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Eduardo Lyra
Publicado em 03-Abr-2012

Todo mundo pode

Eduardo Lyra

ImageTodo mundo pode

Existem milhares de jovens, em todos os cantos do Brasil e do mundo, envolvidos no processo de mudança do planeta. Eles inovam em tecnologia, brilham nos esportes, encantam nas artes, dão cores às bandeiras do ativismo e ressignificam o trabalho - apostando no empreendedorismo ousado, inventivo e colaborativo.  
   
Depoisde passar a infância e a juventude ouvindo que os jovens deixaram de participar da vida social como agente de transformação, eu viajei pelo Brasil em busca de jovens que estivessem fazendo coisas sensacionais. Relatei boa parte dessas histórias no meu livro “Jovens Falcões”. Encontrei vários jovens que superaram limitações, correram riscos extremos, mas ingressaram no palco dos que fazem a diferença, gerando empregos com seus projetos e inspirando pessoas com seus ideais.

O livro contém onze histórias, onze exemplos como o de Isabel Pesce Mattos, 23 anos, que cresceu no bairro da Aclimação e estudou no colégio Etapa. Aprovada no vestibular do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), ela foi morar nos EUA e, em quatro anos, formou-se em Engenharia Elétrica, Ciências da Computação, Matemática,Administração e Economia. Isabel trabalhou na Google e Microsoft, mas, insatisfeita, migrou da multinacional para liderar dezenas de engenheiros na Ooyala. E agora, ao lado de dois empreendedores da América do Sul, ela fundou a Leman, que está instalada no Vale do Silício. Hoje, ela trabalha para enxergar o futuro antes que ele chegue, sua meta é criar produtos que facilitem o cotidiano das pessoas e as transforme para sempre.  

Já no interior paulista, em Sorocaba, encontrei Alessandra França, que fundou o Banco Pérola aos 22 anos. O Banco empresta dinheiro para que jovens pobres possam começar o próprio negócio nas periferias. Conheci, também, João Felipe, 25 anos, que é consultor para Assuntos da Juventude da ONU. Sua missão é convencer autoridades mundiais de que as decisões econômicas, climáticas, políticas e sociais não podem ser tomadas sem a participação dos jovens, pois são eles que enfrentam os caos das cidades.
 
Numa praça arborizada de Campinas, eu conversei Ricardo Ferreira, filho de metalúrgico e estudante de Química da (UNICAMP). Aos 22 anos, ele participou de um estudo na Universidade da Califórnia (UCLA) que pode livrar o planeta do superaquecimento. Seu trabalho foi publicado na conceituada revista Science. E, diga-se de passagem, ele foi considerado pela revista Época uma das cem pessoas mais influentes na categoria heróis.
 
Na capital paulista, bairro da Barra Funda, no Centro de Treinamento do São Paulo, conversei com o talentoso jogador Lucas, de 19 anos. Dias antes, Ronaldo Fenômeno, maior artilheiro de Copa do Mundo, hoje empresário, elencou o meio-campista como uma das maiores revelações do futebol brasileiro. Eu também ouvi a doce música do violinista Rodrigo Monteiro, 23 anos, que após vencer o prêmio Prelúdio da TV Cultura, tornou-se uma das maiores revelações da música clássica no Brasil e a mais nova atraçãoda Orquestra Sinfônica de São Paulo (OSESP).

No Rio, eu conversei com Raphael Draccon, 28 anos, que depois de enfrentar a pobreza extrema, escreveu seu primeiro livro "Dragões de Éter" que vendeu milhares de exemplares. No norte do Paraná, entrevistei a prefeita mais nova de Jacarezinho, Tina Toneti (PT), eleita aos 24 anos, com a missão de despedaçar o reinado do coronelismo local e emplacar uma ampla transformação social. Já em Belo Horizonte, conheci Cristiano Veloso, de 30 anos, considerado o novo Eike Batista, que promete revolucionar o agronegóciocom o seu termopotássio.

Eu trabalhei onze meses com uma equipe de cinco profissionais. Para realizar essas viagens, vendi meu notebook, tomei dinheiro emprestado, mas nós conseguimos concluir o livro e eu fundei a editora Transformi. Nós lançamos “Jovens Falcões” numa festa que contou com apresença de mil jovens. Esgotamos a primeira tiragem em vinte dias. Queremos continuar o nosso trabalho e fazer com que essas experiências cheguem ao conhecimento de milhares de jovens.

A meta? Comercializar 1 milhão de livros. Se vamos conseguir? Quando comecei o projeto não me perguntei se iria dar certo, mas, sim, se valeria apena. Se existem muitos caminhos que levam à mudança do mundo, posso afirmar que encontrei o meu: contando histórias de jovens transformadores e inspirando outros milhares de jovens a se tornarem falcões. De porta em porta, hoje, nós os convidamos a embarcar nesta empreitada, gerando renda para muitos deles com a venda do livro.

Queremos espalhar a ideia de que mudar o mundo é possível. Pretendemos inspirar novos falcões para que eles possam ajudar o Brasil a avançar com projetos ousados, ideias criativas e atitudes corajosas. Esta, aliás, será a principal mensagem da nossa Fan page que já pode ser acessada no Facebook/GerandoFalcões. Nela, vocês encontrarão reportagens, entrevistas, artigos e depoimentos de pessoas decididas a tornarem seus sonhos realidade. Afinal, são as pessoas e não as máquinas que mudam o mundo.


Eduardo Lyra, 24 anos é jornalista e escritor. Foi considerado repórter revelação pelo Instituto Itaú Cultural, em 2010. É autor de “Dialogando com Lideranças” e “Jovens Falcões”.     

 

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