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Este é um ano especial na trajetória política e pessoal do petista Rodrigo Abel. Ele estreia nas urnas como candidato à Câmara Municipal do Rio de Janeiro. É uma disputa para a qual se preparou a vida toda, segundo afirma. Além disso, aos 36 anos, Abel será pai pela primeira vez e aguarda, com muita alegria, a chegada da Maria Laura em dezembro.
Nascido em Porto Alegre (RS), Abel cresceu em uma família de classe média que não tinha relação com o PT. Filho de militar, sua descoberta da política se deu no movimento estudantil, aos 14 anos, quando das mobilizações do Fora Collor, no início dos anos 90.
Graduado em Economia pela PUC-RS, Abel foi presidente da União Estadual dos Estudantes Universitários do Rio Grande do Sul e em 1998 assumiu uma vaga na Diretoria da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Em 2001, foi eleito secretário nacional da Juventude do PT (JPT). Em 2002, Abel participou ativamente da coordenação da campanha do ex-presidente Lula contribuindo com a temática da juventude. Após as eleições, já trabalhando no governo Lula, ele participou da articulação da Política Nacional de Juventude e suas instâncias. Em 2007, após participar da campanha pela reeleição do presidente, o jovem se mudou para o Rio de Janeiro.
Com a bagagem acumulada, aceitou um novo desafio como superindentente estadual de Políticas de Juventude da Secretaria de Assistência Social do governo Sérgio Cabral chefiada, então, pela hoje deputada Benedita da Silva (PT-RJ). Em 2010, foi promovido a Chefe de Gabinete da Secretaria de Assistência Social e de Direitos Humanos do Estado.
Ano passado, conta, o partido lhe deu um desafio que há muito Abel aguardava: mostrar a que veio disputando as urnas em outubro. Acompanhem a entrevista.
Escolha pela vida política
Estou me sentindo como aquele atleta que desembarca em Londres. O cara se preparou a vida inteira para disputar uma Olimpíada. Eu me preparei a vida inteira para disputar essa eleição. A cidade do Rio precisa respirar novos ares na política. Eu sou muito novo para fazer política velha. Posso contribuir muito e minha eleição reforça a relação entre o governo municipal e o federal. Estou muito preparado, viajei o país inteiro nos últimos anos lutando pela universidade pública. Fiz burocracia partidária, conheço o meu partido, conheço os governos Federal e Estadual. Estou preparado para o legislativo na capital carioca. Já sobre minhas razões para estar no PT, elas são óbvias para mim. O PT é o partido do povo, das massas, dos trabalhadores, dos movimentos sociais. É o único que consegue discutir unificadamente o ser humano. Conta com pessoas que debatem deficiência, igualdade racial e de gênero etc. É o partido das causas populares.
Bandeiras
Quando um presidente se dá bem com um prefeito entrosado com o governador e todos eles comungam de um mesmo sonho e uma mesma estratégia, isso é bom para a população. O Rio vem experimentando isso ao longo dos últimos anos. Agora, se essa aliança serve para trazer a Copa do Mundo e as Olimpíadas, ela precisa servir também para romper com o caos que é o ensino médio no Estado do Rio. Hoje, 45% dos nossos jovens não estão concluindo o ensino médio. Eles abandonam a escola para trabalhar. O Rio vive um período de pleno emprego, com grandes investimentos por conta dos jogos mundiais. Mas, o que acontecerá com a cidade depois de 2016? E, sobretudo, o que acontecerá com esses jovens que estão abandonando a escola para ir para a construção civil? Hoje, a construção civil paga R$ 1.600 – São Paulo, R$ 1.300. Depois, quando acabarem os eventos, esses jovens não serão mais jovens. Serão chefes de família. E quando forem buscar ocupação não haverá mais o boom da construção civil de agora. E aí, o mercado cobrará deles aquilo que é fundamental, o mínimo razoável para ter uma ocupação com dignidade: o ensino médio.
Promover o Pronatec
Eu quero promover o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC), o diálogo das políticas públicas entre prefeito, governador e presidenta para fazer com que os jovens não abandonem o ensino médio. Esse é um ponto que tem a ver com o futuro da cidade pós 2016.
Outro ponto é o problema da mobilidade urbana e do transporte público na cidade. Precisamos organizar o transporte oficial e o alternativo de forma definitiva. Em relação à Saúde, nós temos de ter coragem de remunerar melhor os médicos e contratar mais gente. Nós temos uma infraestrutura boa, a aliança entre os governos Cabral, Eduardo e Lula-Dilma gerou muita infraestrutura nos hospitais, postos de Saúde, as UPAS… Mas o sistema está oco porque não tem médicos.
Rio, cidade desindustrializada
Por fim, uma das principais bandeiras nossas é a reindustrialização da capital. Hoje, 84% do PIB da cidade do Rio é de serviços e apenas 12% é indústria. Quando uma indústria abandona uma região, ela gera miséria naquela localidade. Nós precisamos reindustrializar a cidade e isso pressupõe uma política de longo prazo, porque uma indústria só vem quando tem base educacional e boas possibilidades para o escoamento de produção. Veja que o Rio é cortado apenas por três vias – Linhas Amarela e Vermelha e a Avenida Brasil –; e temos também regiões da cidade que vivem com problemas do século XVII, como de energia e água. Por que os governos Lula e Dilma socorrem as indústrias locais (brasileiras) quando acontece algum problema? Porque é a indústria que segura o salário, os serviços e a compra do dia a dia. Em uma cidade predominantemente de serviços, isso fica difícil. Eu quero disputar essa visão de cidade. O PT tem de dar essa contribuição para que o Rio volte a ser também um polo industrial.
Defesa do legado do PT
O legado político do PT é uma contribuição fundamental à política do país. Essa história não começou hoje. O PT tem legado de governo e de história. Nós não podemos fazer política só olhando para frente. Há um retrovisor aí que nos mostra a contribuição que este partido deu à sociedade nos últimos anos. Há oito anos havia 48 milhões de famílias na miséria… É fundamental que os jovens candidatos lembrem seus eleitores que houve governos que impediram a liberdade de imprensa, governos que venderam o patrimônio público. Temos de dizer isso porque muitos que estão indo às urnas neste ano não viram outros governos senão os do ex-presidente Lula e agora da presidenta Dilma. As candidaturas jovens também servem para mudar uma visão distorcida da política. Muitos acreditam que a política nos remete a tudo o que existe de ruim. Isso não é verdade. Assim como tem médico ruim, tem médico bom; como tem político ruim, tem político bom. Quem não gosta de política precisa ser governado por quem gosta e sabe o valor que ela tem para transformar a sociedade. As jovens candidaturas precisam fazer esse alerta para as novas gerações que estão aí nas ruas.
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Leiam, também, a apresentação da série de entrevistas com os jovens candidatos petistas: "A nova geração do PT".



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