam-se exclusivamente ao estudo, não somente o formal, mas fazem vários tipos de cursos, como línguas e informática. Já nas famílias pobres, a relação é inversa: para cada dez jovens pobres no Brasil sete trabalham e começam antes mesmo de completar os 18 anos e, destes sete, a metade abandona a escola.
É uma crueldade o que faz o nosso sistema educacional. Ele produz e reproduz a desigualdade gerando um ciclo vicioso perverso, o jovem rico estuda até os 25 anos e isto lhe ajuda a ocupar os postos mais qualificados no mercado de trabalho, o jovem pobre em nome da sobrevivência começa a trabalhar mais cedo, naturalmente por não ter algum tipo de formação, aceita o trabalho que lhe é oferecido, com baixos salários, com uma alta jornada de trabalho e total precariedade. Com isso, ele não tem tempo, muito menos dinheiro, para se formar.
A conseqüência é evidente para todos, ele continuará pelo resto de sua vida a ocupar posições precarizadas no mundo do trabalho. Esta é a famosa dualidade educacional: uma educação para os ricos pretensos dirigentes do futuro e, outra educação para os pobres os dirigidos.
No próximo texto apresentarei três ações para a construção de um plano nacional de juventude.
Ismael de Almeida Cardoso foi presidente da UBES e é membro da direção nacional da UJS.
Serra hoje é um poço de contradições. Diz que fará o que não fez e tenta dizer que Dilma não fará o que já fez. São evidências de que o PSDB não tem um projeto para o Brasil. O PT mostra que tem e o Brasil agradece. Programas como o Prouni oferecem a mais de 887 mil jovens o direito de sonhar com uma vida melhor. Por Geison Silva e Richard BackSerra e suas contradições
O candidato tucano José Serra disse que tomará medidas contundentes em várias áreas, destacamos duas: segurança e educação. Serra teve mandato nos últimos cinco anos no Estado de São Paulo - primeiro como prefeito por dois anos, e agora durante os quase quatro anos no Governo do Estado.
É uma hipocrisia, por parte de quem governou um Estado que está à mercê de bandidos como Marcola do Primeiro Comando da Capital (PCC) - que pode parar a cidade mais populosa e rica do Brasil na hora que bem entender - e que enfrenta uma greve por parte dos delegados da polícia que vai completar um mês, falar em segurança. Hipocrisia ainda maior de um governador que mandou a polícia agredir professores, há 30 dias em greve, a cassetetes pela tropa de choque e que distribuiu 36 milhões de cartilhas escolares com mais de 25 erros (o mais grotesco deles, dois "Paraguai" no mapa geográfico!) querer falar em educação.
Para se falar em assuntos que atingem tanto a vida das pessoas é necessário mais do que ideias e discursos, por melhores que sejam. Para se falar sobre educação e segurança pública é necessário ter a autoridade de quem fez, de quem construiu ações concretas nessas áreas na prática. Claramente esse é o caso da candidata Dilma Rousseff, que compôs e coordenou um governo, o do presidente Lula, com avanços significativos na educação e na segurança. Hoje, Dilma mais apresenta resultados do que faz promessas, ao contrário de Serra, que faz promessas porque o governo tucano que ele integrou não apresenta realizações pelo simples fato de não as ter.
A educação federal deu um salto gigantesco no governo Lula: 78 novas escolas técnicas públicas foram criadas contra 11 do Governo FHC; 110 novos campi de universidades federais públicas foram criados contra três universidades fechadas pelo governo FHC, que tinha como ministro da educação o Sr. Paulo Renato Souza, empresário do setor educacional privado (portanto altamente comprometido com a privatização do ensino no Brasil) e, pasmem, secretário de Educação do governo de São Paulo durante a gestão Serra, portanto, homem de confiança do ex-governador e atual candidato ao Planalto. Programas como o Prouni oferecem a mais de 887 mil jovens o direito de sonhar com uma vida melhor. E a ironia maior é que todas essas ações foram construídas no governo de um presidente que não tem diploma de nível superior.
Na segurança, o governo coordenado por Dilma Rousseff criou o Pronasci, um programa que está promovendo a segurança pública com inclusão social e não a segurança pela brutalidade da ação pós-crime. O Governo Lula reestruturou a Polícia Federal que tem combatido o crime com eficiência nunca vista. A força nacional foi criada e já atuou em vários estados no apoio às polícias estaduais. Na segurança nacional, o Governo Lula tem desenvolvido ações que fortalecem nossas Forças Armadas, como a renovação da nossa frota de caças. Nossa Marinha hoje desenvolve tecnologia para que possamos construir submarinos nucleares com tecnologia nacional, e o Exército patrulha nossas fronteiras no combate ao tráfico de drogas.
Serra hoje é um poço de contradições. Diz que fará o que não fez e tenta dizer que Dilma não fará o que já fez. São evidências de que o PSDB não tem um projeto para o Brasil. O PT mostra que tem e o Brasil agradece.
Geison Silva e Richard Back são respectivamente chefe de gabinete e assessor do deputado federal Marco Maia (PT-RS)
A melhor composição para as eleições de 2010 no Maranhão, que tenha como objetivo principal o fortalecimento do projeto nacional, seria uma aliança ampla, contemplando especificamente o PT – PMDB - PC do B, os partidos que nacionalmente mais se empenham na defesa do Governo Lula, uma possibilidade que de forma alguma está descartada pelo PT em nível nacional. Por Virna Teixeira
O Congresso do Medo
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que estereliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
(Congresso Internacional do Medo, Carlos Drummond de Andrade)
A realização do Encontro Estadual do PT do Maranhão no recente mês de março finalmente conseguiu confirmar a cosmologia terrorista que vinha tentando se instaurar junto à militância desde o PED de 2009. Foi deflagrado, com os mesmos instrumentos utilizados durante a Farsa Balaiada do governo Jakcson Lago, o clima de “caça às bruxas” ao petismo maranhense que ousou andar lado a lado com o projeto nacional do PT e do Governo Lula.
Uma espécie de hipócrito “Tribunal de Haia” foi montado pelo frio articulador da Operação Navalha dentro do PT do Maranhão, a fim de que uma ala do PT, sem nenhuma verdadeira vinculação às tendências nacionais do partido, se portasse como Júri Popular e acusasse sumariamente os militantes da CNB como os supostos “traidores” da classe trabalhadora. Talvez esse episódio merecesse a classificação de Ópera-bufa do circo político montado para constranger o PT, embora seus propósitos conservadores sejam muito mais ameaçadores que propriamente cômicos.
Em uma alusão à campanha de Lula em 2002, a atriz Regina Duarte, devidamente orientada pela aristocrática e neoliberal elite brasileira proferiu a seguinte sentença sobre a candidatura de Lula e o projeto do PT, “ Eu tenho medo”. Entretanto, mostramos após o resultado da belíssima campanha de 2002 que a esperança venceu o medo! Creio sim, porque lá estive presente como delegada eleita pelo PED de 2009 para representar e defender o projeto nacional do PT destacado com muito relevo na tese que escrevemos e debatemos com a militância durante o processo, que o Encontro foi atropelado por uma sanha vingativa de grupos que, não contentes com o resultado favorável à CNB depois do PED, resolveram a todo custo impor uma derrota ao nosso Campo. Alguns companheiros que também foram eleitos pela chapa Construindo Um Novo Maranhão, tão alinhada à CNB nacional quanto as chapas Renovar é Preciso, A força que vem da Base e Construindo a Mudança no Maranhão, infelizmente tomaram uma decisão individual, que não foi fruto de uma orientação coletiva concretizada nos inegáveis 85 votos dos delegados que de fato votaram a favor da tendência, do partido e do nosso projeto nacional de governo e de nação.
Esta eleição, lembrando que atualmente se encontra sub-judice, pois o Diretório Nacional acatou os três recursos contra a decisão do Encontro e está colhendo informações complementares para julgá-los, embora tenha sido tomada pelo clima do terror, vide a hostilidade e a violência dos argumentos usados contra os defensores de uma aliança com o PMDB, não foi capaz por si só de aniquilar uma tática que tem se mostrado a cada dia mais vigorosa. Ou seja, o medo não sufocou a esperança!
O Campo Construindo Um Novo Brasil, o mesmo campo colocado pela mídia conservadora, pela elite e por algumas tendências internas do PT como o inimigo número 1 da sociedade, responsável por todas as mazelas históricas do Brasil na crise de 2005, soube superar suas dificuldades, se reconstruir, melhorar qualitativamente o nosso governo e ganhar com uma larga diferença em relação aos opositores o PED de 2009. Elegemos José Eduardo Dutra com quase 60% dos votos da militância e fomos a chapa mais votada da eleição, com mais de 50% dos votos. Este é o Campo Construindo Um Novo Brasil, a tendência que sabe olhar para além de suas disputas internas, sem morrer de medo e ainda sair coletivamente vitorioso de cada eleição, há 30 anos.
Como está ficando claro e comprovado para a militância e para a sociedade brasileira, o Maranhão tem tanta importância para o projeto nacional quanto Minas Gerais, Rio de Janeiro ou a Bahia. O presidente Lula, na sua natural ousadia, afirmou, em pleno ato de apoio do PC do B à candidatura de Dilma, que a questão da tática eleitoral a ser adotada no Maranhão ainda não está resolvida. O recado foi explícito ao Presidente do PC do B nacional, Renato Rabelo, e não dá para a imprensa locar ficar fazendo conjecturas ou especulações em torno de uma afirmação tão evidente.
A melhor composição para as eleições de 2010 no Maranhão, que tenha como objetivo principal o fortalecimento do projeto nacional, seria uma aliança ampla, contemplando especificamente o PT – PMDB - PC do B, os partidos que nacionalmente mais se empenham na defesa do Governo Lula, uma possibilidade que de forma alguma está descartada pelo PT em nível nacional.
Confio irrestritamente na Direção Nacional do PT, na sua capacidade de melhor acertar as alianças regionais, e confio sobretudo no desejo de todo o PT e do Presidente Lula de eleger Dilma Rousseff presidente e derrotar definitivamente o neoliberalismo no Brasil, para que não precisemos mais sentir medo ou deixar crescer flores amarelas sobre os túmulos daqueles que ousaram para não nos ver morrer de medo!
