
O centenrio da coerncia
Publicado em 28-Dez-2007
(artigo publicado no Jornal do Brasil, em 27 de dezembro de 2007)
Tive a oportunidade e, por que não dizer, a honra, de participar, ao lado de políticos, artistas, intelectuais e amigos, da justa homenagem na Casa das Canoas, no Rio de Janeiro, ao mestre dos nossos arquitetos no dia 14 de dezembro, em que ele chegou aos cem anos.
Homenageava o amigo, o profissional, o artista, mas também, para mim, o homem que converteu suas belas obras arquitetônicas num símbolo de uma época em que o Brasil deu certo, em que soltamos as amarras, deslanchamos enquanto Nação rumo ao desenvolvimento e à prosperidade.
Sua parceria com Juscelino Kubitscheck rendeu inúmeras obras. Mas, principalmente, na construção de Brasília, Niemeyer foi, no final da década de 50 e início da de 60 do século passado, um dos principais protagonistas de um trabalho que provocou a fase do mais autêntico e genuíno entusiasmo vivido pelos brasileiros em sua história.
A indústria nacional se expandia, vivíamos o pleno emprego, o país arcaico ficava para trás e o estado de espírito geral do brasileiro, o sentimento do povo, naquela virada de década e até próximo do golpe de 1964, era de que o Brasil não tinha limites e de que não havia nada que sonhássemos ou planejássemos que não fosse possível concretizar. Foi o período de maior euforia popular nacional.
Três outras características – a coragem, a coerência e a generosidade – marcam também a centenária vida de Oscar Niemeyer. Quando os chamados “anos dourados” de 50 e 60 foram substituídos pelos longos e sofridos “anos de chumbo” da ditadura militar instaurada em 1964, o povo foi totalmente alijado das decisões, e passou a não contar na vida nacional. Niemeyer foi uma voz, muitas vezes das raras, a defendê-lo e a manter publicamente suas posições políticas. Não importava quão poucos fossem os espaços para externá-las, não importava a repressão e quão desfavoráveis fossem as condições, ele jamais negou: é comunista, democrata e solidário.
Ainda em sua festa de aniversário, apontou “solidariedade”, um dos sentimentos mais comuns à maioria dos homens de esquerda, como a palavra mais bonita que ouviu e seguiu em seus cem anos de vida.
Em seus anos de exílio na França e, antes e depois destes, nos inúmeros depoimentos a que foi convocado a prestar aos militares que tanto o importunaram, corajosamente sempre confirmou sua amizade e aproximação com Luís Carlos Prestes. A este cedeu gratuitamente residência no Rio e escritório, sempre que o líder do PCB morou e pode atuar às claras e legalmente no Brasil.
Niemeyer tinha meio século, quando o Brasil viveu os anos JK, a fase de maior expansão do seu desenvolvimento com liberdade, em que pesem as restrições que se possa fazer à alta espiral inflacionária e ao conservadorismo político da época. 50 anos depois, agora que o nosso arquiteto-mor torna-se centenário, o país caminha de novo no rumo certo.
A economia cresce de forma consistente, a taxas que atingiram quase 6% no último trimestre, a inflação está sob estrito controle e o desenvolvimento tende a ser ainda maior, se reduzirmos as taxas de juros. Registra-se também, no país, um dos mais abrangentes processos de inclusão social vistos no mundo. Há poucas semanas, os jornais confirmaram dados de que eu dispunha há algum tempo: nada menos que 17 milhões de brasileiros subiram das classes E e D para a C, graças aos diversos programas sociais implementados pelo governo do PT, num processo que só tende a se acelerar.
Fundamental, ainda, é que esse processo se desenvolve simultaneamente à manutenção e ao alargamento das mais amplas franquias democráticas de que dispomos nos mais de 500 anos de nossa história. Por isso, temos – Niemeyer, eu e os brasileiros – todos os motivos para comemorar não só o seu século de vida e a entrada de um novo ano, mas também uma nova fase em que o Brasil caminha para o desenvolvimento.
