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blog do zé
Ivoncy Ioschpe
Publicado em 22-Mai-2007
Sem educação, não há país

ImageSem educação, não há país

Ivoncy Ioschpe, presidente do Conselho de Administração da Iochpe-Maxion S.A. e membro do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial - Iedi, analisa o PAC,  defende políticas internas de equilíbrio cambial e controle das taxas de juros e sentencia: "sem educação, nós não teremos nem desenvolvimento econômico, nem progresso, nem país."


[José Dirceu] Qual a avaliação que o senhor faz do PAC? Considera as medidas suficientes para impulsionar um projeto de desenvolvimento do país? Muitos que o avaliam positivamente temem pela sua implementação. Pode haver aí, um gargalo?

[Ivoncy Ioschpe] Pode. Na verdade, esse é um problema bastante sério no Brasil. Como o PAC é muito extenso, todas as medidas são importantes. Porém, é necessário que se comece a fazer, porque, no processo inicial, se começa a praticar, e na prática é que serão resolvidos os problemas que existem pela frente.

Na verdade, o governo fez o PAC, mas não se estruturou ainda para poder executá-lo. Há medidas complexas em todas as áreas do governo, em todo o país, e que mexem em todos os ministérios e órgãos. Lembra muito a época do JK, quando ele fez aquele gabinete de metas, com essas metas administradas diretamente pelo presidente da República no seu gabinete. Talvez, o PAC necessitasse de algo semelhante. Não sei como o presidente da República pensou em fazer essa administração.

O Luciano Coutinho, no BNDES, me parece uma figura importante nesse contexto.

[José Dirceu] Falando sobre o Luciano, ele disse na posse que dará prioridade aos projetos do PAC. Ele defendeu uma política industrial de grande envergadura. O fato de o banco passar a ser conduzido por um economista com profundo conhecimento de política industrial pode trazer resultados positivos para a indústria? Em sua opinião, em que áreas o banco deveria ser mais ousado?

[Ivoncy Ioschpe] Em primeiro lugar, o Luciano é um homem extremamente bem preparado no que se refere às políticas industriais, porque ele já operou no governo, em alta tecnologia no governo, fez consultoria, esteve na área política, enfim, ele conhece a máquina governamental. Em segundo lugar, o Luciano também conhece bastante bem a vida empresarial e a empresa brasileira, deu consultoria e tal. Quanto ao BNDES em si, ele tinha, até então, um presidente também muito bom. O problema não está no BNDES de fato, mas nas prioridades que o governo definirá para o BNDES, na execução dessas prioridades e na definição de política industrial que será implementada.

É preciso corrigir, já,
juros e câmbio.

Estava viajando, não pude ir à posse. Mas li que o próprio presidente recomendou ao Luciano, que ele olhasse pelas indústrias que foram muito prejudicadas pelo problema cambial. Nisso eu vejo um dos sérios problemas. É muito difícil você criar políticas industriais quando pilares básicos da economia como juros, câmbios etc..., estão mal colocados. No caso brasileiro, no atual momento, temos o real valorizado e uma taxa de juros alta. O fato de o câmbio estar mal colocado cria distorções extremamente sérias. Corrigir as distorções por medidas artificiais, provavelmente, vai custar muito mais caro do que corrigir o problema em si. Ou seja, corrigir juros e câmbio com medidas de defesa nacional, como qualquer país faz.

Qualquer país do mundo que abriu a sua economia teve impactos externos. Todos os países que tiveram grandes superávits comerciais como a Alemanha, o Japão, tiveram impactos externos, só que criaram defesas internas para que a sua economia não sofresse com isso. Esses países, ao mesmo tempo em que passaram a ter superávits comerciais muito importantes, tiveram políticas internas de equilíbrio cambial, para não prejudicar a sua política interna.

No Brasil isso não aconteceu. Essas políticas internas normalmente se fazem na própria área e no próprio câmbio, não criando artificialismos. O problema da criação de artificialismos na economia é que você passa, depois, a ter que fazer julgamentos, se você dá para o A, B, C ou D. Se vamos para o setor A ou B. E todos os setores exportadores hoje, sem exceção, que não dependam apenas de mineração que é a matéria-prima bruta que está sendo exportada, estão perdendo produtividade dentro do mercado internacional.

O fenômeno que está acontecendo, agora, é que o aquecimento internacional foi forte suficientemente para manter uma demanda aquecida. E os compradores internacionais estão aceitando repasse de preço a título de corrigir a moeda interna do Brasil. No primeiro momento em que arrefecer essa demanda internacional, esses compradores virarão a cara para o exportador brasileiro, porque é inaceitável ter que aumentar preço para o exportador da Alemanha, porque o governo alemão deixou valorizar demais o marco alemão. Isso não é um problema meu, mas do governo alemão com o seu produtor.