Virna Teixeira é militante do Campo Construindo Um Novo Brasil e Dirigente Estadual do PT
Foto home: Valter Campanato/ABr
O programa “Onda Limpa” previa, dentre outras, a execução de redes e estações de tratamento de esgotos em todo o litoral norte de São Paulo. O fato é que somente a praia de Paúba e da Baleia já tem concluída a concorrência. Nas demais só placas que foram trocadas, porque as anteriores envelheceram. Neste programa também há aporte de recursos do Governo Federal. (Por Cid Barbosa Lima Jr.)
Choque de gestão?
Quando a grande mídia se refere ao governo de Serra fala em choque de gestão. Gostaria de entender o que ela que dizer com isso, afinal, há inúmeros anúncios e pouquíssimas realizações. A alça sul do Rodoanel é uma delas, que só se concretizou - após incríveis acidentes como a derrubada de três vigas de um viaduto - graças ao aporte de recursos do Governo Federal. Já o Metrô continua devagar quase parando. Há cinco anos começaram as obras da Linha amarela, com dois anos de atraso e desastres após desastres (um deles, o buracão de Pinheiros, ceifou sete vidas), só duas estações deverão ser inauguradas neste semestre.
Neste artigo porém, gostaria de analisar especialmente a gestão inoperante na Sabesp. Esta empresa tornou-se especialista em anúncios Pinochianos. Um dos maiores é o chamado Programa “Onda Limpa” que previa, dentre outras, a execução de redes e estações de tratamento de esgotos em todo o litoral norte de São Paulo. O fato é que somente a praia de Paúba e da Baleia (esta não estava no programa e acabou entrando por uma solicitação da direção da editora Abril) já tem concluída a concorrência. Nas demais só placas que já foram trocadas, porque as anteriores envelheceram. Neste programa também há aporte de recursos do Governo Federal.
Enquanto isso, a qualidade das águas que a Sabesp fornece nessas praias é abaixo do recomendável, apresentando alta presença de coliformes, à exceção de três delas. Apesar da enorme propaganda – até no Acre apresentou o programa “Onda Limpa”- que afirma ser a Sabesp uma empresa que respeita a população, focos de dengue foram encontrados, por duas vezes neste ano, na estação de tratamento de água do Alto da Boa Vista, bairro rico de São Paulo.
A direção da empresa para não ser processada por eventuais irregularidades, contratou um seguro milionário que cobre assédio moral e sexual. Anunciou há alguns anos o programa Córrego Limpo em parceria com a Prefeitura de São Paulo. Hoje o Governo do Estado propagandeia a conclusão de 42 córregos e mais 58 até o final de 2010. O fato é que concluíram integralmente apenas dois, uns poucos encontram-se em andamento e outros aguardando licitação. No Córrego das Corujas, na V. Madalena anunciaram até peixes. Todavia no pequeno trecho que foi executado, entre a Av. das Corujas e a R. Paschoal Vita , observa-se duas tubulações lançando esgotos no córrego. No site da empresa aparece até o Lago da Aclimação – pasmem- despoluído.
Como de praxe nos governos tucanos, a privatização é o conteúdo político e ideológico predominante e não poderia ser diferente no governo Serra. A privatização do sistema de captação e tratamento de água do Alto Tietê deu-se no governo Alckmin através de uma PPP ( Parceria Público Privada ), onde o público confunde-se com o privado e a operação do sistema fica a cargo do privado. Já no governo Serra foi criado o “ Aluguel do Ativo ”. O sistema é entregue ao empreiteiro que construirá a estação de tratamento – de água ou esgoto – e recebe um aluguel - muito alto – pelo ativo, durante 15 anos ou mais, sendo que a operação fica com a Sabesp.
Nesse desmonte da empresa, Serra implementa a política de terceirização- leia-se precarização do trabalho – das atividades fins, com a conseqüente redução de 17.000 para 15.000 empregados no estado, demitindo aqueles que tinham mais experiência. Outros 1.000 empregados foram avisados que serão demitidos em junho próximo. Choque – e que choque – de tensão! O clima organizacional da empresa é o pior possível.
A Sabesp, uma empresa controlada pelo braço direito do Serra, que deveria cuidar do saneamento e, consequentemente da saúde da população, vem privilegiando o investidor. No balanço de 2008 anunciou um lucro líquido de R$ 1,374 bi e distribuiu os dividendos aos investidores, cabendo à Fazenda do Estado pouco mais da metade. No início do corrente ano é refeito o Balanço de 2008, indicando um lucro de R$ 63,6 milhões, devido ao fato de ter esquecido de constar o pagamento de R$ 944,5 milhões para os aposentados e pensionistas. Pequeno esquecimento!
Investimentos em redes e tratamento de água e esgotos que é bom, muito pouco. A região metropolitana de São Paulo embora apresente um faturamento maior que o litoral e interior – mais de 2/3 da receita – é a que menos recebe investimentos. Foram R$ 743 milhões contra R$ 1.090 milhões em 2009, sendo que boa parte desses recursos advieram do governo federal via PAC, que prevê um total de R$ 1.060 milhões para 126 obras. Destas, pouco mais da metade foram iniciadas até março.
Não é só no Metrô e na Sabesp que o governo Serra vai mal. Neste último mês de março, faltou na rede estadual de saúde o principal remédio para combater a hepatite C, o Interferon 100. Por outro lado, não faltam bombas de efeito moral, gás pimenta, cassetetes e balas de borracha para os mal remunerados educadores paulistas. Acabou-se a democracia no Estado.
São Paulo está doente!
Há muito choque e nenhuma gestão.
Cid Barbosa Lima Junior é engenheiro.
O Governo Serra não prioriza a educação e a saúde e sim as obras que dão visibilidade. Ainda assim, se o Serra mantivesse o percentual do período 2002-2005 o orçamento da Educação teria dobrado, permitindo pagar salários decentes aos professores.
Augusto da Fonseca
Segue abaixo uma série de gráficos sobre Saúde e Educação no governo José Serra publicados no meu blog, Festival de Besteiras da Imprensa nas últimas semanas. Os gráficos que apresento foram processados pelo DATAFBI , a partir de dados extraídos dos Projetos de Lei Orçamentária do Governo de São Paulo , no período 2002-2010. Todos os valores foram atualizados para 2010, pelo IPCA.
1.Educação

O primeiro gráfico mostra a evolução da Receita Total, observando-se um grande salto em 2006, provavelmente às custas de forte aumento da carga tributária (mais tarde estudaremos as causas desse aumento), que foi bem superior ao crescimento do PIB e da renda. Em 2006, ano de maior crescimento da Receita, houve uma redução de 16,6% do orçamento para a Educação.
O segundo gráfico mostra como evoluiu a Receita Total, paralelamente à destinação de recursos orçamentários para a Educação. Esse gráfico, no formato de “boca de jacaré“, mostra a disparidade entre o crescimento da Receita e a involução do Orçamento da Educação. Acompanhem o próximo gráfico:

Ele mostra que a Receita total aumentou significativamente para o Governo Serra, sem o correspondente aumento do orçamento da Educação. O Governo Serra não prioriza a educação e a saúde e sim as obras que dão visibilidade. Ainda assim, se o Serra mantivesse o percentual do período 2002-2005 o orçamento da Educação teria dobrado, permitindo pagar salários decentes aos professores.
Para fechar os números sobre Educação, apresento o gráfico com os percentuais da Educação em relação à Receita total:
2. Saúde
Evolução da Receita Total e do Orçamento da Saúde

Como vocês podem ver o orçamento da Saúde teve um crescimento real, no período 2005/2010, em valores absolutos, atualizados pelo IPCA. Já o percentual de aplicação na Saúde, em relação à Receita Total, cresceu até 2007, apresentando uma queda razoável no período de governo do Serra (2008/2010). Isso significa que a dotação orçamentária para a Saúde poderia ser bem maior do que foi, em função do crescimento acentuado da Receita Total.
Mais uma vez, é preciso lembrar que as dotações orçamentária aprovadas na ALESP podem não ter sido executadas. Se eu tiver fôlego e conseguir encontrar as informações adequadas poderei fazer esse trabalho. Se alguém puder me ajudar, melhor.
Augusto da Fonseca é autor do blog Festival de Besteiras na Imprensa
http://festivaldebesteirasnaimprensa.wordpress.com/

Depois de mais de um século em que a massa feminina mundial tenta chegar menos atrasada, em busca de lugares decentes sob o céu do planeta azul, ainda que se esteja cansada de tantos retrocessos, é preciso que não se perca o fôlego nessa maratona cuja reta de chegada terá sabor de conquista e de vitória. Por Cida Torneros
Mulheres, não percam o fôlego!
Mais um Dia Internacional das Mulheres, o 8 de março carrega, simbolicamente, em todas nós, do sexo dito frágil, a sensação de que a corrida do ouro está apenas começando.
Depois de mais de um século em que a massa feminina mundial tenta chegar menos atrasada, em busca de lugares decentes sob o céu do planeta azul, ainda que se esteja cansada de tantos retrocessos, é preciso que não se perca o fôlego, nessa maratona cuja reta de chegada terá sabor de conquista e de vitória.
Discursos vários de cunho feminista já se fizeram ouvir pelo século XX e pouco se conseguiu de concreto, em termos de evidências estatísticas.
Ainda percebemos menores salários quando desempenhamos as mesmas atividades que os homens.
Vícios culturais, religiosos e socioeconômicos ainda nos impelem a aceitar distorções que vão desde restrições a vestimentas até castrações físicas do clitóris em vários países, passando pela aceitação de jornada dupla de responsabilidade para aquelas que acumulam a função de chefes de suas famílias, quando os homens saem de casa, fenômeno crescente importante, detectado no último censo do Brasil.
Quando se observa os rostos das mulheres ao perderem seus filhos, maridos e companheiros nas guerras em curso no mundo, é possível identificar o horror permanente da miséria da condição humana que iguala todas num caldeirão de impotência quanto ao poder decisório para os conflitos entre os povos.
Está claro que esses embates atingem os homens tanto quanto afetam mulheres. Mas é justamente o advento das guerras que antes só convocavam grandes contingentes masculinos, que nos levou a engrossar, por necessidade, as alas industriais, e nos fizeram passar a ser importante mão de obra no mundo da revolução industrial.
Numa fábrica, companheiras nossas morreram queimadas num gesto autoritário, marcando o 8 de março, como um dia a ser relembrado em homenagem à condição feminina, não somente pela sua importância na escalada social, na conjuntura econômica dos povos, mas sobretudo, pela injustiça e pela atrocidade desfechada contra o gênero feminino naquele momento.
O Dia Internacional da Mulher serve para nos repensarmos todas. Importante se faz nos conscientizarmos de que é preciso sermos fortes, estarmos preparadas para continuar correndo em direção ao podium.