Tive a oportunidade e, por que não dizer, a honra, de participar, ao lado de políticos, artistas, intelectuais e amigos, da justa homenagem na Casa das Canoas, no Rio de Janeiro, ao mestre dos nossos arquitetos no dia 14 de dezembro, em que ele chegou aos cem anos.
Homenageava o amigo, o profissional, o artista, mas também, para mim, o homem que converteu suas belas obras arquitetônicas num símbolo de uma época em que o Brasil deu certo, em que soltamos as amarras, deslanchamos enquanto Nação rumo ao desenvolvimento e à prosperidade.
Sua parceria com Juscelino Kubitscheck rendeu inúmeras obras. Mas, principalmente, na construção de Brasília, Niemeyer foi, no final da década de 50 e início da de 60 do século passado, um dos principais protagonistas de um trabalho que provocou a fase do mais autêntico e genuíno entusiasmo vivido pelos brasileiros em sua história.
A indústria nacional se expandia, vivíamos o pleno emprego, o país arcaico ficava para trás e o estado de espírito geral do brasileiro, o sentimento do povo, naquela virada de década e até próximo do golpe de 1964, era de que o Brasil não tinha limites e de que não havia nada que sonhássemos ou planejássemos que não fosse possível concretizar. Foi o período de maior euforia popular nacional.
Três outras características – a coragem, a coerência e a generosidade – marcam também a centenária vida de Oscar Niemeyer. Quando os chamados “anos dourados” de 50 e 60 foram substituídos pelos longos e sofridos “anos de chumbo” da ditadura militar instaurada em 1964, o povo foi totalmente alijado das decisões, e passou a não contar na vida nacional. Niemeyer foi uma voz, muitas vezes das raras, a defendê-lo e a manter publicamente suas posições políticas. Não importava quão poucos fossem os espaços para externá-las, não importava a repressão e quão desfavoráveis fossem as condições, ele jamais negou: é comunista, democrata e solidário.
Ainda em sua festa de aniversário, apontou “solidariedade”, um dos sentimentos mais comuns à maioria dos homens de esquerda, como a palavra mais bonita que ouviu e seguiu em seus cem anos de vida.
Em seus anos de exílio na França e, antes e depois destes, nos inúmeros depoimentos a que foi convocado a prestar aos militares que tanto o importunaram, corajosamente sempre confirmou sua amizade e aproximação com Luís Carlos Prestes. A este cedeu gratuitamente residência no Rio e escritório, sempre que o líder do PCB morou e pode atuar às claras e legalmente no Brasil.
Niemeyer tinha meio século, quando o Brasil viveu os anos JK, a fase de maior expansão do seu desenvolvimento com liberdade, em que pesem as restrições que se possa fazer à alta espiral inflacionária e ao conservadorismo político da época. 50 anos depois, agora que o nosso arquiteto-mor torna-se centenário, o país caminha de novo no rumo certo.
A economia cresce de forma consistente, a taxas que atingiram quase 6% no último trimestre, a inflação está sob estrito controle e o desenvolvimento tende a ser ainda maior, se reduzirmos as taxas de juros. Registra-se também, no país, um dos mais abrangentes processos de inclusão social vistos no mundo. Há poucas semanas, os jornais confirmaram dados de que eu dispunha há algum tempo: nada menos que 17 milhões de brasileiros subiram das classes E e D para a C, graças aos diversos programas sociais implementados pelo governo do PT, num processo que só tende a se acelerar.
Fundamental, ainda, é que esse processo se desenvolve simultaneamente à manutenção e ao alargamento das mais amplas franquias democráticas de que dispomos nos mais de 500 anos de nossa história. Por isso, temos – Niemeyer, eu e os brasileiros – todos os motivos para comemorar não só o seu século de vida e a entrada de um novo ano, mas também uma nova fase em que o Brasil caminha para o desenvolvimento.
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