Retomo, com muita satisfação, a nossa tradicional conversa a partir dos comentários enviados por vocês a este blog. Destaco, inicialmente, a opinião de dois leitores, Moraes e Arthur Schieck sobre um dos temas de grande relevância hoje para o Brasil: a reforma política.
Diz Moraes: "sinceramente, não estou bem informado sobre o voto em lista. Acho que gostaria de saber em quem estou votando. Mesmo que meu candidato não ganhe, não voto em qualquer um". Primeiramente, agradeço ao Moraes por levantar esta lebre aqui no blog, porque sua dúvida é a de muitos brasileiros.
Ficou cristalizado na opinião pública que o voto em lista prejudica a escolha do eleitor, o que não é verdade, pelo contrário. Neste sistema, cada partido sugere uma lista de candidatos a deputado federal, estadual e vereador. No caso do PT, por exemplo, a escolha desses nomes se dará por eleição direta, ou seja, os filiados do partido votarão e escolherão os nomes que farão parte da lista do partido. Não será uma decisão limitada à direção do partido.
Neste sentido, a lista é mais democrática do que o processo que temos hoje. Nas urnas, o processo será simples: se os nomes que estão à frente da lista do partido não agradarem o eleitor, ele vai escolher a lista de outro partido. Afinal, é ele quem decide. Nesse sistema o partido político se fortalece, pois estará em pauta o seu conteúdo político e programático.
Daí a boa sugestão de Arthur Schieck, que destaco aqui: "se o PT quer ver essa mudança acontecer é preciso, desde já, pensar numa forma didática e objetiva de usar o tempo do partido na TV para mostrar como o poder econômico prevalece nas eleições proporcionais". O Arthur tem toda razão. A reforma política exige uma grande mobilização tanto do PT, quanto dos movimentos e da sociedade civil.
Precisamos explicar que o voto em lista, ao diminuir os custos da campanha, reduz a força do poder econômico nas eleições, já que as doações serão feitas para listas e não para candidatos individuais. Sem falar que o novo modelo é um bom instrumento para facilitar o financiamento público das campanhas. Sobre o tema, recomendo a leitura do artigo "Voto em lista na reforma política" do deputado Zeca Dirceu.
Aproveito este espaço para também destacar as belas palavras de Jose Luiz da Silveira Ballock para Denise Crispim, companheira de Eduardo Leite, o Bacuri, cuja biografia foi publicada recentemente pela Plena Editora (saiba mais). Recomendo a vocês que leiam este trabalho.
"Prezada Denise Crispim.
Também sou familiar de preso político, torturado e perseguido pela ditadura civil-militar implantada a partir de 1964. Meu pai, mesmo absolvido pelo Inquérito Policial Militar (IPM), ainda ficou monitorado pela ditadura por um período de 10 anos. Realmente, a caixa preta (dos documentos sobre a ditadura) tem que ser aberta. O Exército de Caxias não pode carregar esta infâmia de torturador nazista eternamente. Por isto, reivindico a abertura, já, de todos os arquivos gerados pela ditadura civil-militar. Honras in memorian a Bacuri, Wladimir Herzog e tantos outros. Saudações.
Jose Luiz da Silveira Ballock"
Um abraço e até a próxima semana,
Zé Dirceu
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