Se, em alguns momentos, no entanto, sentimos que nos falta o ar, aparentemente cansadas das lutas constantes que empreendemos para trabalhar e sobreviver com dignidade, para apoiarmos nossos companheiros, filhos e amigos, num mundo extremamente competitivo e muitas vezes tão desonesto, respiremos fundo, e retomemos o fôlego.
Companheiras, não deixem que as eventuais dificuldades da vida as façam perder o ritmo da corrida. Sigam em frente, certas de que há luz no horizonte feminino, se umas passarem para as outras o grande exemplo das suas superações. Mulheres síndicas, policiais, pilotos de aviação, garis, enfermeiras, professoras, somos muitas, somos as dançarinas que enfeitam as noites, como somos as cantadeiras que embalam os filhos, somos as artistas que criam as rendas e os bordados, tecendo fios de afeição e amizade.
Senhoras, meninas e modelos, desfilamos na passarela dos sonhos, em busca dos lugares de construção.
Precisamos, urgentemente, construir melhores dias para as novas gerações. Sabemos disso porque somos amigas, amantes e esposas, quase sempre nos dividindo em múltiplos papéis, aquecendo músculos que se desdobram em corridas permanentes, no nosso dia a dia.
Mulheres, não percam o fôlego! Ainda que as decepções pareçam maiores que nossos limites. Há muito mais a fazer. Estejamos atentas para esta corrida insana, observando o exercício constante do preparo físico e mental que a nova ordem mundial requer. Permaneçam antenadas, “plugadas”, não se deixem dominar pelas ideologias ultrapassadas e pelos discursos velhos e repetidos.
Cada uma de nós deve empreender seu próprio texto, pois a vida de uma é base sensível para a demarcação do território livre do universo feminino. Nesse, só pisa quem souber o sentido de uma corrida delicada com pés descalços que, feridos, se comprazem ao alcançar o degrau mais alto da história.
Mulheres, respirem fundo e sigam lutando lindamente, com sorrisos de paz e harmonia!
O dia é seu, como deve ser o mundo!
Aparecida Torneros é jornalista.
banner home: Portal Secretaria Nacional de Mulheres
O governo do Estado e a prefeitura de São Paulo resolveram - a toque de caixa – ampliar a Marginal do Tietê em mais três faixas de tráfego de cada lado do rio, mediante um custo de 1,3 bilhões de reais. Essas obras, que priorizam o transporte individual, irão eliminar cerca de meio milhão de m2 de área verde. Por Cid Barbosa Lima Junior.
A Engenharia Marginal
O governo do Estado e a prefeitura de São Paulo resolveram - a toque de caixa – ampliar a Marginal do Tietê em mais três faixas de tráfego de cada lado do rio, mediante um custo de 1,3 bilhões de reais.
Essas obras, que priorizam o transporte individual, irão eliminar cerca de meio milhão de m2 de área verde, com a sua impermeabilização asfáltica e levar a água rapidamente para o maior curso d’água que corta a capital paulista. Isto ajudará a comprometer parte do trabalho recentemente realizado pelo DAEE na calha do ex - Anhembi e aumentar as áreas de enchentes e os pontos de alagamentos na cidade.
A questão ambiental não é bem definida nas licenças ambientais (de instalação e prévia) que, também, foram autorizadas muito rapidamente pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio ambiente. A mesma secretaria que, em um passe de mágica fez sumir inúmeras árvores da Avenida Paulista, por ocasião da reforma de seu passeio.
Por outro lado não é fixado o DAP ( Diâmetro da árvore na Altura do Peito ) mínimo, necessário para a sobrevivência das árvores a serem plantadas e tão pouco o lugar desse plantio.
As audiências públicas segundo o DERSA e a Prefeitura foram realizadas, muito embora as entidades dos arquitetos e muitas organizações não-governamentais entendem que elas foram insuficientes para um debate mais aprofundado e chegaram a questionar a obra na justiça. Realizadas ou não as audiências como deveriam ser, ficam muitos questionamentos.
Os engenheiros e demais técnicos do DAEE foram ouvidos? E os das universidades?
O Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê foi respeitado?
Muitos técnicos entendem que essas obras a serem inauguradas, por completo, em outubro de 2010 visam única e exclusivamente as eleições.
De qualquer forma há tantas questões misteriosas entre o céu e a Terra que nossa vã filosofia desconhece.
Por que os últimos governos não investiram no transporte rápido de massa, como por exemplo, o Metrô? O governo que antecedeu o atual conseguiu a proeza de executar 800 metros de metrô por ano, em média.
O metrô da cidade do México, iniciado no mesmo ano do da cidade de São Paulo (1968), possui uma extensão 10 vezes maior que o de São Paulo. E lá a construção é muito mais complexa, pois ocorrem terremotos.
Por que priorizar o veículo individual em detrimento do coletivo?
Por que não investir menos e com bons resultados no acerto geométrico das alças das pontes existentes sobre o Tietê e Pinheiros?
Estas são pontos de lentidão que, corrigidos, melhorariam consideravelmente o trânsito nas duas marginais. A criação de interconexões na Ponte Júlio de Mesquita Neto é outra intervenção necessária e que abreviaria o número de viagens.
Com a inauguração do trecho Sul do Rodoanel e a retirada de veículos de grande porte do mini-anel, teremos uma melhoria no trânsito de São Paulo, deixando esse grande investimento nas marginais, com baixíssimo Benefício X Custo. Isto se o pedágio a ser implantado no rodoanel e o estudado para a marginal do Tietê não estragarem tudo.
Afinal, como diz o Paulo Henrique Amorim, o Zé Pedágio adora um pedagiozinho. Já o engenheiro Renato M. Zuccolo em seu livro Algo do Tietê Hoje. Leito, várzea e Afluentuba afirma que:
“ Três dentre muitos aspectos são essenciais para controlar as bacias:
1. A porcentagem de área impermeabilizada;
2. A velocidade das águas nos canais ;
3. A reservação das águas.”
A engenharia marginal vem deixando os saudosos mestres da grande engenharia, como o engenheiro Saturnino de Brito, remoerem-se em suas tumbas.
Cid Barbosa Lima Junior é engenheiro.
Foto home: Mrzero/Wikipedia
A circulação verdadeiramente frenética da nossa cultura depende de instrumentos que a sociedade já criou e que a revolução da comunicação está contribuindo para a ampliação. O governo forte de Lula que assusta as classes dominantes fortaleceu as bases materiais/simbólicas, possibilitando essa erupção. Por Carlos Henrique Machado
Um novo Estado nacional da economia cultural
Uma das principais deficiências do pensamento universal é não desconfiar de suas considerações superiores. Na contraposição ao universo da cultura nacional fica evidente a rasteira de província que a má consciência de espírito público lhe confere.
Se os espíritos universalistas estão dispostos a uma contundente abertura de fronteiras, por que se debatem num corporativismo bairrista? Ora, desaparecem as movimentações interplanetárias quando a condição territorial na cultura brasileira é colocada na mesa? O ritmo de expansão atravessa o samba quando o assunto é a democracia geográfica e social em nosso próprio território cultural? As possibilidades de ações conjuntas não acreditam na integração nacional pela cultura?
O fato é que a produção e regulação que aqui chegaram pelas normas da economia neoliberal de cultura atendem ao universo especulativo… E nele suas campanas contra a arte brasileira são sustentadas, uma engrenagem venenosa de perspicácia pessimista que, depois de sangrar politicamente o governo, emplaca suas pressões mesquinhas numa secreta teia de exploração e interdependência técnica-financeira na dinâmica cultural brasileira.
A fonte central desse pensamento de reduzida extensão é, na origem, uma ordem da nova seletividade social e, portanto, só permite a globalização cultural do consumo. Como nosso território não é global na cultura do consumo, sobretudo na base social, as áreas pobres que não são poucas exigem que a legitimidade neoliberal construa uma lógica artificial e permanente para justificar essa disfunção “universal de cultura”. Sem base no rodapé, sem colheitas e sem se impregnar um pouco que seja de preocupação social, não enriquecerá a nova dimensão exigida de um país moderno e potente que está florescendo.
Num ato claro de autonegação extraída da mentalidade irresponsável do capital de especulação global, o mesmo que produziu a mais recente crise financeira mundial com a política de independência dos bancos centrais, o sistema brasileiro de cultura via Lei Rouanet decalca o mecanismo técnico/político com golpes conceituais para reproduzir a mesma lógica de miséria que o bancarismo imprimiu ao mundo com a globalização financeira.
A distribuição concentrada principalmente nas áreas mais ricas da Capital do estado economicamente mais rico, São Paulo, mostra que a Lei Rouanet tem uma ótica localizada para ser atendida pelo serviço dos agentes culturais da economia neoliberal e oferece seus préstimos ao perverso conceito de “arena ideal de áreas guardiãs de consumo cultural”, uma precária prótese do mercado do entretenimento.
A produção da informação, e o monitoramento do satélite cultural estão em suas mãos e, a partir desses terminais de serviço, uma potente instrumentalização capitalista se transforma em semente básica do desenvolvimento econômico da cultura neoliberal, formando assim os novos ricos e os novos pobres da cultura brasileira.
A reorganização produtiva nacional da economia cultural não tem como se servir desta articulada e pragmática densidade corporativa que os departamentos de marketing dos grandes grupos econômicos criaram.
A circulação dos recursos públicos, no caso da cultura, nasce com destinação já desenvolvida pelo ponto central do sistema, uma fundada especialização de manipulação da captação e direcionamento da verba para a chamada “economia criativa”, ou seja, sistema de engenharia social hegemônica.
A aglomeração de recursos em determinado ponto das grandes capitais como Rio e São Paulo é a clara observação de que canais foram delicadamente construídos para centrifugar os recursos que deveriam chegar a todas as regiões do Brasil.
Essa geociência é explícita quando se trata da criação e manutenção dos Institutos e Fundações que nascem e crescem nos grandes centros econômicos dentro da chocadeira do próprio conglomerado, vide Itaú Cultural.
Este tipo “cultural” de concentração dos recursos públicos é manifestação complementar de um projeto maior que o capital especulativo tem como gatilho em certa infraestrutura de ampliação dos degraus da hierarquia política, tanto é que tempos atrás o Itaú cultural, indecorosamente, propôs fazer uma auditoria na Funarte, um órgão federal.
Um governo forte fortalece o Estado, a Cultura e a Sociedade. Fortalece a Nação.
