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Reforma do futebol
Publicado em 18-Abr-2012

(Artigo publicado na revista VOTO, em 11 de abril de 2012)

Os recentes acontecimentos envolvendo a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil e a renúncia do presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira, revelam que temos à nossa frente talvez uma oportunidade única de realizar transformações profundas também no futebol.

Reconhecidamente como o país do futebol, o Brasil convive há muito tempo com problemas amadores do ponto de vista da organização do esporte, cujas raízes estão na mistura de uma cultura prejudicial ao desenvolvimento do futebol como atividade econômica profissionalizada e com estruturas de poder e controle que não se destinam ao benefício da sociedade, mas atendem a interesses particulares.

Nesse sentido, o maior desafio que temos na realização da Copa-2014 no que se refere ao futebol é promover uma ampla reforma no modo como organizamos o esporte no país e também uma reforma na CBF. Em outras palavras, trata-se de um desafio que vai além dos objetivos diretamente ligados à organização da Copa-2014, que são inúmeros e se pautam pela razão maior de sediar o evento: o legado que deixaremos aos cidadãos. Evidentemente, o Brasil tem a responsabilidade primeira de dar o exemplo, realizando uma Copa do Mundo exemplar, que seja marcada pelo alto nível técnico nos gramados e pela excelência e criatividade na organização fora dos campos. Do contrário, vamos comprometer a nossa imagem no mundo e até prejudicar a realização da Olimpíada-2016, no Rio de Janeiro.

Hoje, nossa imagem é boa, graças aos avanços que conquistamos no governo Lula e ao grande sacrifício do nosso povo nas últimas décadas. Nesse período, o Brasil começou a superar a pobreza e o complexo de vira-latas, participando mais ativamente dos fóruns decisórios internacionais, em um movimento que culminou com a escolha do país para sediar a Copa-2014 e a Olimpíada-2016. O mundo espera que façamos uma Copa e Olimpíada de alto nível, e esse é nosso objetivo principal.

A passagem do presidente da FIFA (Federação Internacional de Futebol), Joseph Blatter, pelo país demonstrou que a entidade não está preocupada com atrasos nos estádios brasileiros. Blatter fez a declaração antes mesmo de o Internacional e a construtora Andrade Gutierrez assinarem o contrato para a reforma do estádio Beira-Rio – palco de cinco jogos da Copa.

Mas, independentemente do farto noticiário sobre as idas e vindas de FIFA e as relações com o governo brasileiro, temos a oportunidade de transformar a realidade do futebol no país com uma ampla reforma que pode ensejar mudanças também na entidade maior do esporte, a FIFA. Não é tarefa fácil, pois as estruturas de poder e controle têm raízes profundas, mas é algo que está cada vez mais na nossa pauta.

Assim, é preciso articular o futebol com as políticas de esporte como um todo e com as demais políticas públicas de inclusão social, para que o esporte seja porta de perspectivas à juventude e eixo relevante no processo de formação e educação de nossos jovens e crianças. No futebol, isso é ainda mais importante, pelo potencial de atração que exerce.

Os avanços experimentados pelo Brasil nos últimos anos abrem possibilidades de revermos isso, articulando as políticas públicas para manter e educar nossas crianças, mas também para gestar competições de alto nível de organização, explorando todo nosso potencial hoje mal aproveitado. Modificar o próprio futebol, portanto, é fundamental do ponto de vista social e do desenvolvimento do país, mas isso só será feito se houver participação de toda sociedade neste momento. Só assim conseguiremos transformar profundamente a organização do futebol nacional.

 

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