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Os pretextos para o golpe contra o presidente Lugo
Publicado em 22-Jun-2012
Vejam o que dizem as lideranças paraguaias…

Golpe de Estado. Assim, corretamente, acusam os manifestantes, reunidos aos milhares, em Assunção, nesta sexta-feira, na praça em frente ao prédio do Congresso, para resistir ao processo de impeachment que a direita conservadora paraguaia (que tem maioria no Parlamento) tenta impingir ao mandato democrático do presidente Fernando Lugo.

As acusações das oligarquias e dos partidos conservadores deixam claro o que realmente os incomoda no país vizinho: acusam-no de ter estreitos vínculos com os movimentos sociais no país; de falta de ação contra a invasão de terras; de ser responsável pelo aumento da violência no país, de não ter tido vontade política para combater os guerrilheiros do EPP (Exército do Povo Paraguaio).

O presidente paraguaio é, também, responsabilizado pelas mortes registradas há uma semana durante reintegração de posse uma fazenda no interior do país (pretexto que desencadeou o pedido de impeachment). Eles criticam ainda a decisão do presidente de ratificar o chamado protocolo de Ushuaia 2, de dezembro de 2011, que prevê intervenção externa caso uma democracia esteja em perigo.

Confiram, aqui, o que dizem as lideranças de esquerda do país:

Najib Amado
(Secretário-geral do Partido Comunista Paraguaio)

“O processo de impeachment foi aprovado de forma acelerada. Isso deixa claro que se trata de um golpe de Estado. Há muita gente chegando do interior para resistir. O governo tem apoio nos setores populares. O golpe não representa nem mesmo a base social dos partidos de direita. Já estão em Assunção representantes do Foro de São Paulo (articulação de partidos de esquerda da América Latina) e logo mais chegam os ministros das Relações Exteriores da Unasul (Brasil, Equador, Bolívia, Colômbia e Uruguai).

Os meios de comunicação fazem coro com os golpistas. Ao longo das últimas semanas difundiram notícias alarmistas e deram voz apenas aos parlamentares que tentam derrubar o presidente. Até agora, pelo menos oficialmente, as forças armadas não se pronunciaram. A polícia montou um aparato de segurança em torno do Congresso, mas não há violência nas ruas”.

Ramón Molina
(Secretário do Partido Popular Convergência Socialista e dirigente camponês)
“Estamos diante de um golpe de Estado patrocinado pelos grandes proprietários de terra do país. Mas começa a haver protestos em todo o país. No final da tarde já havia cerca de duas mil pessoas em frente ao Congresso, que está fortemente policiado. É uma mobilização pacífica. O presidente está no palácio, com seus auxiliares, avaliando a situação. Uma garantia ele já deu: não renunciará. Faltam dez meses para o final do mandato. Nossa maior esperança é conseguirmos aumentar a mobilização popular, isolar os golpistas internacionalmente e mostrarmos que se pretende interromper um processo iniciado com a eleição de Fernando Lugo, em 2008”.
 
Martin Almada
(Ativista de direitos humanos)
“O Paraguai vive um golpe de Estado de direita. O processo foi aprovado na Câmara dos Deputados e chegou ao Senado de forma acelerada. O senador colorado Juán Carlos Galaverna, de oposição, pressiona para apressar os fatos. A intenção é clara: evitar que camponeses ou defensores do governo resistam ao golpe. As traições à Aliança Patriótica (frente que elegeu Lugo em 2008) são escandalosas. Carlos Filizzolla, ex-ministro do Interior (que caiu após os conflitos de terra da semana passada), acaba de se reintegrar ao Senado e fez uma firme defesa do governo. O tempo regulamentar até a decisão é, agora, de dois dias. Trata-se de uma grande jogada do vice-presidente Frederico Franco (do PLRA) para ficar com o poder”.

(Leia o texto da BBC Brasil publicado pela Agência Brasil sobre os pretextos para o golpe: Parlamentares paraguaios fazem cinco acusações contra Lugo; e também o que dizem as lideranças publicado no portal Carta Maior).

(Para entender o ponto de partida para a ação dos conservadores agora, leia aqui sobre os acontecimentos de 15 de junho, que teria servido como estopim para as atividades golpistas).

(Leiam também, na Carta Maior, a análise do professor Luciano Wexell Severo, Professor Visitante da Universidade da Integração Latino-Americana (UNILA) Deter o golpe no Paraguai).

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