Isso está acontecendo no Brasil. Nós brasileiros – a minha companhia exporta um volume muito grande do seu faturamento – temos nos defendido muito com base nesse argumento, repasse de preços acima até do que seria aceito normalmente pela área internacional, se não houvesse uma demanda aquecida. Mesmo assim, muitos setores da economia brasileira estão perdendo competitividade. Essa perda de competitividade se dá em duas áreas: a primeira, na exportação; a segunda, muito séria, é a importação, porque abre o mercado para produtos externos que poderiam ser tranqüilamente fabricados no Brasil, competitivamente e com uma qualidade muito boa.

De um lado, o PAC.
De outro, a desindustrialização.

Então, o que temos agora, com o PAC, é uma política de desenvolvimento, aliada a uma política de desindustrialização e de desemprego. Por isso, eu disse que criar um programa de desenvolvimento, com pilares mal colocados na economia, é extremamente difícil. Como resultado, você tem que começar a criar medidas compensatórias.

[José Dirceu] Tarifa externa de 35%, por exemplo.

[Ivoncy Ioschpe] Você cria tarifa externa para 35%. Daqui a pouco não adianta mais e você dá 45%; crédito subsidiado, depois não adianta mais, você precisa ir com subsídio direto na exportação, enfim, todos esses problemas. É muito mais barato e correto você acertar logo, colocar no lugar os juros e o câmbio.

O gasto governamental também é o terceiro fator importante a ser resolvido, porque, sem a poupança, nós não vamos ter o PAC como um fator de sustentabilidade de médio e longo prazo na economia brasileira. Nós precisamos, também, reduzir o custo do Estado, embora eu ache que hoje esse não é o principal problema, mas sim o câmbio e os juros.

[José Dirceu] E o custo da dívida?

[Ivoncy Ioschpe] Dívida é juros.

[José Dirceu] De fato. Ele representa 8% do PIB; se fosse de apenas 3%, seria possível baixar a carga tributária em 2,5%. No caso dos juros, como o senhor avalia a política monetária hoje. Qual o patamar de juros permitiria estimular mais a economia, sem colocar em risco os fundamentos que nós conquistamos?

[Ivoncy Ioschpe] O fundamento principal que nós conquistamos foi, primeiro, a inflação. A questão inflacionária já está equacionada há bastante tempo. A inflação no Brasil hoje já é, o Delfim usa uma expressão “civilizada”, porque ela já está no nível das inflações dos países de Primeiro Mundo, 1% a mais ou a menos, mas nada que fuja a essa regra.

Sem medidas corajosas de ajuste,
há risco de a inflação voltar.

Então, o que aconteceria se hoje as agências internacionais de risco declarassem o Brasil como investment grade? Você teria uma entrada enorme de recursos. Como o governo faria para administrar câmbio e dívida pública? Nós voltaríamos à inflação de novo, por isso eu digo, o grande risco para o Brasil nos próximos dez anos, que eu vejo pela minha experiência passada e de empresário, é que sempre que houve desequilíbrios de câmbio e juros na economia – esses desequilíbrios precisam ser corrigidos. Em algum momento, eles terão que ser corrigidos e essa correção pode afetar aquilo que se construiu.

Hoje a inflação não é o problema, mas se não corrigirmos logo os juros e o câmbio, quando formos corrigir, eu não sei se não vamos provocar, como já aconteceu no passado, uma retomada inflacionária e cair de novo no mesmo processo. Não vejo grande ânimo numa política de desenvolvimento, sem o conserto desses dois fatores básicos da economia.

[José Dirceu] América do Sul, integração. Eu tenho participado de uma corrente que vê a integração da América do Sul – consolidação do Mercosul, sua ampliação, criação do Banco do Sul – como condição do desenvolvimento do Brasil, quase que uma outra face da retomada do projeto de desenvolvimento nacional, inclusive para a chegada de uma moeda única, no mercado comum. Qual a sua posição sobre essa questão?

[Ivoncy Ioschpe] Quando se fala em mercado comum, é preciso olhar os parceiros. Para fazer algum mercado comum os demais precisam ser parceiros à altura. A América do Sul está passando por um momento difícil, você tem uma nova liderança nos países muito jovem, países que estão saindo de momentos muito difíceis e há um apelo populista forte, com distorções sérias. As interferências, por exemplo, dos governos da Venezuela, da Bolívia e, agora, do Equador causam distorções grandes. Fora isso, ou mesmo considerando isso, nós não podemos abandonar a América do Sul porque o Brasil é, de fato, o grande líder da América do Sul pela própria condição de país continental, com sua economia entre as as dez primeiras do mundo. Os demais países estão muito longe do Brasil, seja economicamente ou politicamente. Então, avançamos mais do que os demais países. O Brasil tem que exercer essa liderança e buscar construir o Mercosul mais forte, uma região Sul-Americana livre, sem dúvida nenhuma.

