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Gabriel Medina
Publicado em 16-Abr-2012

Rio + 20 e a Juventude
Gabriel Medina

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Já se passaram 20 anos da realização da ECO 92. De lá para cá muita coisa mudou no Brasil e no mundo. O país é hoje a sexta economia mundial e conseguiu dar passos no combate à pobreza, na ampliação de direitos sociais e no avanço do papel do Estado na indução do crescimento econômico com distribuição de renda. No âmbito global, revoltas populares ascendem para questionar o padrão neoliberal do sistema capitalista, baseado na acumulação de capital pelas grandes corporações multinacionais e transnacionais.

A crise econômica abalou os EUA e, por conseqüência, atingiu a Europa em cheio. Países antes considerados os mais ricos convivem, agora, com taxas de desemprego exorbitantes, baixa crescimento, ameaça de inflação e um sistema bancário prestes a falir. A  América Latina, por sua vez, vive um momento de ascensão de governos populares que gerou um ambiente favorável ao surgimento de novos regimes políticos, orientados a reparar dívidas históricas com a classe trabalhadora, com o povo negro, indígena, entre outros. A interrupção do projeto neoliberal tem apresentado resultados positivos aos países, não só do ponto de vista econômico, mas sobretudo na ampliação de direitos sociais e civis. É preciso, entretanto, avançar na desconstrução do modelo neoliberal, eliminando-o por completo.

Nesse sentido, as experiências acumuladas e o processo histórico em curso apresentam um cenário de disputa sobre qual o modelo devemos construir para o desenvolvimento do mundo. De um lado, uma proposta de aprofundamento neoliberal organizada por países europeus e pelos EUA e de outro, as experiências latino americanas, das quais o maior expoente é o Brasil, de forte investimento estatal, ampliação de direitos e distribuição de renda. Contudo, a experiência brasileira é ainda limitada, o projeto nacional desenvolvimentista em curso não apresenta uma agenda consistente de enfrentamento ao mode de exploração capitalista. É neste espaço que os movimentos sociais podem ter um papel fundamental na formulação de um  terceira via: o eco-socialismo.

É neste cenário que acontece a Rio + 20, Conferência organizada pelas Nações Unidas para a discussão do modelo de desenvolvimento sustentável. Os objetivos colocados para esta edição são: a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza; o quadro institucional para o desenvolvimento sustentável; e governança internacional.  Passados os 20 anos desda Eco 92, existem motivos suficientes para acreditar que o processo oficial terá dificuldade em apresentar saídas consistentes, que rompam com o ciclo da pobreza aprofundado nos últimos anos e de contínua destruição e degradação dos recursos naturais no mundo.

A maior expressão desta dificuldade está no continente africano. A insígnia economia verde é um dos elementos que confirmam estes limites, já que as saídas em sua maioria não questionam a origem do problema: o modo de produção capitalista e a acumulação do capital feita por meio da especulação. Visam apenas promover pequenas alterações na emissão de gases, criar mecanismos de isenção de impostos para empresas menos poluentes, individualizar as responsabilidades pela defesa do meio-ambiente, ou seja, não se promove a reflexão sobre a construção de uma nova forma de produção, de organização do trabalho sustentada por princípios de justiça social e ambiental.

Neste último período, a juventude brasileira tem realizado algumas ações na direção de garantir maior participação e incidência na discussão sobre o desenvolvimento do país. É certo que diferentes concepções estão em disputa. Neste campo juvenil, há setores conectados com a ideia de promoção de pequenas mudanças orientadas pela noção de economia verde; outros defensores do modelo nacional-desenvolvimentista, ecosocialistas; e ainda segmentos ambientalistas anti-capitalistas. Existe, portanto, um cenário fértil para um encontro de posições comuns entre os que questionam o modo de produção capitalista. Ainda que com diferenças, eles podem produzir uma posição comum que caminhe em direção à defesa dos princípios socialistas, democráticos e ecológicos.


Gabriel Medina é militante da Juventude do PT.

 

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