“A fase de eclosão do capitalismo moderno é, na verdade, uma fase de transição neocolonial”, esta denominação de Florestan Fernandes está dentro do que ele classifica como período da revolução burguesa que promovia um capitalismo dependente no Brasil. Somente um governo forte como o de Lula pode fortalecer as instituições culturais, oficiais e espontâneas do Brasil.
Isso ficou evidente neste último carnaval, que, quando chanceladas pelo Ministério da Cultura do Brasil, através de políticas diretas de valorização as manifestações espontâneas do povo brasileiro ocupam a dinâmica sócio-econômica da cultura, de maneira inédita, todos os espaços públicos a céu aberto, deixando clara à retomada da integração cultural brasileira, um alargamento em escala nacional de novas possibilidades com múltiplas combinações econômicas que saltam aos olhos e devem servir de estímulo às novas reflexões, sobre economia auto-sustentável de cultura, pois estas estão na contramão da informação que oferecem os agentes neoliberais da cultura.
A cultura, dentro de um governo forte tem que se fortalecer politicamente. E a grande costura política que ampliou os espaços do Ministério da Cultura no território do poder, sobretudo construindo uma parceria inédita com a Casa Civil de Dilma Rousseff, deve-se à sensibilidade e habilidade da atual equipe do Ministério da Cultura, liderada pelo espírito de luta de Juca Ferreira e Manevy.
A constituição da cultura brasileira tem em sua natureza uma soberana e autodidata grade de presença na vida nacional e não está disposta a ser bucha de canhão de um sistema de sublocação de aportes públicos a partir da verticalização exigida pela Lei Rouanet.
E se, em território brasileiro, a abrangência global do sistema Rouanet é nenhuma, porque é alheio às realidades culturais brasileiras, o uso empregado de informação e conhecimento sobre um plano universal, não sai do limite métrico do misticismo científico.
O consumo produtivo em cultura não está associado a lucro, a patês, a produtores e nem a possuidores. Entender a informação a partir da natureza dos negócios da cultura impostos pelo perverso sistema, é enraizar a cultura dos “royalties” das conversões entre sistemas monetários.
A ilusão da universalização não negligencia nas fronteiras sociais e geográficas, não aceita a desregulação das políticas instauradas pelas classes opulentas e, consequentemente não aceita novas regras que lhe traga perdas de privilégios.
A circulação verdadeiramente frenética da nossa cultura depende de instrumentos que a sociedade já criou e que a revolução da comunicação está contribuindo para a ampliação. O governo forte de Lula que assusta as classes dominantes fortaleceu as bases materiais/simbólicas, possibilitando essa erupção, aí sim, sem fronteiras, universal, a partir das matrizes culturais brasileiras.
Carlos Henrique Machado é bandolinista, compositor e pesquisador.
Defendo a tese de que o “Bolsa Família” se constitui na maior porta de entrada já feita no Brasil. A entrada dos pobres, dos renegados pela sociedade aos mínimos dos mínimos direitos de cidadania. Por Washington Quaquá.
BOLSA FAMÍLIA: HÁ PORTAS DE SAÍDA?
Muito me intriga uma discussão acerca da validade do programa Bolsa Família, onde se estabeleceu uma tese quase que universalmente aceita, seja pelos seus críticos seja pelos seus defensores, de que deve haver uma porta de saída para os beneficiários do programa.
Não acho o termo “porta de saída” adequado, porque ele remete à ideia de que o programa tenha um caráter negativo. Muito pelo contrário, defendo a tese de que o “Bolsa Família” se constitui na maior porta de entrada já feita no Brasil. A porta de entrada dos pobres, dos renegados pela sociedade aos mínimos dos mínimos direitos de cidadania. Neste caso, trata-se não de buscar portas de saída, mas de abrir outras portas de entrada.
Estamos começando a desenvolver um projeto que julgo revolucionário no município de Maricá, nossa bela cidade de 123 mil habitantes, no litoral leste do Rio de Janeiro, a 40 minutos e 50 km da capital. Trata-se do projeto PORTAS (Portal do Trabalho Associativo e Solidário). Temos cerca de 7.000 famílias beneficiárias do Bolsa Família e nelas, pedreiros, babás, carpinteiros, eletricistas, cozinheiros, motoristas, pintores, domésticas, e muita gente sem profissão específica ou há muito tempo fora do mercado formal de trabalho.
Estamos realizando, agora em 2010, um projeto piloto com 100 famílias, que será estendido para todas as 7.000 em 2011. O projeto consiste em organizar em cooperativas as famílias a partir das habilidades específicas: cooperativas de trabalhadores da Construção Civil; cooperativas de pescadores; cooperativas de artesãos; cooperativas de apicultores; cooperativa de produção de sorvetes e picolés; cooperativa de produção de artefatos de cimento; etc.
Estamos começando a discutir com essas 100 famílias estes projetos de trabalho solidário e cooperativo. Para isso teremos como parceiros o Sebrae, as encubadoras de cooperativas das universidades federais, a Secretaria de Economia Solidária do Ministério do Trabalho, enfim, uma extensa rede de parceiros. Cada uma das 100 famílias - após treinamento e intensa organização - ganhará um computador PC com acesso à internet e através deles, além de exercer seu direito cidadão à livre comunicação, poderão vender seus serviços na rede mundial de computadores e através de um portal de venda de serviços na internet: o PORTAS.
Maricá possui a segunda maior taxa de crescimento demográfico do Estado do RJ, caminhando para a primeira. Grandes empreendimentos imobiliários como o Alphaville e de empresas como a Brasilian Brooks estão vindo para o município. Somos o maior município produtor dos poço de petróleo do Pré-Sal e dentro de um ano, vamos mudar o perfil da cidade com os royalties que virão. Essas famílias vão oferecer seus produtos e serviços (com certificação e recomendação do poder público local) para moradores, veranistas e turistas, além de vender serviços para os grandes empreendimentos imobiliários, turísticos e industriais que estão vindo para o município e a região. Estarão assim organizados em uma atividade produtiva e cooperativa, dando um passo em direção à superação da situação precária de vida em que se encontram.
Não podemos permitir que o povo pobre, destituído de direitos, cujo Bolsa Família abriu a primeira porta para a cidadania, seja excluído “dos projetos do futuro”, como dizia Zé Ramalho no seu admirável "Gado Novo". Os municípios do Brasil podem muito, em parceira com os governos estaduais e federal, abrir mais PORTAS para que nosso povo consolide direitos e seja ator de fato da sociedade e da vida, não ficando apenas do lado “de fora estacionando os carros”, como denunciou Cazuza.
Washington Quaquá é prefeito de Maricá/RJ.
(foto: portal Bolsa Família/Governo Federal)
O que é meio ambiente? Nessa nossa limitada e egoísta forma de pensar, esquecemos que o planeta é um sistema orgânico que interage em todos os continentes e com todas as suas formas vivas e sempre retribui o que recebe. Por Daufen Bach.
Não há efeito sem causa
A ignorância maior do ser humano é promover a destruição sabendo que em algum período do tempo, também irá se destruir junto.
Quando comecei escrever essa crônica tinha em mente falar sobre preservação ambiental. Por morar numa região privilegiada, considerada o Portal da Amazônia e ver de perto os dois extremos: a natureza na forma mais primitiva e a destruição na forma mais degradante, eu pretendia falar sobre essa realidade mas, em face do que tem ocorrido ultimamente no Brasil e no mundo, com relação ao clima e as tragédias ambientais, acho por bem falar sobre a ignorância, a inépcia do ser humano em cuidar, em preservar aquilo que garantirá o futuro das novas gerações.
O Brasil ultimamente está assolado por desastres ambientais, inúmeras pessoas estão morrendo de norte a sul do país. Lugares onde as pessoas morriam de sede, hoje morrem afogados, paraísos ambientais se transformam em amontoados de entulhos, tornados, furacões, terremotos, coisas que jamais imaginamos que pudessem acontecer nesse país tão abundantemente servido de riquezas naturais... hoje acontecem. A América do Sul, inteira, sofre as consequências, do clima. A América Central vive uma das maiores tragédias da humanidade, não se tem nem como contar quanto mortos ainda estão sob os escombros no Haiti. Na América do Norte a neve tomou conta e as pessoas estão morrendo de frio dentro de suas casas. Na Europa não é diferente, ora é o gelo, ora é o fogo a devastar cidades inteiras na Espanha e Grécia, por exemplo. Na África morre-se de fome, países inteiros vitimados pela fome. Na Índia há lugares que não existe mais água potável. A Ásia e Oceania sofrem com tsunamis e vulcões. Nos pólos as geleiras milenares estão derretendo, espécies animais e vegetais estão se extinguindo e, para complicar, cada dia um novo vírus mortal vem surgindo e as doenças se tonando mais imunes...
As vítimas estão em todos os lugares, sem distinção de idade, credo, raça ou posição social. Alguns de nossos heróis morrem juntos e sentimos uma saudade tão dolorida, tão grande que não sabemos o que fazer. Embora digam os mais otimistas que nada ou ninguém é insubstituível, nós sabemos que alguns não são.
Vendo uma matéria sobre a Tailândia pós tsunami me comovi com aquele povo, com o cenário de devastação, com o sorriso ainda tímido das crianças, com o pescador que todos os dias vai a praia recolher lixo que o mar, ainda, devolve, com o sentimento de saudade que possuem e principalmente com as medidas simples que aquele povo adotou para prever uma próxima tragédia e se defender dela. Será que um povo apenas, num ponto isolado, é capaz de sobreviver a fúria da natureza?
Muitos já esqueceram e, esqueceram principalmente que atitudes maléficas e inconsequentes cometidas no restante do planeta também influem diretamente lá. O que dizer sobre a Dra. ZILDA ARNS, heroína e vitima de uma catástrofe ambiental? Que conhecedor da Pastoral da Criança e de todo o trabalho desenvolvido na América latina, não se comoveu e não se sentiu meio órfão com a sua morte.? Poderiam me perguntar o que tem a ver Dra. Zilda Arns e meio ambiente? Ela lutava pelas causas sociais, não era ativista ambiental, é apenas mais uma vítima. Mas retribuo a mesma pergunta, indagando: o que é meio ambiente? Nessa nossa limitada e egoísta forma de pensar, esquecemos que o planeta é um sistema orgânico que interage em todos os continentes e com todas as suas formas vivas e sempre retribui o que recebe...
