Por Moacyr Oliveira Filho
O dia em que o Corinthians conquistou a América e fez história
Uma linda e deslumbrante Lua de São Jorge brilhava nos céus de São Paulo e iluminava o Pacaembu às 23h53 do dia 4 de julho de 2012, onde 40 mil corinthianos, que representavam os mais de 30 milhões de loucos espalhados pelo Planeta, delirantemente extasiados e enlouquecidos, comemoravam o fim de mais um martírio e transformavam o velho e aconchegante Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, num verdadeiro Sanatório Geral.
Exatamente às 23h53 do dia 4 de julho de 2012, o Corinthians reescrevia a história, conquistava a tal Libertadores da América e se libertava de mais uma maldição, assim como já havia feito, anos antes, na noite do dia 13 de outubro de 1977.
A partir de agora, o 4 de julho não será mais conhecido como o Dia da Independência dos Estados Unidos, mas sim como o Dia da Independência da República Popular do Corinthians!
O Corinthians esperou 52 anos para ganhar a Taça Libertadores da América. Afinal, a Libertadores é disputada desde 1960. Ou para ser mais preciso, esperou 35 anos. Já que a primeira vez que o Corinthians participou desse torneio foi em 1977. E não 102 anos, como diziam os corvos, abutres e secadores de todos os matizes e todas as camisas.
Mas, quando ganhou, o fez em grande estilo. Como é do seu feitio e da sua tradição.
O Corinthians não é um time comum. É um time que veio para romper barreiras, para superar obstáculos, para fazer história.
O Corinthians foi campeão invicto da Libertadores de 2012, coisa que apenas um time brasileiro havia conseguido e na época em que o torneio tinha um formato menor que o atual – o Santos de Pelé, em 1963. Na época, o Santos fez apenas 4 jogos para ser campeão.
O último campeão invicto havia sido o Boca Juniors, em 1978. E, além de Santos e Boca, apenas o Independiente, em 1964, o Estudiantes, em 1969 e 1970 e o Peñarol, em 1960, na primeira edição do Torneio, conseguiram ser campeões invictos. Todos esses times foram campeões com menos jogos que o Timão – o Penãrol fez 6 jogos, em 1960; o Independiente, 8 jogos, em 1974; o Estudiantes, 4 jogos, em 1969, e 4 jogos, em 1970; e o Boca, 6 jogos em 1978.
Este ano, o Corinthians fez 14 jogos. Haja diferença!
Além disso, o Corinthians foi campeão contra o poderoso e tradicionalíssimo Boca Juniors, coisa que nenhum time brasileiro, exceto o Santos, em 1963, havia conseguido. O Boca ganhou 4 finais de times brasileiros – Grêmio, em 2007; Santos, em 2003; Palmeiras, em 2000; e Cruzeiro, em 1977.
Ao contrário do Corinthians, campeão contra o Boca, os outros times brasileiros campeões da Libertadores ganharam seus títulos contra times de menor expressão no cenário futebolístico latino-americano. Exceções são o Santos, de Pelé, que ganhou do Peñarol e do Boca; o Cruzeiro, que ganhou do River Plate; e o Grêmio, que ganhou do Peñarol.
O Palmeiras ganhou do Deportivo Cali, da Colômbia. O Vasco da Gama ganhou do Barcelona de Guayaquil, do Equador. O Flamengo ganhou do Cobreloa, do Chile. O Cruzeiro ganhou do Sporting Cristal, do Peru. O Grêmio ganhou do Atlético Nacional, da Colômbia. O São Paulo ganhou do Atlético Paranaense, do Universidade do Chile e do Newells Old Boys, da Argentina. O Internacional ganhou do Chivas Guadalajara, do México, e do São Paulo.
Ou seja, exceto o Grêmio, que ganhou do Peñarol; o Cruzeiro, que ganhou o River Plate; o Internacional, que ganhou do São Paulo; e o Santos, que ganhou do Boca, na Era Pelé, e do decadente Peñarol, no ano passado, todos os títulos de times brasileiros foram contra adversários que nunca haviam sido campeões da Libertadores.
O Corinthians quebrou seu jejum e quebrou como gosta de fazer: fazendo história, quebrando tabus, batendo recordes.
Moacyr Oliveira Filho é jornalista e cidadão da nação corinthiana.



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