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Sondagem traz tona retrao nos investimentos
Publicado em 20-Jun-2012
Mas medidas do governo devem reverter situação a partir de agora... Sondagem da FGV-SP revela que a percepção da indústria em relação ao ambiente para realização de investimentos na ampliação da capacidade produtiva está ruim e chegou ao pior resultado desde 2009. De acordo com o levantamento, o percentual de empresas que afirmam encontrar algum tipo de dificuldade aumentou de 33%, em 2011, para 43%. Em 2009, afetadas pela crise internacional, 87% das empresas encontravam entraves para a realização de investimentos. A pesquisa da FGV expressa a realidade e a atual conjuntura econômica com suas implicações na indústria.

Os indicadores mostram a queda do consumo, as incertezas a nível mundial, a redução dos juros e impostos internamente, a queda do nível de investimentos públicos e a morosidade no pagamento dos restos a pagar do PAC... isso, sem falar no ambiente de desconfiança em nível internacional e na queda da oferta de crédito aqui e lá fora, por medo de um agravamento da crise europeia e de default coletivo dos bancos na Espanha e Itália. Para não falar da questão grega.

Em análise publicada hoje na Folha, o economista Thovan Tucakov reconhece que a incerteza do empresariado acerca da demanda foi um dos principais fatores que limitaram a realização de investimentos no setor industrial, mas aponta para uma perspectiva positiva, ao escrever que as medidas de estímulo implementadas pelo governo desde o ano passado devem começar a provocar efeito mais significativo sobre a demanda daqui para a frente. A FGV-SP fez as entrevistas para o trabalho que acaba de divulgar nos meses de abril e maio, quando as perspectivas para o futuro pareciam mais sombrias do que aparentam ser hoje.

Os resultados da sondagem, por indicador

O fator mais citado como entrave é a limitação de recursos da empresa, mencionado por 46% do total das empresas que participaram da sondagem. Um aumento de 12 pontos percentuais em relação ao ano anterior e a maior proporção da série histórica, iniciada em 2004.

Em 2º lugar é citada a carga tributária elevada, apontada por 35% das empresas. Mas aqui houve um progresso em relação a 2011, quando 42% citaram a carga tributária como entrave para crescer. Outro entrave, em 3º lugar, são as incertezas acerca da demanda, com um aumento de 15 pontos percentuais em relação ao ano passado, ao passar de 19% para 34% (50% em 2009).

A importância da campanha iniciada pela presidenta Dilma pela queda dois juros aparece no indicador “custo de financiamento”, elemento identificado por 26% das empresas como o maior inibidor para a realização de novos investimentos. Mas já houve uma queda em relação ao ano passado, que 33% indicavam este como um problema impode 2011. O item taxa de retorno inadequada foi citado por 22% da empresas, 3 pontos percentuais acima de 2011 e a maior proporção da série histórica.

A pesquisa também questionou quais os principais motivos que estimulam a investir neste ano. A resposta mais comum foi o aumento da eficiência produtiva, citado por 35% das empresas, proporção superior aos 33% apurados no ano anterior e similar à observada em 2009 (36%).

Já a expansão da capacidade produtiva perdeu o primeiro posto dos anos anteriores e foi a resposta de 30% das empresas. Majoritária em anos de maior crescimento dos investimentos do setor industrial, a expansão da capacidade havia sido o principal motivo para a realização de investimentos produtivos em 2010 e 2011 (com 40% e 36%, respectivamente). "O resultado, portanto, sinaliza a diminuição gradual do investimento em capital fixo nos dois últimos anos", diz a FGV.

A proporção de empresas que afirmam estar sem programa de investimentos avançou de 16% para 19% do total entre 2011 e 2012, o maior número desde 2009 (26%). Já parcela das que citaram substituição de máquinas e/ou equipamentos como principal objetivo aumentou de 15% para 16% entre 2011 e 2012.

A Sondagem de Investimentos é um levantamento estatístico trimestral que fornece sinalizações sobre o rumo dos investimentos produtivos no setor industrial. A pesquisa foi feita entre 04 de abril e 29 de maio com 879 empresas.
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