Alguém poderia dizer que é o processo de seleção natural, que assim caminha a humanidade, mas a humanidade não caminha, humanidade é um sentimento que todos devemos carregar como crença maior, como virtude maior de cada ser humano. Nós, sim, caminhamos e caminhamos para a desumanidade, para algo tão superficial e tão mecânico que, se continuar e se existir futuras gerações, nossos tataranetos viverão para o isolamento e para a recriação em laboratórios daquilo que pra nós é tão natural hoje como, por as mãos em concha e beber água na bica ou, ainda, andar na floresta e colher uma muda de orquídea ou samambaia e plantar no terreiro de casa.
O planeta inteiro arfa, respira e pede ajuda. O que nós fazemos? O que resultou mesmo de Copenhague? Em nome do progresso, do desenvolvimento tecnológico, muitos países se abstiveram das discussões, ignoraram, não aceitaram tratados. Mas progresso e desenvolvimento pra morar onde, em Marte, na Lua? E se fosse possível, quem iria morar lá, as crianças africanas, o povo do Haiti, o subúrbio de São Paulo, os morros cariocas, os sobreviventes das Tsunamis, tornados e etc.?
A chanceler alemã, Angela Merkel disse que "Copenhague é um primeiro passo na direção de uma nova ordem climática mundial, nada mais, nada menos". É louvável sim, pena que os passos sejam tão curtos... Acredito que as medidas para frear isso e promover essa “nova ordem climática mundial” depende muito mais do povo que esses dirigentes se consideram líderes e, principalmente da sensibilização de cada um que coabita com as demais seres vivos que constroem esse planeta.
Daufen Bach é poeta e morador de Novo Mundo (MT) na Bacia Amazônica.
Em 1979, quando a Lei de Anistia foi sancionada, havia 53 presos políticos em presídios de todo o país. A quase total maioria estava em greve de fome já por 33 dias. Preferiam morrer à míngua do que continuar vítimas de tanto sofrimento. Por Hildegard Angel
Em sociedade tudo se sabe, até os bastidores da Lei de Anistia...
Queiram ou não, o Brasil cumprirá seu destino de ser uma Nação na melhor acepção do termo. Se não for por decreto de Lula, por lei do Congresso, poderá ser através do Supremo Tribunal Federal, no qual o Conselho Federal da OAB ajuizou ação, no ano passado, assinada por Cesar Brito e Fabio Konder Comparato. A ação da OAB, que tem o ministro Eros Grau como relator, propõe que o STF dê uma interpretação da Lei de Anistia de que não há anistia para torturadores.
Verdade é que o Supremo está dividido nessa matéria. Mas será bem melhor que a solução venha por ele e não pelo Congresso, o que abriria espaço para as viúvas da ditadura e outros protagonistas do negro passado ocuparem a tribuna e a imprensa para dar interpretações que favoreçam as próprias biografias e não o rumo histórico deste país.
A tortura é um crime de lesa humanidade que não prescreve. Para nosso vexame, corre até um processo contra o Brasil na Corte Interamericana de Direitos Humanos, para que não haja prescrição para quem trucidou na guerrilha do Araguaia.
A Comissão de Verdade e Justiça defendida pelo ministro Paulo Vannuchi é um processo de redenção definitiva. Ela honra as famílias vitimadas, preserva a honra nacional, é digna e importante. Na África do Sul houve Comissão da Verdade com o bispo Desmond Tutu. Na Argentina ela foi presidida pelo escritor Ernesto Sábato. O Brasil não fez isso antes, errou em não fazê-lo. Nossa Constituinte que passou a limpo tanta coisa, não o fez.
Embora muitos queiram colocar um véu escuro sobre ela, a tortura no Brasil foi uma coisa terrível. Em 1979, quando a Lei de Anistia foi sancionada, havia 53 presos políticos em presídios de todo o país. A quase total maioria estava em greve de fome já por 33 dias. Preferiam morrer à míngua do que continuar vítimas de tanto sofrimento. Conjuntamente, eles redigiram uma carta listando 251 militares e carcereiros envolvidos em torturas, “dos quais 80 nos torturaram diretamente”.
Eles também denunciavam em sua carta: "Há 27 centros de torturas espalhados pelo país". Vinte e sete centros de torturas! Sem falar nos off-Broadway da tortura, como a famosa casa de Petrópolis etc. Que vergonha, que vergonha para todos nós, meu Deus! E agora vemos políticos e jornalistas — avestruzes — insistindo em enfiar a cabeça na areia, ignorando o fato histórico, virando as costas para os compatriotas nossos que sofreram tamanhas maldades.
Se vocês tiverem paciência para escutar, vou contar os bastidores que engendraram essa Lei de Anistia, que veio num processo de desarticulação do bipartidarismo brasileiro. Não estou falando novidade. O historiador brasileiro José Honório Rodrigues, imortal da Academia Portuguesa de História, colocou isso em inúmeros textos. Em 1965, o golpe editou o AI-2, extinguindo todos os partidos políticos. A decisão foi tão radical que o nome "partido" era considerado subversivo e não podia ser usado. Aí surgiram Arena que não era partido, era "aliança"; e MDB que não era partido, era "movimento". O governo militar achava que, com o bipartidarismo, iria se eternizar no poder.
Mas as eleições de Marcos Freire e de tantos outros democratas em 1974, quando houve a grande derrota do governo e a Arena sofreu uma lavada geral, fizeram os militares verem que o bipartidarismo era um desserviço a eles. E o que decidiram os pensadores do governo, SNI, Golbery e outros? "Vamos acabar com o bipartidarismo e abrir geral para desarticular a sociedade civil brasileira". Achavam que também com a anistia, Ulysses, Prestes e Brizola nunca estariam juntos, que cada um criaria um partido, seria uma geleia geral e os conservadores continuariam a mandar no país. Então veio o pluripartidarismo e foi aquela onda de "marronzinhos" e "enéas" aparecendo no horário gratuito, distribuídos em mais de 50 siglas. Com isso, os estrategistas de plantão conseguiram dar uma sobrevida ao regime.
A própria agenda da Abertura girava em torno de receios da volta dos anistiados. Havia rumores de manobras de Ulysses Guimarães para que, quando voltassem os anistiados, eles se unissem e controlassem a ação política brasileira. Com o pluripartidarismo, a ideia era fracionar o MDB. Assim foi pensada a Lei de Anistia, pelos donos do reacionarismo: "acabando o bipartidarismo, eles vão ralar, se fragmentar e a sociedade brasileira vai ficar perdida por alguns anos". Dessa forma, eles poderiam sair a salvo com tudo isso, e o regime militar não teria derrota. E deu certo para eles. Vieram Brizola com o PDT, Lula com o PT, Ulysses e Waldir Pires com o PMDB, e o PDS (de cujo racha saiu o PFL) como sucessor da Arena. O que não foi a eleição do Collor se não um êxito provado desse projeto dos militares? A eleição de Lula é que foi a ruptura histórica.
Como testemunha desses fatos, cito o próprio ministro deles, Jarbas Passarinho que considerou: a inteligência estava em saber claramente ser muito pouco provável que Prestes e Brizola se unissem. Disse também que a partir do momento em que os "rios" estivessem independentes, a Arena estaria maior. Assim foi urdida uma anistia consentida, controlada, diferente das verdadeiras com as da África do Sul, Chile, Argentina. Nossa anistia foi um processo de conciliação das elites. Para explicá-la nada melhor do que o pensamento de Lampedusa: "É preciso que tudo mude para que tudo continue como está".
O processo da Lei de Anistia tinha nove volumes, era um calhamaço daqueles, e foi discutido à exaustão no Congresso Nacional. E a questão dos torturadores não ficou à margem. Os debates no Congresso registraram vários discursos, dos deputados Airton Soares, Walter Silva e outros que colocaram claramente e com firmeza, que não deveria ser dada à lei uma interpretação que absolvesse os torturadores.
Como o Congresso era dominado pelo regime militar fez-se uma redação ampla, genérica da Lei de Anistia. Foi uma esperteza deles para, nas entrelinhas, conseguir perdoar quem cometeu torturas bárbaras. Com isso, eles ficariam bem na fita, na visão da História, jogando o assunto debaixo do tapete.
Este foi o processo histórico da anistia. Agora, o Brasil já se redemocratizou. E, ao contrário daqueles que dizem que “a Nação está pacificada e isso (discutir a anistia) vai criar problemas”, o problema existe sim, latente na nossa história. As famílias dos torturados e assassinados estão vivas. E a sociedade brasileira crítica também está viva. Deixo aqui, para nossa reflexão, o ensinamento de Hélio Pellegrino, das páginas de seu livro A burrice do demônio: "Olhar nos olhos da tragédia é dominá-la". Não podemos deixar de olhar nos olhos da tragédia brasileira para virar de uma vez por todas essa página infeliz da vida do nosso país.
Hildegard Angel é jornalista.
(artigo publicado originalmente no Jornal do Brasil em 15.01.10)
Em relação ao processo de escolha do jato, qualquer que seja o escolhido dos três concorrentes sempre haverá críticas. Afinal, estamos em pleno ano eleitoral e agora vale-tudo. É guerra. A ordem é bombardear o presidente para que ele não eleja a sua candidata. Por João Batista Barbosa.
Especialistas em fomentar crises
É incrível como surgem especialistas para tudo que acontece no Brasil. Basta que ocorra um evento de certa magnitude para surgir milhares deles dando seus palpites, prognósticos, diagnósticos e toda a sorte de conclusões. Isso tem acorrido com freqüência nos últimos anos, quando aconteceram os acidentes aéreos, os problemas nos aeroportos, o caso da gripe suína (H1N1) e há pouco tempo o apagão.
Os especialistas de plantão estão em toda a parte, inclusive nas redações de jornais, nas rádios e TVs. Há uma jornalista da Rede Globo e Folha de São Paulo que não perde uma oportunidade sequer para dar seus palpites, principalmente sendo assunto que possa ter a oportunidade de criticar e atacar o governo Lula. Essa palpiteira “entende-de-tudo”, da forma como abordou um surto de febre amarela, espalhou pânico que levou milhares de pessoas a se vacinarem sem necessidade e acabou por causar mortes por reação adversa à vacina.
Agora mais recentemente estamos assistindo toda a celeuma em torno da concorrência dos jatos (Programa FX-2). De repente, todo mundo vira especialista em aeronáutica e começa a dar seus palpites, ainda mais quando se trata de palpiteiros que detestam o presidente Lula. Esses, ávidos de ódio e de rancor, torcem para que tudo dê errado no país só para prejudicar o governo Lula.
