(artigo publicado no jornal Brasil Econômico em 26.07.2012)
Há certo fatalismo nas análises sobre a indústria nacional, que não estaria reagindo às medidas adotadas pelo governo. As quedas na produção industrial preocupam, porque reforçam um cenário de crescimento aquém do esperado em 2012, na casa dos 2%, além de demonstrar que ainda persistem as incertezas e receio a investir.
De fato, a mais recente pesquisa da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) aponta que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) caiu 2,8 pontos de junho a julho - para 53,3.
O primeiro dado a se considerar é que, mesmo em um cenário adverso, teremos crescimento. É verdade que no início do ano as expectativas eram mais animadoras, mas não podemos ser levianos e pretender que a maior crise econômica internacional desde 1929 não afete nossa economia.
Logo, não podemos nos contentar com um crescimento baixo, mas o atual momento requer análises e ajustes finos constantes.
Portanto, não se trata apenas da conjuntura interna: a demanda mundial está desaquecida, marcada por intensas disputas comerciais e tendência protecionista.
Ainda no quadro externo, a redução do ritmo de crescimento da China acentua o ambiente de retração internacional, tornando mais prudente a atitude dos investidores. Em suma, o mundo vai crescer menos em 2012, não apenas o Brasil.
A segunda questão é que os efeitos das medidas de auxílio à indústria serão sentidos no segundo semestre.
De um lado, os cortes nas taxas de juros, numa trajetória consistente e constante há quase um ano, irão se sobrepor no vetor de oferta de crédito maior e mais acessível - com oferta de crédito maior pelo BNDES e, ainda que timidamente, os bancos acompanhando a trajetória de corte nos juros.
De outro lado, medidas ligadas à produção, como desonerar a folha de pagamento, cortar impostos para diversos setores, baratear o crédito e redirecionar compras para bens produzidos internamente.
Nosso grande nó é aumentar os investimentos e acelerar os programas e as obras de infraestrutura, para abater o custo de logística e melhorar o setor produtivo. É imprescindível ampliar a taxa de investimento público sobre o PIB, usando o espaço aberto pela Selic menor, bem como melhorar a gestão desses programas.
Para tanto, é preciso superar a busca de um superávit primário - totalmente extemporâneo - e de um déficit nominal cada vez mais próximo de zero. Afinal, a hora é de dinamizar a economia e reanimar a indústria.
Faz-se crucial um esforço para negociação da reforma tributária, importante eixo para o setor industrial e antigo entrave ao país. Para os estados, é importante que ocorra junto com a renegociação de suas dívidas e da partilha do Fundo de Participação dos Estados e dos royalties do petróleo.
Consolidada a etapa atual, de corte nos juros e melhor equilíbrio cambial, é preciso avançar na redução dos custos, com destaque para os setores de energia, transporte e tributário.
Se não dissolvermos os nós de infraestrutura e investimentos, com o governo tomando a dianteira nesse processo, estaremos adiando uma importante etapa do nosso projeto de desenvolvimento nacional.


