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Membros da Comisso da Verdade: no h dois lados a investigar
Publicado em 15-Mai-2012
Um destes já foi assassinado, condenado, desaparecido...

Um dia após o surgimento da questão se a Comissão da Verdade nacional deve investigar os dois lados, os assassinos que cometeram seus crimes em nome da ditadura e os militantes que a ela resistiram, dois dos integrantes do órgão, o ex-ministro Paulo Sérgio Pinheiro, e a advogada Rosa Maria Cardoso da Cunha, de forma oportuna e muito convenientemente balizam o papel a ser efetivamente cumprido pela Comissão.

"Não tem essa história de dois lados.O outro lado já foi suficientemente condenado, assassinado, desaparecido, etc. Isso não está em questão, o que está são os fatos que tiveram lugar no período (1946-1988)", esclarece o ex-secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Sérgio Pinheiro em entrevista publicada em O Globo hoje.

Para ele, "os crimes que estão enunciados no artigo 3º da Lei que cria a Comissão são muito claros: torturas, desaparecimentos forçados, assassinatos, quer dizer, a investigação dos fatos e suas circunstâncias. Então não tem essa bobajada de dois lados. Isso não existe, são os fatos e as circunstâncias no período de 1946 a 1988".

Investigar os agentes públicos que cometeram crimes


Na mesma linha, a advogada Rosa Maria Cardoso da Cunha é enfática ao antecipar que a Comissão não vai se limitar apenas a investigar os desaparecimentos de presos políticos no regime e terá, como um de seus principais focos a apuração do envolvimento de agentes públicos nos crimes.

"O Brasil não está inventando, não está inovando institucionalmente quando cria uma Comissão da Verdade. Hoje tem 40 comissões criadas no mundo. Quando criadas oficialmente, elas pretendem rever condutas de agentes públicos. E é isso que fundamentalmente nós vamos rever: condutas de agentes públicos. Vamos fazer isso de uma forma mais tolerante possível e a mais justa", afirmou Rosa em sua despedida dos alunos da Escola de Políticas Públicas e Governo (EPPG), no Rio, onde leciona desde 1995.

Questionada por jornalistas sobre as críticas de militares que acusam a Comissão de não ser imparcial e que até criaram uma comissão paralela em um clube militar para acompanhar os trabalhos da oficial, Rosa Maria rebateu: "É legítimo que eles (os militares) se expressem. Eles gostariam que esse passado fosse passado, que fosse uma página virada. Não é. Eles preferiam que não houvesse essa justiça de transição, mas é uma questão já internacionalizada."

Os da esquerda já foram julgados e, condenados, cumpriram penas


Concordo com as colocações de Paulo Sérgio Pinheiro e Rosa Maria e quero reiterar o que sempre digo em entrevistas e artigos, e escrevo aqui no blog: nós, do outro lado, daqui da esquerda, não temos nada a temer.

Mas, o nosso lado já foi processado, julgado, condenado, e cumpriu as penas a que foi sentenciado na ditadura. Vão ser processados e julgados de novo? O lado, da tortura, do crime, dos assassinatos, do desaparecimento de corpos é que nunca foi julgado, continua aí impune. Até porque nunca assumiu, e ainda reluta em assumir o que fez.

Os sete membros da Comissão da Verdade nacional serão empossados amanhã pela presidenta Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. Mãos à obra, então. Boa sorte no trabalho e que tenham êxito na tarefa de buscar a justiça e de levar a conscientização e a verdade às novas gerações para que aquele período de trevas vivido pelo país não se repita nunca mais.

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