Ainda em relação ao processo de escolha do jato, qualquer que seja o escolhido dos três concorrentes sempre haverá críticas, pois há um enorme esforço da oposição, aliada a empresários e setores da mídia, para atacar as decisões e ações do governo Lula. Afinal, estamos em pleno ano eleitoral e agora vale-tudo. É guerra. A ordem é bombardear o presidente para que ele não eleja a sua candidata.
Dentre as tantas tentativas para se criar crises e desgastar o governo Lula, as forças reacionárias desse país agora estão forçando a barra para se criar uma crise com os militares. Se de fato houve vazamentos à imprensa do Relatório da FAB sobre a concorrência, com toda a certeza foi um ato deliberado para prejudicar o presidente, pois é notório e sabido que uma parcela dos militares detesta o presidente Lula e o PT. Muitos ainda se ressentem com a perda de seus privilégios e regalias. Afinal, quem não gosta de ter bons colégios, faculdades para os filhos, ter moradias, vestuário, plano de saúde, despesas diversas tudo pago pelo Governo? (aliás, por nós que pagamos impostos?). Além de bons soldos, quem ainda não gostaria de uma gorda pensão vitalícia para amparar a família? Tudo isso era exclusividade deles quando governaram o país.
É perfeitamente compreensível essa reação, pois há um ódio incontrolável da elite burguesa que jamais se conformará em ver pessoas pobres e humildes terem boas condições de vida e acesso às mesmas coisas prazerosas que até em então eram privilégios dos bacanas “bon vivant”. As políticas sociais do governo Lula romperam com esse paradigma elitista de classe burguesa e o povo humilde evoluiu na escala social.
O presidente da República tem toda a legitimidade constitucional para decidir qual será o vencedor, pois será uma decisão estrategicamente política que vai consolidar a nossa soberania; fortalecer a nossa economia e avançar no campo de desenvolvimento de tecnologia de ponta, gostem ou não as viúvas da ditadura e a elite burguesa despeitada.
Enfim, nesta eleição, o povo precisa tomar muito cuidado ao votar, pois se depender de um certo candidato o país voltará a ser subserviente aos Estados Unidos como foi no governo anterior. Não podemos nunca mais admitir que um diplomata nosso tenha que ficar descalço para entrar naquele país.
João Batista Barbosa é engenheiro e mora em São José dos Campos.
(foto: Elza Fiuza/ABr)
"Ao realizarmos o PED, mantivemos a nossa tradição democrática que nos faz únicos na seara de partidos brasileiros. Nas diversas regiões do país, o PT foi construído, guardando similitudes, mas conquistando autonomias para tratar de realidades culturais completamente distintas." Por Virna Teixeira.
A reviravolta de Macunaíma no petismo maranhense

Ao ser fundado em 1980, o PT se pretendia uma vanguarda política, pois rechaçava os dogmas autoritários da esquerda tradicional, assim como aglutinava em torno de si diversos atores sociais, embora o protagonismo do processo pertencesse aos trabalhadores e trabalhadoras. Emergindo também como um instrumento de oposição da classe trabalhadora à Ditadura, o Manifesto do PT, lançado no Colégio Sion em São Paulo afirmava que “No plano político, lutamos por um socialismo que deverá não só conservar as liberdades democráticas duramente conquistadas na sociedade capitalista, mas ampliá-las. Liberdades válidas para todos os cidadãos e cujo único limite seja a própria institucionalidade democrática.”
Passados dez anos da fundação do PT, com a queda do Muro de Berlim e a decadência do chamado socialismo real, o partido manteve sua convicção socialista e como resposta aos gritos de vitória e alarde do sistema capitalista, o 7 º Encontro Nacional aprovou em resolução a elaboração teórica do nosso Socialismo Petista, que continuava a reproduzir o conteúdo radicalmente democrático da nossa organização partidária:
A vocação democrática do PT, no entanto, vai além das bandeiras políticas que defendeu e defende. Também a sua organização interna expressa nosso compromisso libertário. Ela reflete o empenho, sempre renovado, de direções de bases militantes para fazer do próprio PT uma sociedade livre e participativa, premissa daquela outra, maior, que pretendemos instaurar no país.
Ao realizarmos o Processo de Eleição Direta do PT, mantivemos a nossa tradição democrática e que nos faz únicos na seara de partidos brasileiros, pouco diferenciados pela sociedade. E assim, nas diversas regiões do país, o PT foi construído, guardando similitudes, mas conquistando autonomias para tratar de realidades culturais completamente distintas, com liberdade de escolha política.
No entanto, evocando o caráter mítico de Macunaíma, obra escrita por Mário de Andrade, assim como o Brasil do início do século XX viveu uma instigante crise de identidade, a cultura política do PT do Maranhão ao longo de quase trinta anos de sua existência permanece nesse dilema. O nosso herói sem nenhum caráter simboliza a dificuldade que o povo brasileiro enfrentava de ter que sair de uma condição de país colonizado, rural para inserir-se na modernidade industrial que se instaurava em todo o mundo. Macunaíma, desprovido de maturidade e com traços de personalidade nitidamente infantis, como seu egoísmo e sua falta de valores morais, resistiu ao crescimento intelectual e fez uma escolha: preferiu confinar-se na mata de origem, com suas lendas e superstições.
As pontes que esta obra estabelece com a história do PT do Maranhão são inúmeras e de curta distância. Resultado de uma escolha política, na luta do bem contra o mal, tal como vemos nos contos infantis europeus, o deputado Dutra encarnou a figura do super-herói do petismo maranhense, responsável por destruir o grande burguês que ameaçava destruir seu reino encantado de florestas. Muitos o seguiram e o PT do Maranhão passou a ser conhecido pela originalidade da denominação desse grupo, ou melhor, dessa legião, chamada de PT de Aço. Se por um lado a tenacidade do aço pode significar resistência, sua falta de maleabilidade alude à inflexibilidade, ao autoritarismo, à ausência de democracia, algo que definitivamente não tem nada a ver com a vocação histórica do PT.
Apostando no personalismo, Dutra teve admiradores e adversários no PT. Porém, todos, mesmo seus mais ferrenhos opositores internos, dançaram conforme a música macunaímica e os projetos políticos para o PT maranhense ficaram ofuscados, inclusive os debates de concepção das tendências do partido. Até o último PED, a militância petista do Maranhão mal distinguia a Articulação de Esquerda, da Democracia Socialista, da CNB. Mas os nomes eram sempre lembrados, principalmente pelos seus nomes e mandatos. Nesse cenário bipolar dos últimos anos do PT, apenas duas lideranças apareciam e aos olhos da militância e da sociedade o partido se resumia ao duelo de titãs travado entre Dutra e Washington. Bira ensaiou uma terceira via, alicerçado pelos seus quinhentos mil votos para senador, entretanto faltou-lhe o discurso de um projeto, de uma concepção, que também sucumbiu à sua escolha por um marketing pessoal, de filho de quebradeira de coco, etc, etc, etc. Caiu, enfim, na mesma armadilha dos anteriores.
O resultado das eleições internas do PT maranhense em 2009 deu mostras de que a militância petista precisa respirar novos ares. Em um primeiro momento, o simples fato de Washington e Dutra não terem sido os principais candidatos à presidência do PT revela que o partido consegue sobreviver muito bem sem suas imagens eternamente iluminadas pelos refletores. Apesar de os dois candidatos que chegaram ao segundo turno na disputa, Monteiro e Augusto Lobato, terem recebido o apoio de Washington e Dutra, respectivamente, prevaleceu junto à militância o debate entre duas estratégias para o PT do Maranhão. Finalmente, ficou claro para a militância e para a sociedade que estão em disputa uma concepção de PT mais alinhada ao projeto nacional do PT, representada hoje pelo presidente eleito Monteiro, e uma outra que pretende isolar o Maranhão das grandes políticas nacionais, confinando o PT ao vale encantado de lendas e superstições de Macunaíma.
Pela primeira vez na história do PT do Maranhão, Dutra e Washington se tornaram personagens secundários nesse processo e o protagonismo coube aos discursos, às propostas, à emergência de várias lideranças eleitas para os Diretórios Municipais e Estadual. O quadro de correlação política entre as forças também foi alterado e todos os dirigentes, delegados serão fundamentais na discussão dos rumos para 2010 e nos anos vindouros, reafirmando a importância da nossa democracia e a capacidade que temos todos os militantes do PT de imprimir uma nova política ao estado do Maranhão, sem medo dos avanços e da vontade de crescer.
Virna Teixeira é militante da JPT/CNB - MA.
(Foto: Marcus Guimaraes/ Wikipedia)
"Em poucos minutos a cavalaria do Batalhão de Choque se posicionou e se armou contra a manifestação em um ato de violência e desrespeito, inclusive à Constituição, cerceando o direito de manifestação da sociedade". Por Fernando NetoDF: o problema é mais grave
O problema no Distrito Federal é muito mais grave do que se imagina, não pelos últimos três anos de Governo Arruda ou pelos últimos meses de escândalos nacionais, mas por tudo o que já se viveu e o que faltou viver na cidade. A reação dos policiais militares no ato de combate à corrupção é só reflexo das ações políticas de vários governos e este é só mais um, confirmado inclusive na semana passada, quando o governador Arruda enviou nota ao Secretário de Segurança Pública, reafirmando a reação da PM de Brasília na manifestação que transformou o Eixo Monumental em uma via de Guerra Civil como acertada pela polícia.
A situação no DF é endêmica, caracterizada pela falta clara de projeto para a cidade, sem contar a ausência de políticas públicas que afetam a região. O desvio proposital de assunto é unicamente por entender que esse não é o momento de bater e combater somente a corrupção, mas fazer uma reflexão geral sobre nossa visão de Estado e a forma como enxergamos nosso país, nossa cidade, nossa geração nas próximas décadas. É claro que empolga ver a adesão dos movimentos em manifestações e ações políticas combatendo o governo Arruda, símbolo de um governo do DEM, maquiado de uma boa gestão, com obras e ações populistas, mas sem qualquer efetividade e propósito. Só que ainda é pouco, a mobilização precisa ser mais profunda.
A polícia militar do DF reagiu à manifestação dos estudantes, sindicalistas, partidos e movimentos sociais de quarta-feira, dia 09 de dezembro de 2009, da mesma forma que o governo do Estado vem agindo no dia a dia, com truculência e desrespeito, quebrando acordo e usando de sua força e autoridade para confrontar quem discorda dele. Farei um resumo do que aconteceu durante a manifestação na Praça do Buriti, sede do Governo do Distrito Federal que está desativada para reforma desde o início do atual governo.
