Discurso sem projeto
Publicado em 04-Jun-2012
(artigo publicado no jornal O Tempo em 02.06.2012)
Ao bradar um enfático "Chega de PT", o senador Aécio Neves (PSDB-MG) praticamente se coloca em campanha, antecipando em mais de dois anos seu anseio de ser candidato a presidente, em 2014. É preciso lembrar ao senador que as próximas eleições são em âmbito municipal e que incorporar o papel de candidato não basta; é preciso promover o debate de ideias e a discussão sobre questões de interesse do país.
Em discurso inflamado, mas carente de propostas, o tucano disse que é hora de "Minas comandar o Brasil" - uma afirmação que provoca estranhamento, pois parece equivocado debater o futuro do país a partir da naturalidade de seus possíveis comandantes, afinal, um presidente tem o dever de governar para todo o Brasil.
Contudo, o mais surpreendente foi a sua interpretação para o momento atual. O senador acredita que ainda estamos sob a agenda macroeconômica do governo do PSDB - ideia que sempre repete em seus discursos. Neste caso, vale perguntar se a referência é mesmo o Brasil, pois não dá para ignorar que o modelo iniciado a partir do governo Lula é oposto ao Estado mínimo que os tucanos buscam.
O modelo do PSDB está em xeque, e a crise de recursos do governo Anastasia, sucessor de Aécio, reflete bem isso. Entre 2000 e 2011, segundo levantamento da Câmara dos Deputados, o endividamento de Minas Gerais pulou de R$ 13,6 bilhões para R$ 62,1 bilhões. Faltam recursos para investimentos em obras públicas, saúde e educação, mas não para a criação de cargos que acomodem a ampla frente de aliados que apoiou sua reeleição a governador e a eleição de Aécio ao Senado.
No âmbito nacional, apenas para estabelecer uma contraposição simples, durante a gestão Fernando Henrique Cardoso, o papel do Estado ficou limitado à garantia de liberdade econômica e individual, com adoção de políticas subordinadas às orientações de organismos de fora - como FMI e Banco Mundial -, privatizando as funções do Estado e abstendo-se de cumprir o papel de indutor do desenvolvimento social e econômico.
Os governos Lula e Dilma, por acreditarem que o Estado tem como função promover a igualdade e a liberdade, lançaram iniciativas de planejamento e execução de projetos para indução do desenvolvimento. Através de políticas centradas nos investimentos públicos, na geração de empregos, no fortalecimento do mercado interno, na distribuição de renda e na erradicação da miséria, o Brasil encontrou o caminho do crescimento sustentável e tornou-se capaz de resistir às crises externas. Por isso, a presidente Dilma tem quase 70% de aprovação, e Lula deixou o mandato com 80%.
Evidente que há uma longa trajetória até o Brasil que queremos: mais justo, soberano, de economia dinâmica e oportunidades iguais a todos. Se o senador Aécio quiser seguir discursando, está no direito dele. Mas seria mais pertinente e producente para o país - e para sua candidatura antecipada - apresentar um projeto alternativo ao Brasil real que cresce, se desenvolve e inclui cidadãos.
Ao bradar um enfático "Chega de PT", o senador Aécio Neves (PSDB-MG) praticamente se coloca em campanha, antecipando em mais de dois anos seu anseio de ser candidato a presidente, em 2014. É preciso lembrar ao senador que as próximas eleições são em âmbito municipal e que incorporar o papel de candidato não basta; é preciso promover o debate de ideias e a discussão sobre questões de interesse do país.
Em discurso inflamado, mas carente de propostas, o tucano disse que é hora de "Minas comandar o Brasil" - uma afirmação que provoca estranhamento, pois parece equivocado debater o futuro do país a partir da naturalidade de seus possíveis comandantes, afinal, um presidente tem o dever de governar para todo o Brasil.
Contudo, o mais surpreendente foi a sua interpretação para o momento atual. O senador acredita que ainda estamos sob a agenda macroeconômica do governo do PSDB - ideia que sempre repete em seus discursos. Neste caso, vale perguntar se a referência é mesmo o Brasil, pois não dá para ignorar que o modelo iniciado a partir do governo Lula é oposto ao Estado mínimo que os tucanos buscam.
O modelo do PSDB está em xeque, e a crise de recursos do governo Anastasia, sucessor de Aécio, reflete bem isso. Entre 2000 e 2011, segundo levantamento da Câmara dos Deputados, o endividamento de Minas Gerais pulou de R$ 13,6 bilhões para R$ 62,1 bilhões. Faltam recursos para investimentos em obras públicas, saúde e educação, mas não para a criação de cargos que acomodem a ampla frente de aliados que apoiou sua reeleição a governador e a eleição de Aécio ao Senado.
No âmbito nacional, apenas para estabelecer uma contraposição simples, durante a gestão Fernando Henrique Cardoso, o papel do Estado ficou limitado à garantia de liberdade econômica e individual, com adoção de políticas subordinadas às orientações de organismos de fora - como FMI e Banco Mundial -, privatizando as funções do Estado e abstendo-se de cumprir o papel de indutor do desenvolvimento social e econômico.
Os governos Lula e Dilma, por acreditarem que o Estado tem como função promover a igualdade e a liberdade, lançaram iniciativas de planejamento e execução de projetos para indução do desenvolvimento. Através de políticas centradas nos investimentos públicos, na geração de empregos, no fortalecimento do mercado interno, na distribuição de renda e na erradicação da miséria, o Brasil encontrou o caminho do crescimento sustentável e tornou-se capaz de resistir às crises externas. Por isso, a presidente Dilma tem quase 70% de aprovação, e Lula deixou o mandato com 80%.
Evidente que há uma longa trajetória até o Brasil que queremos: mais justo, soberano, de economia dinâmica e oportunidades iguais a todos. Se o senador Aécio quiser seguir discursando, está no direito dele. Mas seria mais pertinente e producente para o país - e para sua candidatura antecipada - apresentar um projeto alternativo ao Brasil real que cresce, se desenvolve e inclui cidadãos.
15/06/2012 23:27
[Sergio Uliano]
O modelo neoliberal ( desregulamenta~so ,flexibilizao ,privatizao ) acabou por acelerar a crise geral do capitalismo amputando-lhe o brao moral ao jogar milhes na pobreza na Europa e USA..
Cumpre agora consumar o funeral do neoliberalismo e acumular foras contra as ameaas de guerras agressivas que esto sendo praticadas e renovadas pelo capitalismo
acuado e em crise...
Cumpre agora consumar o funeral do neoliberalismo e acumular foras contra as ameaas de guerras agressivas que esto sendo praticadas e renovadas pelo capitalismo
acuado e em crise...
04/06/2012 19:35
[Gika]
Excelente artigo. Uma viso realialista e clara do Brasil nos ltimos 20 anos. Somente um parntese: o governo Dilma precisa analisar com profundidade e pensar a longo prazo com relao a terceirizao do SUS. Algumas medidas de governo podem ser irreparveis.



Comentrios[2]