Eleonora Rosset
Eleonora Rosset
“Quem sou eu?”
Essa é a pergunta que Peter Parker se faz desde aquela noite triste e inesquecível. O escritório do pai cientista vandalizado, ele recolhendo papéis de um lugar secreto, apagando seus últimos cálculos da lousa e, com o filho e sua mãe assustada, deixando a casa às pressas.
Na casa do tio Ben e da tia Amy, aquelas palavras difíceis de ouvir:
“Você vai ficar aqui. Comporte-se meu filho.”
E ele nunca mais viu seu pai e sua mãe. Tinha pouco mais de 6 anos.
Cresceu tímido mas uma qualidade o distinguia dos outros meninos do colégio. Ele sempre protegia os mais fracos.
E foi assim que se aproximou de Gwen. Depois daquela briga com Flash, o garoto atrevido que liderava a turma da baderna, zoneando um garoto menor que eles.
Sempre com seu skate a tiracolo e a máquina fotográfica , Peter Parker (Andrew Garfield, convincente e comovente) se encanta com aquela mocinha bela, simpática e segura de si (Emma Stone), que o olha com seus olhos azuis sorridentes.
Como vocês podem ver, a história do Homem Aranha é contada agora de um modo diferente da versão de 2002.
O que vai ser o foco da trama é a procura de si mesmo. “O quem sou eu” é a pergunta que Peter Parker vive se fazendo, antes mesmo de ser mordido pela famosa aranha e desenvolver características de força e equilíbrio aracnídeos.
Ele é um garoto bom, tem princípios e não se conforma com a perseguição da policia e a ideia de ser um criminoso. Ele se vê como sempre foi: um vigilante do bem.
Obedecer ao pai desaparecido, exercer a responsabilidade de que ele tanto falava, mantinha o pai vivo em sua mente, fiel à promessa que fizera a ele.
Apesar do carinho do tio Ben (Martin Sheen, ótimo) e da tia Amy (Sally Fields), ele não se cansa de procurar investigar porque o pai desapareceu.
Quem o escuta e aconselha é Gwen, que ele visita entrando pela janela do seu quarto.
O passeio noturno através das luzes de Nova Iorque no balanço das teias que o Aranha vai tecendo, embala os dois num doce romance, criado pelo diretor Mark Webb, em seu segundo longa. Quem já viu “500 Dias com Ela”- “(500) Days of Summer” de 2009, sabe que para Webb a adolescência é o lugar privilegiado do romance e da busca de identidade.
E são essas características que fazem o personagem dos quadrinhos se tornar simpático para as plateias e por isso estar batendo recordes de bilheteria por onde passa. Afinal ele é o único super-heroi que é humano, jovem e romântico. A aranha só dá mais charme e força ao garoto.
As lutas do final do filme agradam a quem gosta de ação e o 3D é usado para dar um frio na barriga da gente cada vez que ele dá um pulo no escuro.
Não percam a cena surpresa final, depois dos créditos, onde se pode adivinhar que, na sequência, grandes desafios esperam o Homem Aranha que tem verdadeira adoração pelo pai desaparecido.
O filme é um espetáculo mesmo para quem não tem especial predileção por filmes de super-herois.
O Homem Aranha comove. E isso é uma novidade bem-vinda nesse gênero de filme.
Eleonora Rosset é psicanalista.
“The Amazing Spider Man”
Estados Unidos, 2012
Direção: Mark Webb
Em cartaz, confira o trailer.
Direitos Humanos e Sociedade
Eleonora Rosset
Leonardo Boff
Eleonora Rosset
Leonardo Boff
Eleonora Rosset
Eleonora Rosset
Leonardo Boff
Eleonora Rosset
Leonardo Boff
veja mais [+]