Os estudantes e alguns simpatizantes do movimento fecharam um dos lados do Eixo Monumental paralisando o trânsito como forma de protesto. Em poucos minutos, a cavalaria do Batalhão de Choque se posicionou e se armou contra a manifestação em um ato de violência e desrespeito, inclusive à Constituição, cerceando o direito de manifestação da sociedade. Após perceber que o clima estava tenso, os estudantes e simpatizantes tomaram a decisão de descer até a Rodoviária do Plano Piloto para se manifestarem. Depois de uma conversa difícil com o Cel. Silva da PM chegamos ao acordo de que usaríamos o gramado para chegar até o alvo da manifestação já que o argumento usado para o avanço da cavalaria era a ocupação das faixas. No meio da descida (e antes mesmo de decidir o que faríamos na rodoviária), o BOPE, a cavalaria e a tropa de choque nos emboscaram.
Para evitar o confronto e não perder o objetivo da manifestação, todos correram para a outra pista do Eixo, tentando se proteger e andando entre os carros no meio da grande via Eixo Monumental - onde, aliás, recebemos o apoio dos motoristas que buzinaram e gritaram a nosso favor. Mas nem isso foi suficiente. A polícia conseguiu limpar o percurso e ali mesmo começou um cenário típico de documentários dos anos 60 e 70. Mas as comparações param aí, nas cenas e na quebra de acordo e desrespeito por parte dos policiais, pois todo o contexto é diferente.
Vou terminar como comecei, falta muita coisa e o problema é muito maior do que pensamos. No DF, os movimentos sociais foram criminalizados e impedidos de se manifestarem. Asfixiados, impossibilitados de se organizarem, o movimento sindical - único sobrevivente de um governo neoliberal por essência - sofreu com uma luta quase que implacável por parte dos empresários da cidade e do governo local, que usam de sua força financeira e da máquina pública contra os trabalhadores em uma narrativa típica de um regime de capital selvagem. Correndo por fora, estão os jovens do DF, esquecidos e criminalizados por uma política pragmática que enxerga o jovem e sua política como um caso dentro da Secretaria de Justiça, em outras palavras, "para polícia resolver".

O debate sobre a juventude em todo o Brasil tem avançado, mas especialmente na Capital essa discussão retroagiu, sucumbindo a um quadro de falência de Políticas Públicas de Juventude. Um quadro trágico de aumento de violência, roubo, assalto à mão armada, homicídio e suicídio por parte dos jovens, aumento do desemprego e evasão escolar. Movimentos como o Hip Hop, movimento negro, capoeira, esportistas amadores foram jogados para além da marginalização, sem esquecer o atual quadro dos artistas da cidade que quando não são desprezados, são obrigados a se venderem para o FAC-DF. Apesar do número de jovens empreendedores ter crescido, essa matemática cai por terra quando o mesmo número de jovens fechando empresas ou pedindo falência aumenta.
Mas algo me fez ter esperança nessa batalha. Além de ter me recuperado da dor que senti da cacetada que levei da PM, durante a manifestação, quando olhava para o lado, vi um ex-professor de segundo grau lutando a minha luta; do outro lado, vi o GOG (grande rapper e líder da cidade) lutando a minha luta; e à frente vi Engels Espíritos (maior gaitista de blues de Brasília) com placas e bandeiras nas mãos, também lutando a minha luta. Amigos e companheiros de luta. Militantes, como eu, da juventude e do movimento estudantil estavam lá, lutando a minha luta, que não é minha, nem deles, é da cidade.
Fernando Neto é secretário-geral do CADIR-UDF (Centro Acadêmico de Direito da Universidade do Distrito Federal) e membro da Comissão de Assuntos Acadêmicos da OAB-DF.
Fotos de Marcos Wilson e Fernando Visas (cedidas pelo autor).
Como tem sido colonizada para ter vergonha de ser o que é, uma boa parcela da classe média urbana se apresenta como defensora intransigente da propriedade, da família e do Estado patrimonial. Por Gilson Caroni Filho.
O presidente e o palavrão que incomoda
Se tratar da língua é tratar de um tema político, a fala sem rodeios do presidente Lula, durante cerimônia de assinatura dos contratos do programa Minha Casa, Minha Vida, no Maranhão, não poderia ter outro resultado: encheu a seção de cartas de jornais e revistas, além de ter dado o tom do moralismo seletivo que marca os grandes articulistas. Fingiram não saber que palavras tidas como chulas são formas lingüísticas ímpares para expressar emoções que permeiam o corpo e os amplos campos das relações sociais. Não estava em questão se o emprego se deu em contexto adequado, mas o que moveu o coro dos “indignados”, no improviso de quinta-feira passada.
Ao afirmar que "eu não quero saber se o João Castelo é do PSDB. Se o outro é do PFL. Eu não quero saber se é do PT. Eu quero é saber se o povo está na merda e eu quero tirar o povo da merda em que ele se encontra. Esse é o dado concreto", Lula tem consciência de que os opositores dirão que desrespeitou a postura pública que deveria manter em face de majestade do cargo que ocupa. Tanto que se antecipa à crítica anunciada: “Amanhã os comentaristas dos grandes jornais vão dizer que o Lula falou um palavrão, mas eu tenho consciência que eles falam mais palavrão do que eu todo dia e tenho consciência de como vive o povo pobre desse país".
Como tem sido colonizada para ter vergonha de ser o que é, uma boa parcela da classe média urbana se apresenta como defensora intransigente da propriedade, da família e do Estado patrimonial. Confunde governo e salvação, ignora a representação, desconhece direitos sociais e políticos, menosprezando a exploração econômica, embora seja “mobilizável” por campanhas de caridade que reforcem a sua imagem de privilegiadas. Em busca de ilusões perdidas, está disponível para aventuras que realçam a ferocidade dos seus recalques. E qualquer enunciado que apresente um padrão variante é o suficiente para açular o seu ódio de classe.
Pouco lhe importa se campeia a violência, a truculência e a miséria. Em seu ilusório casulo, o que merece relevo é o destempero verbal de um presidente que não segue os padrões dos antigos donos do poder. É de pouca importância se o governo anterior reduziu a zero os empréstimos da Caixa Econômica Federal às autarquias e estatais da área de saneamento básico. Também não lhe tira o sono se a decisão política do tucanato provocou, além da dengue, surtos de cólera, leishmaniose visceral, tifo e disenterias. Ora, doenças resultantes da falta de saneamento não lhe incomodam. A merda que lhe aflige é aquela que aparece no improviso presidencial como dado concreto.
Para Lula, o descalabro no saneamento é uma tragédia, e, de fato, o é. Por sua história, o presidente faz parte de uma legião de sobreviventes. De um exército que resistiu a séculos de dificuldades imensas, naturais e humanas. Tem orgulho saudável de sua força. Da força desse povo que come mandacaru e capucho verde de algodão e ainda tem a esperança desesperada de querer viver. Isso é coragem, é grandeza. Essa é a merda que causa engulhos na grande imprensa e nos seus leitores indignados. Mas indignados com o quê, afinal?
Indignados pela existência de erros que se repetem há tempos? Indignados pela impotência de um saber divorciado da dimensão histórica e da responsabilidade social que deveria caber aos centros de ensino que freqüentaram? Indignados pela ameaça, concreta e imediata, da morte, pela fome endêmica e, até bem pouco tempo epidêmica, dos mais miseráveis? Não. O que os ruborizados pelo emprego da palavra "merda" não suportam é a ausência do promotor da " paz social", do garantidor de uma ordem política que lhes oferecia, através do conservadorismo autoritário, uma institucionalidade que muito apreciavam ética e esteticamente. Um simulacro de República feito sob medida.
O problema é que a vestimenta institucional brasileira parece calça curta, fazendo o país caminhar desajeitado, com medo do ridículo. A reforma mais urgente requer produção crescente de cidadania, a criação incessante de sujeitos portadores de direitos e deveres. Em uma sociedade fracionada, essa é a merda que ameaça e choca os estamentos mais reacionários: a realidade que não deveria ter emergido com modelagem tão nítida.
Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil.
Foto Lula home: Roosewelt Pinheiro/ABr
Esse filme desnuda o papel da podre e grande mídia que politiza tudo para desmoralizar e tentar destruir as importantes lideranças políticas de esquerda...
Lula, o Filho do Brasil
Caríssimos,
Ontem tive a oportunidade de assistir ao filme "Lula: O Filho do Brasil".
É lindo, comovente, a Glória Pires está estupenda, os atores que interpretam o Lula também. A trilha sonora é excelente, enfim, o filme é ótimo. E, pasmem, não tem sequer uma estrelinha do PT. Aliás, o filme acaba antes da formação do PT.
Não dá para entender tanta poeira sobre o (suposto) caráter eleitoreiro do filme. Não tem nada disso. Na realidade, a oposição quer impedir que o filme estoure nas bilheterias. E sabem por quê? Simplesmente porque o filme desmonta por completo a imagem preconceituosa e atrasada que diária e insistentemente a mídia e a oposição quiseram (e querem) impingir aos brasileiros sobre o Lula.
Esse filme desnuda o papel da podre e grande mídia que politiza tudo para desmoralizar e tentar destruir as importantes lideranças políticas de esquerda, que distorce e deturpa as notícias, que destila ódio e preconceito sem qualquer pudor, e que faz campanha insistentemente para desqualificar nossas instituições com objetivos escusos e sórdidos.
"Lula: o Filho do Brasil" retrata de maneira fidedigna e bastante verdadeira a trajetória de vida do Lula, retrato da vida da grande maioria dos brasileiros, suas dificuldades, desafios e sofrimentos. O filme mostra o Brasil como sempre foi, mas que, como sabemos e sentimos, já mudou - e não por acaso - com oito anos do Governo Lula.
Para mim, esse filme teve um sabor ainda mais especial: não só porque me vi presente em parte daquela história, quando recém formada, fazia plantões jurídicos nas greves de São Bernardo do Campo, mas porque me confirmou as primeiras impressões que tive do Lula: um homem de uma inteligência descomunal e de uma sensibilidade humana que se percebe já no olhar.
Hoje, posso afirmar com todas as letras e estrelas que me cabem, que estou ORGULHOSA DO BRASIL e de ser brasileira. Acho que o Lula merece esse reconhecimento, por todo o esforço, trabalho e dedicação com que - junto com a equipe de Governo, incluindo todos os anônimos brasileiros - está fazendo desse país uma nação verdadeira.
