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Greves dos federais: h que negociar
Publicado em 07-Ago-2012
Não há outra saída. Os entendimentos já levaram muitos à volta...

Não há outra saída para contornar greves que não seja esta, a negociação e pré-disposição para o entendimento de ambas as partes, governo e servidores. Tem alguma coisa errada no Brasil, com essas paralisações de servidores públicos federais que, ao invés de se reduzirem, ampliam-se a cada dia, tanto em termos de categorias que a elas aderem quanto à duração do movimento.

Quando me refiro a algo errado, falo não só do governo, mas também dos funcionários que aderem aos movimentos paredistas. É preciso negociar e negociar. E quando os entendimentos chegarem a impasses, negociar de novo, manter ou começar de novo as conversações.

É a única via e é por aí que chegaremos a um acordo pelo qual estes movimentos não terão tão longa duração - nas universidades federais, por exemplo, a greve já se aproxima dos três meses.

PF anuncia greve

Agora são os funcionários da Polícia Federal (PF) de todo o país que anunciam adesão à greve (a partir desta 3ª feira) por tempo indeterminado. Reivindicam reestruturação salarial. Em São Paulo, o Sindicato dos Servidores da PF (SINDPOLF) decidiu realizar operação padrão no Aeroporto Internacional Governador Franco Montoro (Cumbica), em conjunto com servidores da Receita Federal e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Segundo a Federação Nacional dos PFs (FENAPEF) em todo o país os policiais devem realizar operações similares nas fronteiras, aeroportos e portos. Esta greve da PF especificamente tem componentes políticos (entre as reivindicações está a saída do atual diretor geral da PF, Leandro Daiello) e salariais (a cobrança de uma reestruturação da carreira).

O Grupo de Trabalho da Reestruturação Salarial da FENAPEF se queixa de que categorias como os escrivães, papiloscopistas e agentes federais tiveram “enorme defasagem salarial com perdas inflacionárias no período de 2002 a 2009, em quadro comparativo a outras 11 carreiras públicas”.

“Depois de negociarem por quase três anos com o ministério do Planejamento, os policiais aguardavam uma proposta oficial do governo até 31 de julho. O governo, no entanto, não a encaminhou ao Conselho de Representantes e tampouco agendou uma nova reunião”, queixam-se os policiais federais.

Em algumas universidades federais, a volta ao trabalho

Novas categorias têm anunciado adesão à paralisação, casos da PF agora, fiscais federais da Agriculturados e dos servidores do Judiciário e da Imprensa Nacional. Estes, na semana passada, pararam por 24 horas o que impediu a circulação, por um dia, da Diário Oficial da União.

A estimativa das entidades representativas dos funcionários é de que há 350 mil funcionários públicos em greve, alguns como os das 59 universidades federais, há quase três meses. Há que negociar e superar estes impasses.

Além dos planos de carreira que reivindicam e das defasagens salariais que tudo indica são reais, o funcionalismo não pode se esquecer que o contingenciamento orçamentário tem sido grande e que a arrecadação federal e o crescimento econômico estão caindo em decorrência dos efeitos aqui da crise econômico financeira global.

 

Num quadro desses fica difícil ao governo aumentar gastos com pessoal, inclusive dada a necessidade que ele tem de ampliar, e muito, os investimentos. Mas, com negociação, tudo se resolve como demonstra o caso das universidades federais. Nelas, retomados os entendimentos, o movimento está diminuindo e a volta ao trabalho já ocorre em diversas unidades.

 

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