A importância da integração
da América do Sul

Isso não descarta que o Brasil deva buscar e concentrar-se fortemente nos demais mercados. Quando se fala em aliança Sul-Americana, nós estamos falando em comércio, em negócios, tecnologia, serviços, abrir fronteiras, construir mercados, fornecedores e assim por diante. Para países já desenvolvidos, esse é um esforço muito forte. Basta ver o que a Alemanha passou há pouco tempo para absorver a Alemanha Oriental, um caso típico. Era o segundo país da riqueza do mundo absorvendo um país que estava se liberando de um sistema politicamente fechado e com economia centralizada, comunista. O socialismo distorcido, enfim, o capitalismo de Estado completamente torcido. A Alemanha gastou e se desgastou muito fortemente, tanto é que a discussão se eles deveriam anexar ou não a outra Alemanha, foi muito longa, não foi fácil. Só se criou pela liderança muito forte que o primeiro ministro de então, Helmut Kohl, colocou como uma condição básica para o fundamento de unificação da nação alemã, para a Alemanha voltar a ser o que foi no passado.

Nós agora estamos fazendo a mesma coisa com os demais países, nossos vizinhos. Mas não estamos fazendo com países que foram unidos ao Brasil; são países com sua própria cultura, sua própria orientação e independência e que precisam ser respeitados. Nesse caso, o processo de negociação é muito mais lento, mais difícil. O Brasil tem que insistir nisso, sem dúvida nenhuma, para manter esse mercado, e tem que olhar para outros mercados como está fazendo.

Parece-me que, hoje, o Brasil está numa situação muito bem colocada no que se refere à política internacional e política comercial. Nós temos hoje, aproximadamente, 25% da nossa América como zona de influência, no Mercado Comum Europeu mais ou menos 25%, Mercado Comum Americano 20% e o Mercado Asiático com o resto. Então, porcentagens distribuídas que dão uma boa distribuição internacional. Não é como o México que tem 80%, 90% voltados aos Estados Unidos, e quando os americanos voltarem para uma economia americana crescendo, o México vai cair muito mais do que os Estados Unidos; por outro lado, quando sobe, o México sobe muito mais dos que os americanos. Tem o bônus e o ônus.

No caso brasileiro, eu penso que temos que nos esforçar mais. Mas é preciso levar em consideração que qualquer dispêndio de capital que o governo faça em favor desses países, seja realizado com o maior cuidado porque nós estamos usando dinheiro da sociedade brasileira e temos que tomar cuidado para não serem recursos desperdiçados. Esses recursos têm que ser utilizados a favor das empresas brasileiras com emprego no Brasil. Isso foi feito pelos Estados Unidos, quando criaram todos os mecanismos de exportação, e também por franceses, ingleses... Nós, no Brasil, temos que ter também essa visão.

[José Dirceu] Você tem alguma ilusão ou expectativa em relação à Rodada de Doha?

[Ivoncy Ioschpe] Eu concordo plenamente com o ministro Celso Amorim: o mais importante nesses acordos internacionais é a OMC e a Rodada de Doha. Porém, eu não tenho grandes ilusões ou expectativas por dois motivos. Primeiro, não vejo os europeus conscientes dos problemas do Terceiro Mundo. Penso que estão muito mais preocupados hoje com o problema da imigração interna na Europa, do que com a estabilização externa dos países em desenvolvimento.

No futuro, teremos várias
fontes de energia renovável.

Segundo, no que diz respeito aos Estados Unidos, com essa crise política que enfrentam, não vejo espaço nenhum para negociação da área de livre [comércio] americana. Eu acho extremamente difícil que o Brasil consiga usar esse espaço, mas, ao fazer esse esforço, ao criar o Grupo dos 20 e todas essas coisas, ele se colocou como um player importante no mundo. No mundo hoje, fazer negociações internacionais na área comercial sem o Brasil, praticamente, não tem sentido. Ele é um player importante e tem que ser considerado em qualquer um desses acordos.

Por outro lado, nós temos uma coisa importante que é o problema energético.

[José Dirceu] Já que tocou nesse ponto, gostaria que comentasse como vê o papel do biocombustível na economia brasileira.

