(artigo publicado no jornal Brasil Econômico em 19.07.2012)
Crescem as preocupações com o nível de crescimento para 2012, projetado pelo mercado em 1,9%, especialmente em virtude da demora da indústria em responder às medidas que o governo federal vem adotando.
Alguns analistas sustentam que isso demonstra um esgotamento da capacidade brasileira de crescer com base no consumo. Mas questão crucial é o baixo patamar de investimento - de 19,3% em 2011, segundo o IBGE -, ainda distante da faixa entre 22% e 25% do PIB, nível em que podemos sustentar taxas anuais de crescimento de até 4,5%.
A piora na confiança dos agentes econômicos se soma às incertezas internacionais, pois a China ensaia um pouso gradual nos próximos anos, os Estados Unidos patinam para reanimar a atividade econômica e a Europa insiste numa receita recessiva de aperto fiscal.
Não por outros motivos, o FMI prevê crescimento mundial menor do que no início do ano - agora, fala em 3,5%. Nesse contexto, não há como esperar soluções mágicas ou de grande impacto no curto prazo, e é justamente esse cenário que tem freado os investimentos.
A bem da verdade, o conjunto de medidas que o governo vem anunciando desde abril - algumas das quais esperam a aprovação do Congresso Nacional - é esforço cujos efeitos somente devem ser sentidos a partir do ano que vem.
O mesmo ocorre com as concessões nas áreas de rodovias, ferrovias, aeroportos e energia elétrica, com potencial de atração de novos investimentos, mas com maturação de médio prazo.
O momento, portanto, é de intensificar os esforços empreendidos até aqui para criamos as condições propícias a uma taxa de investimento maior, visando um crescimento em torno de 4,5%.
Nesse sentido, torna-se ainda mais fundamental aproveitar o atual momento para aprofundar a trajetória de redução dos juros. Se queremos ingressar em outro patamar de desenvolvimento, não podemos mais conviver com o descompasso de termos uma das mais elevadas taxas de juros reais do mundo.
É preciso superar, em definitivo, essa herança dos anos 1990, quando prevalecia o receituário neoliberal. Os juros reais hoje no Brasil são de 3,2%, o terceiro maior do mundo quando mais da metade dos países pesquisados opera com juro real negativo.
É preciso, assim, manter a prioridade que o Banco Central vem dando aos cortes de juros, para que criemos um ambiente favorável à expansão do investimento a partir do crédito mais acessível, capaz de substituir a rentabilidade das aplicações financeiras que, hoje, são mais atraentes e acabam por travar nossa expansão.
Uma política de juros reais baixos ajuda também a equacionar nossos problemas com o câmbio apreciado e a reduzir a dívida atrelada à Selic, abrindo espaço para mais investimentos públicos.
Se associarmos esse movimento de busca de juros reais compatíveis com nossa economia à intensificação dos estímulos tributários que vêm sendo direcionados para os setores de tecnologia, inovação e industrial, e se fizermos um esforço legislativo para reformar nosso sistema tributário que onera o custo de produção, estaremos plantando a semente de um novo ambiente de negócios no país em alguns anos.


