O transporte coletivo é hoje o calcanhar de Aquiles das grandes cidades. De São Paulo, governado por tucanos, onde o sistema de metrô e de trens de subúrbio entra em pane duas a três vezes, em média, por semana, a todas as demais.
Campanhas como o "Dia Mundial Sem Carro" acabam por salientar o óbvio: sem transporte público de qualidade, ninguém trocará o automóvel pelo coletivo.
Em São Paulo, a situação é trágica. A opção dos sucessivos governos tucanos pelo transporte individual em detrimento do público e de massa cobra seus resultados: congestionamentos, superlotação, paralisações constantes dos sistemas sob trilhos.
O caso do metrô paulista é um exemplo claro do descaso tucano no Estado. Considerado por muitos como um dos melhores meios de transpolrtes na mobilidade urbana, a falta de investimentos assume proporções da maior gravidade. A cada pane registrada no sistema centenas de milhares, milhões somados no mês, são obrigados a esperar horas nos vagões ou a se desviarem de suas rotas para poder chegar em casa.
Mas, a cada ano, o que vemos são as mesmas promessas de ampliação e construção de metrôs pelo Estado. Daí o comentário do leitor Ricardo Padula frente à promessa do governador Geraldo Alckmin de levar metrô para Tabuão da Serra. "Se nem o metrô que prometeram para o Jardim Ângela (2008/2010) fizeram... Se nem o Metrô Largo 13 de Maio para a Chácara Klabin fizeram... A quem eles querem enganar?" questiona.
Nas propagandas, aliás, o que vemos é uma realidade distinta do sistema metroviário em São Paulo. Com menos de 2 km/ano construído, a vendida eficiência caminha a passo de tartaruga. Wladimir Pulga está certíssimo ao afirmar que São Paulo deveria ter hoje 300 Km de metrô, mas tem apenas 74 Km. "Fruto de um descaso de 20 anos de administração pública de interesse particular realizado por tucanos e democratas".
Falta de investimentos
Já Cid que trabalhou durante quatro anos no metrô, durante os anos 70, quando ele começou a operar, afirma nunca ter visto, após todos esses anos, um rítmo tão lendo nos investimentos. "As gestões Serra- Alckmin conseguiram diminuir, também, os (investimentos em) custeios nos transportes metro-ferroviários, resultando em quebras constantes dos trens e dos sistemas rodantes por falta de manutenção. Falta gerencimento e visão administrativa aos governos do PSDB".
Além desta falta de gerenciamento a que se refere Cid, não podemos esquecer também do alerta feito por Anibal Jr. que cita, ainda, "as obras mal contratadas e mal feitas, como o caso de Pinheiros, com gente morta e famílias desalojadas sem providências que a população conheça". Faço questão, ainda, de destacar a questão da superlotação não apenas nas plataformas de metrô, mas nos ônibus paulistanos.
"Se tirar um pé do chão, não consegue voltar, fica com apenas um"
Nádia, leitora deste blog, conta que ao fazer um Boletim de Ocorrência por conta de um furto, foi aconselhada por um policial a ficar mais atenta se alguém se encostar no ônibus. "Perguntei a ele se estava me tirando. Dentro do ônibus, está todo mundo grudado, se tirar um pé do chão, não consegue voltar mais, e aí fica com um pé só". Atestado mais do que evidente da superlotação e da ineficiência deste sistema.
"Só no Brasil se considera ônibus transporte de massa a longas distâncias", pontua Rodrigo Rod. "Ônibus é para transporte local, integrado a um transporte de massa. No Brasil, o ônibus (urbano) é utilizado para trajetos de 30, 40Km, o que o torna dispendioso para quem usa e para quem explora o serviço, visto que tem sempre de andar lotado pra cobrir os custos, o que os detona ainda mais."
Já quanto ao trem-bala, cujo processo de licitação foi suspenso pela Justiça de Brasília sob o argumento de que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) deve primeiro regularizar os transportes rodoviários no país, deixo aqui a simples equação de Eduardo Meira: "Trem de Alta Velocidade = Transporte Coletivo massa!"
"As pessoas no Brasil nivelam por baixo, colocam como prioridade outros projetos, mas o fato é que não entendem os benefícios materiais e imateriais de um projeto de transporte deste tipo, que transforma as distâncias humanas em intercâmbio real. As comunidades se juntam! Será que estão preocupadas em falar/pensar em comunidades?" questiona Meira.
Uma excelente pergunta para pensarmos até a próxima semana...
Um abraço,
Zé Dirceu
Foto: Wikipedia
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