João Guilherme
João Guilherme
Tenho participado em várias oficinas de trabalho e plenárias estaduais da Força Sindical em todo o Brasil organizadas pelo secretário de relações sindicais Geraldino dos Santos Silva.
As reuniões destinam-se a unificar as ações das entidades, revigorá-las e começar, desde já, a preparar o 7º Congresso da Força Sindical.
Nas oficinas são apresentados estudos do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócioeconômicos) nacional por Airton dos Santos e das seções locais do Dieese e desenvolve-se o conceito de OMA – Organização Mobilização e Ação – com os companheiros Hugo Perez e Antônio Magri; estão previstos também trabalhos sobre comunicação, a cargo do jornalista João Franzin.
Em todos os eventos, com o desempenho dos auxiliares locais da direção nacional, com o dos dirigentes estaduais e a convincente participação de outros dirigentes nacionais, o comparecimento tem superado as expectativas e em alguns casos há grande repercussão na mídia e na vida sindical local.
O mais recente deles foi em Fortaleza com a presença maciça de agricultores familiares, de pescadores e de trabalhadores da construção pesada, além de outras categorias.
Na oficina do Ceará, o coordenador do escritório regional do Dieese Reginaldo de Aguiar Silva apresentou o quadro conjuntural da economia cearense e a evolução da mão de obra no estado.
Segundo a informação de Reginaldo – fato que merece ser destacado – o crescimento do PIB do Ceará tem sido, nos últimos anos, superior ao crescimento do PIB brasileiro, mas o crescimento do PIB per capita tem sido bem mais lento que o crescimento do mesmo indicador no Brasil.
À primeira vista, tal resultado explica-se pela estrutura muito negativa do mercado de trabalho no Ceará (desemprego, informalidade e autônomos), pelo padrão de investimentos e empreendimentos que garantem crescimento mas não desenvolvimento e pela relativa fragilidade das políticas públicas estaduais.
Estas hipóteses prévias poderão ser testadas quando conseguirmos ampliar o estudo para outros estados do nordeste e do Brasil.
A descoberta de Reginaldo acende uma luz vermelha para o movimento sindical do Ceará e é um alerta para quem o dirige.
João Guilherme Vargas Netto é consultor sindical.
Movimento Sindical
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