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Setor eltrico: governo est certo ao manter concessionrios
Publicado em 07-Ago-2012
Planalto quer forçar queda de tarifas na renovação dos contratos...

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Paulo Skaf
No contexto prévio do anúncio pelo governo da renovação das concessões do setor elétrico – geração, transmissão e distribuição (GTD) –, os presidentes da FIRJAN e da FIESP, Eduardo Eugênio Vieira e Paulo Skaf, saíram a campo nesta 2ª feira (6.8) em defesa de uma ação mais ampla do governo para reduzir o custo da energia. Após classificar de "ridícula" a redução de 10% no preço da energia, por meio de corte de impostos e tributos federais, como prometido pelo governo, Vieira disse que é preciso reduzir também os custos de GTD.

As concessões vencem a partir de 2015. A posição da presidenta Dilma Rousseff é pela renovação dos contratos com os atuais concessionários. Evitando a realização de novos leilões, o governo evitaria gerar incertezas no mercado assim como travar investimentos já programados. A contrapartida seria obter reduções significativas nas tarifas.

O raciocínio do planalto é que a regra, se adotada, faria com que os donos das atuais concessões abrissem mão de parte da tarifa, uma vez que os investimentos feitos por essas empresas no início dos contratos já foram pagos. Mas, de outro lado, a indústria quer que sejam feitos leilões para a renovação dos concessionários, usando-os para baixar as tarifas. O que está em disputa, no final das contas, é a manutenção do setor nas mãos das estatais atuais (Eletrobrás, Chesf, Cemig, entre outras) ou sua privatização.

Não entendo por que não se anuncia a renovação das concessões

Não entendo por que o governo ainda não anunciou a renovação das concessões. Para mim, não há uma explicação para isso. Quanto à posição das lideranças empresariais, Eduardo Eugênio e Skaf à frente, devem cobrar dos Estados uma redução do ICMS. E não adianta o governador de São Paulo Geraldo Alckmin e seu Secretário da Fazenda, Andréa Calabi, sofismarem. O ICMS é altíssimo em todo Brasil.

Assim, a indústria tem que pressionar também os Estados e não centrar fogo apenas nas críticas às ações do Governo Federal. Do jeito que as coisas estão sendo feitas, cobrar só do Governo Federal pode parecer uma posição política. Vejam o que diz o secretário da Fazenda de Alckmin: "A desoneração de energia não passa por ICMS, que é uma fonte de receita importante para os Estados, mas sim por diversos encargos federais que oneram bem a energia elétrica". Segundo ele, São Paulo arrecadou R$ 9 bi com ICMS de energia em 2011. Esse montante representou 8,87% da arrecadação total do imposto no Estado no ano passado, que atingiu R$ 102 bi.

Debate em São Paulo

Para apoiar sua posição favorável á realização de leilões para a renovação dos concessões atuais, a FIESP realizou debate nesta segunda (6.8) com a presença de três ex-presidentes do Supremo Tribunal Federal: Nelson Jobim, Ellen Gracie e Sydney Sanches. Eles foram unânimes em dizer que não há base legal para a renovação. Mas o governo se precavê e prepara projeto de lei a ser enviado ao Congresso Nacional.

A indústria acha que, para resgatar seu potencial competitivo, a redução das contas de energia deveria ser de pelo menos 35%. "As tarifas de energia elétrica para as indústrias brasileiras são caras e estão entre as mais altas do mundo, mesmo com a retirada de encargos e tributos. Os custos com GTD do Brasil superam as tarifas cheias de concorrentes comerciais brasileiros", disse Vieira no 13º Encontro Internacional de Energia promovido pela FIESP, em São Paulo.

Concordo com a avaliação de que o custo da energia é elevado, como aliás tenho repetido aqui incessantemente. Penso que ninguém discorda disso no Brasil hoje, até porque esses dados têm sido bastante divulgados. Ao mesmo tempo, tanto o governo quanto a indústria querem reduzi-lo. O governo, como já explicitado acima, mantendo as atuais concessionárias e cobrando delas, na renovação dos contratos, um corte importante nas tarifas. Os empresários, utilizando o processo de leilões para obter essa redução.

Há, portanto, acordo quanto à necessidade de uma redução importante nos custos. Sou favorável à proposta da presidenta, que conhece muito bem como funciona o setor. Assim como sou favorável, também que os Estados deem sua contribuição, com a redução do ICMS. O problema é de todos. Os esforços para superá-lo devem ser repartidos entre os que têm responsabilidade.

 

(Foto: Valter Campanato/ABr)

 

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