Ataque ao custo produtivo
Publicado em 14-Jun-2012
(artigo publicado no jornal Brasil Econômico em 14.06.2012)
A economia brasileira tem o nada modesto desafio de chegar a 2014 em um patamar de investimentos entre 22% e 25% sobre o PIB. Tal meta é importante para seguirmos crescendo entre 4% e 6% ao ano. Hoje, o cenário nebuloso pode nos levar a pensar que não conseguiremos.
Assim, reverter esse processo passa por buscar a formação de dois eixos pró-investimento: um sócio-político-governamental; o outro, privado.
De fato, os dados recentes revelam que o investimento total caiu de 19,2% para 18,7% do PIB nos últimos dois anos, quando atravessava uma trajetória de elevação.
Há duas razões essenciais: o ambiente externo, de prognósticos desanimadores para o nível da atividade econômica e para a continuidade da crise mais aguda na Europa, que aumentam as dúvidas no empresariado, desestimulando-o a investir; e o "custo de produção", que no Brasil é oneroso, regressivo e leva a iniciativa privada a demorar mais para investir, esperando oportunidades com maior garantia de retorno.
No plano internacional, pouco podemos atuar, mesmo com o governo da presidente, Dilma Rousseff, adotando políticas para minimizar os efeitos da crise em nossa economia - como as medidas cambiais, de estímulo ao consumo ou de auxílio à indústria.
Mas podemos acelerar nossa trajetória, atuando sobre o custo da produção. E a medida principal para isso é reformar o sistema tributário. O cerne da reforma - unificar a alíquota do ICMS e cobrá-lo no local de consumo - depende do envolvimento dos governadores.
Mas isso também é positivo: permite a costura de um pacto com outras questões, como os royalties do petróleo, os critérios dos Fundos de Participação de Estados e Municípios, desenvolvimento regional e local e ainda as dívidas estaduais.
Esse conjunto de inovações tributárias é fundamental para criar um ambiente mais favorável aos negócios.
Há outras iniciativas que colaboram para isso. É o caso da ampliação dos investimentos públicos em infraestrutura, possibilitada pela recente política de corte nos juros e redução do serviço da dívida, que sinaliza ao empresariado uma logística futura melhor.
O governo federal pode estender sua ação nessa frente, sem dúvida, fazendo crescer o nível de investimento público.
Mas há um arco importante, que é a iniciativa privada, a maior das fontes de investimentos.
E o momento não é de retardar investimentos, até porque no horizonte está a formação de novas cadeias produtivas, com estímulo ao conteúdo nacional - inclusive para a maturação do pré-sal.
Somos uma economia sólida, de mercado interno robusto e crescente, grande dinamismo e baixo desemprego.
Há poucos cenários hoje tão promissores quanto o nosso, com potencial ainda maior se pensarmos na integração sul-americana, com Mercosul e a criação do Eximbank.
Se houver um esforço concentrado, de um lado, entre sociedade-governadores-governo federal para aprovar a reforma tributária; e, de outro, entre sociedade-empresariado-governos para ampliar os investimentos, ante as oportunidades que o país apresenta, o Brasil terá vencido uma importante batalha na guerra pela queda em seu custo de produção.
A economia brasileira tem o nada modesto desafio de chegar a 2014 em um patamar de investimentos entre 22% e 25% sobre o PIB. Tal meta é importante para seguirmos crescendo entre 4% e 6% ao ano. Hoje, o cenário nebuloso pode nos levar a pensar que não conseguiremos.
Assim, reverter esse processo passa por buscar a formação de dois eixos pró-investimento: um sócio-político-governamental; o outro, privado.
De fato, os dados recentes revelam que o investimento total caiu de 19,2% para 18,7% do PIB nos últimos dois anos, quando atravessava uma trajetória de elevação.
Há duas razões essenciais: o ambiente externo, de prognósticos desanimadores para o nível da atividade econômica e para a continuidade da crise mais aguda na Europa, que aumentam as dúvidas no empresariado, desestimulando-o a investir; e o "custo de produção", que no Brasil é oneroso, regressivo e leva a iniciativa privada a demorar mais para investir, esperando oportunidades com maior garantia de retorno.
No plano internacional, pouco podemos atuar, mesmo com o governo da presidente, Dilma Rousseff, adotando políticas para minimizar os efeitos da crise em nossa economia - como as medidas cambiais, de estímulo ao consumo ou de auxílio à indústria.
Mas podemos acelerar nossa trajetória, atuando sobre o custo da produção. E a medida principal para isso é reformar o sistema tributário. O cerne da reforma - unificar a alíquota do ICMS e cobrá-lo no local de consumo - depende do envolvimento dos governadores.
Mas isso também é positivo: permite a costura de um pacto com outras questões, como os royalties do petróleo, os critérios dos Fundos de Participação de Estados e Municípios, desenvolvimento regional e local e ainda as dívidas estaduais.
Esse conjunto de inovações tributárias é fundamental para criar um ambiente mais favorável aos negócios.
Há outras iniciativas que colaboram para isso. É o caso da ampliação dos investimentos públicos em infraestrutura, possibilitada pela recente política de corte nos juros e redução do serviço da dívida, que sinaliza ao empresariado uma logística futura melhor.
O governo federal pode estender sua ação nessa frente, sem dúvida, fazendo crescer o nível de investimento público.
Mas há um arco importante, que é a iniciativa privada, a maior das fontes de investimentos.
E o momento não é de retardar investimentos, até porque no horizonte está a formação de novas cadeias produtivas, com estímulo ao conteúdo nacional - inclusive para a maturação do pré-sal.
Somos uma economia sólida, de mercado interno robusto e crescente, grande dinamismo e baixo desemprego.
Há poucos cenários hoje tão promissores quanto o nosso, com potencial ainda maior se pensarmos na integração sul-americana, com Mercosul e a criação do Eximbank.
Se houver um esforço concentrado, de um lado, entre sociedade-governadores-governo federal para aprovar a reforma tributária; e, de outro, entre sociedade-empresariado-governos para ampliar os investimentos, ante as oportunidades que o país apresenta, o Brasil terá vencido uma importante batalha na guerra pela queda em seu custo de produção.
15/06/2012 17:01
[Dora]
Acho admirvel, sua percepo dos problemas, desafios, gargalos, os conhecimentos dos dados macroeconmicos, das dificuldades e implicaes do cenrio interno com o externo e, sobretudo, do posicionamento otimista, com realismo - propostas e sugestes adequadas e factveis, baseadas na experincia e bom senso.
15/06/2012 14:15
[Sergio Uliano]
importante sim a criao de novas riquesas ( crescimento ) mas devemos ter sempre presente que a distribuio de riqueza e de renda so ,por si, forte fator de crescimento.
Um imposto sobre grandes fortunas e providncias do gnero so tambm decisivos para alavancar o crescimento.
Um imposto sobre grandes fortunas e providncias do gnero so tambm decisivos para alavancar o crescimento.



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