Tenho orgulho de ser parte dessa família PT. Tenho um enorme prazer em propalar por todos os cantos desse país que o BRASIL MUDOU, que hoje ele é reconhecido internacionalmente e que merece estar no "Olimpo", principalmente porque teve o Presidente Lula no comando desses últimos oito anos.
Enfim, meus caros, o filme vale a pena...
Como disse o diretor, "Lula: O Filho do Brasil" serve para levantar ainda mais a autoestima do brasileiro. Esse povo que sempre se sentiu inferiorizado com aquele complexo de "Republiqueta das Bananas", acreditando que seu país nunca seria uma nação. Com Lula, o Brasil MUDOU!
PARABÉNS LULA, PARABÉNS PT!
E não se esqueçam: LULA É DO PT!
Stella Bruna Santo é advogada.
Sei que o assunto futebol é considerado entre os "eros ditos" como algo, no mínimo, fora dos assuntos de primeira grandeza. Mas como discutir o Brasil sem discutir futebol?
Bola no Travessão
Prezados amigos do Blog do Zé
(que me perdoem os irmãos corinthianos, como o Zé, mas estou feliz).
Escrevi este texto no dia 21 de novembro, em estado de grande premonição e "delirius futebolisticus". Sei que o assunto futebol geralmente é considerado entre os "eros ditos" como algo, no mínimo, fora dos assuntos de primeira grandeza. Mas como discutir o Brasil sem discutir futebol?
O futebol já fez mais pela integração cultural do nosso povo do que todo o "brilhante" histórico de políticas sociais do Brasil da era pré-Lula (e pós também).
Vamos respeitar o futebol, este território onde a ciência, a religião (o pensamento mágico-folclórico) e a arte se encontram. Futebol, um dos parâmetros da brasilidade.
Falo tudo isso, talvez, só para justificar o sambinha que eu compus há alguns anos para o meu Flamengo que pode, muito bem, assumir a liderança do Brasileirão... E se o fizer, estará colocando o proletariado de volta ao altar dominado por São Paulo (este santo repressivo, certinho, surgido do lado esquerdo do cérebro para maltratar o lado esquerdo da vida).
Compus este samba quando estava cansado de ver meu time colocar "bola no travessão". Este eterno "quase chegar lá", que se confunde com a história das esquerdas deste país.
Envio para todos o meu sambinha porque, como dizem, alegria de pobre dura pouco e é bem capaz que dê tudo errado, o Flamengo perca e o S. Paulo vença mais uma vez. Vitória do dono do Morumbi, vitória do poder econômico.
Então pelo menos vamos cantar a alegria ... Só por hoje. "Fazê u quê"? A vida é feita de um dia após o outro... Devagar a gente chega lá...
Ouçam BOLA NO TRAVESSÃO, interpretado por Karolina Vucidolac, nascida na terra de Alexandre, o Grande (Mesopotâmia) mas de nacionalidade sueca. A banda que a acompanha é o Nosso Trio formado por Nelson Faria, Kiko freitas e Ney Conceição.
Deixo aqui a letra da música para quem quiser cantar junto. Ela é uma perfeita analogia com a próxima eleição presidencial...
Bola no Travessão
(composição Gui Mallon)
se você mandar
Bola no Travessão
eu vou te xingar
vou te odiar
no meu Mengo não tem vez
quem desfez
uma jogada assim
preste atenção
você não pode vacilar
alma e coração
você tá aqui é pra jogar
Mengo é tradição
você não é nenhum Romário ou Zico
Ah que saudades que dá
do meu time campeão
do Raúl, meu irmão
do Leandro armando
da torcida enlouquecida
varrida de paixão pelo meu Mengão
... do vermelho e do preto
explodindo ...
Abraços para todos na querida Paulicéia (especialmente Itaquera)!
Gui Mallon é guitarrista-compositor, artista plástico, escritor, ativista cultural. Acesse seu site e conheça seu trabalho.
(Foto enviada pelo leitor Alex Antunes)
O Movimento dos Sem-Mídia deliberou que promoverá um ato público contra a única tentativa de estupro que de fato ocorreu no âmbito desse episódio lamentável: o estupro do jornalismo.
Contra o Estupro do Jornalismo
O Movimento dos Sem-Mídia, em consonância com um sentimento de revolta que envolve o país neste momento por conta da publicação irresponsável e vil de artigo do colunista da Folha de S.Paulo César Benjamin, deliberou que promoverá um ato público contra a única tentativa de estupro que de fato ocorreu no âmbito desse episódio lamentável, forjado no ódio, na inveja e na covardia, o estupro do jornalismo.
Desta maneira, na condição de presidente da Organização Não Governamental Movimento dos Sem-Mídia, comunico que a entidade promoverá um ato público contra esse estupro que entendemos que o órgão de imprensa supra mencionado praticou ao publicar acusação de que o presidente da República, senhor Luiz Inácio Lula da Silva, teria sido um maníaco sexual durante a ditadura militar.
O ato acontecerá no próximo sábado, dia 5 de dezembro de 2009, a partir das dez horas da manhã diante da sede do jornal Folha de S.Paulo, situado na Alameda Barão de Limeira número 425, em São Paulo.
A você que se sentiu esbofeteado por esse ato de desrespeito à instituição Presidência da República, à ética jornalística e, no frigir dos ovos, a um líder político que, por sua história, e pelo apoio esmagador que tem de seu povo depois de sete anos no poder, mereceria, pelo menos, o direito de a acusação torpe de que foi alvo ter sido minimamente investigada por quem a divulgou.
Esse ato insidioso não pode passar em branco, ficar no imaginário popular sem que se registre, com o maior destaque possível, quantos brasileiros dignos ficaram indignados com tamanha violência. Desta maneira, o Movimento dos Sem-Mídia espera contar com a presença a esse ato de todos os que realmente se sentem como nós.
Eduardo Guimarães
Movimento dos Sem-Mídia
Presidente

Conferência de Cultura de Volta Redonda, um marco político do novo Brasil
Só quem acompanhou a história política brasileira com especial atenção nos últimos trinta anos pode compreender o significado de uma conferência de cultura como a que se deu em fins de outubro, no município de Volta Redonda(RJ).
Uma festa de muitas vitórias, símbolos e, sobretudo de paixão. Mais que isso, uma festa que devolveu à cidade o sentido político, a importância que a cultura tem sobre a vida de uma sociedade.
Justamente na semana em que FHC fez uma tentativa grotesca de comparar seu governo ao de Lula, a cidade de Volta Redonda, que foi vítima primeira da política de destruição do patrimônio público brasileiro pelas mãos do ex-presidente tucano, refaz-se através de um manifesto cultural. Nada poderia ser mais emblemático.
Volta Redonda é uma cidade que enfrentou nos últimos tempos, os mais duros ataques dos neoconservadores. Primeiro foi a invasão e morte de operários da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) pelos militares, em 1988, ainda no governo Sarney; depois a campanha de difamação e sucateamento de Collor; e, em seguida, a privatização da CSN e o desemprego em massa no governo Itamar, comandado pela batuta do, hoje, presidente de honra da Orquestra snfônica do estado de São Paulo (OSESP) Fernando Henrique Cardoso.
Aliás, FHC dirigir a OSESP - ainda que o título seja honorífico - demonstra claramente uma política de aparelhamento do PSDB na vida cultural de São Paulo, um Estado que tem no matemático, João Sayad, do mesmo ninho tucano, a manete que comanda com mãos de ferro e entrega todos os recursos da cultura para uma minoria da elite econômica paulista.
Após os sucessivos ataques dos governos Sarney, Collor, Itamar e FHC, privatizando, junto com a CSN, escolas, hospitais, espaços comuns da cidade, Volta Redonda fragilizou-se emocionalmente e, desiludida, vem sendo comandada pelo mesmo grupo político há treze anos.
Agora através dessa Conferência de Cultura, a cidade ressurge de forma espetacular e impõe uma derrota política acachapante ao governo municipal que há anos dita as normas comportamentais da vida cultural do cidadão volta-redondense, além de tentar manipular a conferência para continuar dominando a cena político/cultural da cidade.
Estava ali, durante e depois da conferência, límpida, transparente, uma cidade cantando novamente, recobrando os sentidos, após praticamente três décadas de uma imposição que usou e abusou de práticas vis para perpetuar a estupidez.
Foi justamente esse exercício sindical de lutas tão características na cidade de Volta Redonda, muitas inclusive sangrentas, que afirmo, com a mão na consciência, que o que houve aqui nessa cidade de alma eminentemente metalúrgica, na Conferência de Cultura que elegeu 100% dos delegados, foi a imagem da esmagadora vitória do governo Lula sobre a mediocridade intelectual de um símbolo antinacional chamado FHC.
Não há como não fazer essa comparação. Aliás, a cultura só tem sentido num ambiente efervescente. Diferente disso, a arte é um enfeite para as casas de campo da burguesia, um exercício do exotismo falsificador que tenta camuflar a estupidez hostil das classes dominantes com os sentimentos de toda uma sociedade.
O significado de amálgama na exata concepção de liga metálica, é, sobretudo o símbolo político e cultural da cosmopolita manifestação humana de uma cidade tão brasileira quanto a de Volta Redonda, a primeira cidade dos “Silvas” do Brasil. Afirmo sempre que a implantação da primeira indústria de base nessa cidade, dá a ela o status de início concreto do Brasil para os brasileiros, uma refundação do país.
Por isso ela foi tão perseguida pelos neoliberais entreguistas que lhe apontaram desde a baioneta até o martelo do pregão visando destruir a alma de uma cultura que é a síntese do povo trabalhador brasileiro e do próprio Presidente Lula. O que se viu aqui foi algo muito além do que se pode medir com as réguas formais.
A Conferência de Cultura em Volta Redonda deu o sentido pleno de democracia cultural, tão desejada por nós brasileiros. Não venceu o pensamento seletivo ou conceitual, mas um sentimento avassalador de liberdade. Não foi uma vitória da instituição arquitetônica, mas da instituição humana, plena, livre, alegre, festiva, disciplinada em recobrar sua própria identidade e os sentimentos vitais de cidadãos plenos. Foi como se cantássemos todos, naquele momento, o samba “Vai Passar” de Chico Buarque como símbolo dessa vitória.
Carlos Henrique Machado é bandolinista, compositor e pesquisador.
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Durante esses três anos de contato diário através deste site, estava mais do que na hora de termos um espaço destinado a você, leitor.

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