Fernando Nogueira da Costa
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Em fevereiro de 2011, foi oferecido pequeno jantar para o presidente Obama no Vale do Silício da Califórnia. Foram convidados uma lista restritiva de convidados entre os líderes da tecnologia norte-americana. Steve Jobs, sentado ao lado do presidente, quando este pediu a cada um que sugerisse linhas de ação governamental, insistiu que era preciso encontrar maneira de formar maior número de engenheiros americanos.
A Apple tinha 700 mil operários trabalhando na China, disse ele, e essa era a razão por que ela precisava de 30 mil engenheiros no local, para supervisionar esses operários. “Você não encontra esse tanto nos Estados Unidos para contratar”, argumentou. Esses engenheiros de fábrica não precisavam ser gênios nem ter doutorado; precisavam apenas ter uma formação básica de Engenharia de Produção. Poderiam se formar em escolas técnicas, faculdades locais ou cursos profissionalizantes. “Se você pudesse formar esses engenheiros, presidente Obama, poderíamos trazer mais fábricas para cá”, concluiu.
Deng Xiaoping encerrou, em 1977, os abusos da Revolução Cultural. Começou a articular uma visão da modernidade chinesa. Enfatizou a importância da descentralização de decisões em país vasto com imensa população e diferenças regionais. Para tanto, a tecnologia moderna tinha de ser introduzida na China, dezenas de milhares de estudantes chineses seriam mandados para o exterior, porque, disse, “nada temos a temer com a educação ocidental”.
“A chave para conquistar a modernização”, argumentou, “é o desenvolvimento da ciência e tecnologia. E, a menos que prestemos especial atenção na educação, será impossível desenvolver a ciência e tecnologia. Devemos ter conhecimento e pessoal treinado para tirar o atraso em relação aos países desenvolvidos”.
Diferentemente de Mao, além da ênfase na aquisição de conhecimento, Deng governou retomando outra tradição chinesa: invisibilidade do governante. Muitas culturas fortalecem a autoridade do governante mediante contato demonstrativo com os governados, onde a oratória é considerada um ativo para governar. Mao foi uma exceção, pois não existe tradição geral de oratória na China. Os líderes chineses por tradição não baseiam sua autoridade em habilidades retóricas ou no contato físico com as massas. Na tradição mandarim, operam essencialmente fora das vistas, legitimados pelo desempenho.
Decretando que “pobreza não é socialismo”, Deng proclamou que a China necessitava obter tecnologia, especialização e investimento direto estrangeiro para remediar suas deficiências. Condenou os “tabus intelectuais” e o “burocratismo”. O mérito deveria substituir a patrulha ideológica. Dilma Roussef adotou o slogan “país rico é país sem pobreza”. Deve resgatar a tradição brasileira de tropicalização antropofágica miscigenada das boas “ideias de fora”.
Professor Livre-docente do IE-UNICAMP. Foi Vice-Presidente da Caixa Econômica Federal de 2003 a 2007. http://fernandonogueiracosta.wordpress.com/ E-mail: Este endere�o de e-mail est� protegido contra spam bots, pelo que o Javascript ter� de estar activado para poder visualizar o endere�o de email
Publicado Originalmente na Revista FENAE Agora. Edição 73a. ano 15 – jan/fev 2012.
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Economia e Desenvolvimento
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