[Ivoncy Ioschpe] Eu tenho dificuldade de avaliar, de fato, o verdadeiro impacto das mudanças climáticas no mundo, ou seja, em que medida o mundo vai se movimentar para buscar fontes de energia que não agravem (o efeito estufa). A indústria automobilística mundial estava apostando fortemente no hidrogênio. Europa, Estados Unidos e Japão avançaram bastante na tecnologia do hidrogênio, que ainda é uma tecnologia cara, de difícil aplicação, porém, a longo prazo talvez seja o caminho. O Brasil, com o etanol, apresentou uma solução que já vinha praticando desde a época do presidente Geisel, já faz 30 anos, com um modelo eficiente e que funciona no que se refere à indústria do transporte leve nas cidades; mas que não funciona ao que se refere a transportes pesados que ainda dependem basicamente do petróleo. Esse é um modelo que pode ser copiado para qualquer outro país.

O problema também é que a capacidade de atender a demanda mundial só com álcool, usando a cana-de-açúcar como base, é inviável. Porém, antes do petróleo, o mundo operava com diversas fontes de energia, e continua operando. A China continua operando com o carvão em larga escala, a Rússia operava com carvão, a Inglaterra durante muitos anos operou e ainda opera com carvão. No futuro, muito provavelmente, nós não teremos apenas um combustível que será o combustível energético básico, mas teremos a energia atômica, o álcool e outras formas de energia renováveis.

De fato, o Brasil se lançou na frente, e o mundo se deu conta que nós, brasileiros, tínhamos descoberto um sistema que funciona muito bem e que pode ser aplicável, se não totalmente pelo menos parcialmente, em todos os países. O Brasil tem tecnologia, Talvez o mais difícil tenha sido construir a rede de distribuição, hoje com a mesma amplitude da feita para a gasolina. Quando os postos começaram a ter bombas de álcool, eram poucos no início. Hoje, praticamente em todo posto tem álcool e gasolina. Isso para o mundo fazer é um investimento muito forte e é preciso o apoio das demais companhias petrolíferas. No caso brasileiro, foi facilitado porque a Petrobras era do Estado e isso foi uma política estatal de desenvolvimento do álcool. Eu não sei como será em países onde os interesses das grandes companhias petrolíferas certamente vão dificultar a abertura de mercado para terceiros. Onde elas apenas têm uma participação marginal, provavelmente acontecerá, mas isso vai demorar.

A educação é a chave
para o desenvolvimento

[José Dirceu] Um dos pressupostos de um projeto de desenvolvimento é o investimento em educação. Portanto, considero muito importante o lançamento do Programa de Desenvolvimento da Educação pelo ministro Fernando Haddad. Qual a importância desse programa para o PAC?

[Ivoncy Ioschpe] Na nossa companhia (Iochpe-Maxion, fabricante de rodas e chassis para veículos comerciais e de vagões de carga), há mais de 20 anos, nos preocupamos com educação. O meu pai foi vereador de Erechim, no Rio Grande do Sul, há mais de 50 anos. Ele tinha uma visão muito clara; dizia que governar sem criar educação e estradas é não governar, é fazer política por política. Naquela época, provavelmente, o problema eram estradas e havia já o problema da educação. No Rio Grande do Sul, houve o governo Brizola (Leonel Brizola), que lançou, quando governador, um plano de educação. Esse plano, de certa maneira, permitiu que o Rio Grande do Sul, durante muitas décadas, fosse considerado o Estado mais avançado educacionalmente no Brasil. Evidentemente, hoje, o país é outro, o mundo é outro, e aquele plano não serviria para nós.

Uma coisa é básica: sem educação nós não teremos nem desenvolvimento econômico, nem progresso, nem país. O ponto básico de qualquer projeto de desenvolvimento econômico está ligado profundamente à educação. Quando falamos em educação, temos que falar, de fato, na educação básica. O nosso problema não está na educação universitária, mas na educação básica.

Nós temos um segundo problema: a grande disparidade social existente no país que só será corrigida com a educação. Eu tive oportunidade de conhecer Israel, que por ser um país jovem, recebeu imigrantes de todo o mundo e teve um processo extremamente difícil de transformar esses imigrantes das mais variadas condições sócio-econômicas e fazer um amálgama dessa sociedade, afim de formar uma sociedade com um indivíduo que pudesse dizer: este sujeito é igual a mim. Como isso foi feito? Através da educação. Esse processo de educação foi tão avançado, que,hoje, já na segunda geração, eles conseguiram formar. imigrantes que vieram da Etiópia já tem seus filhos como doutores trabalhando em alta tecnologia. O PIB de Israel é formado basicamente por alta tecnologia e alto valor agregado de inteligência. Para fazer isso, só se faz com educação e começando com educação básica.

No caso brasileiro, o problema da educação básica é fundamental. Como fazer isso? Honestamente, eu não sou técnico em educação, mas, muitas vezes, eu me reúno com amigos e nós discutimos o processo de educação, convidamos técnicos para falar sobre isso, mostrar caminhos. Todos nos mostram primeiro a necessidade de uma vontade política férrea; há necessidade de quebrar paradigmas, costumes. De certa maneira, você teria que criar escolas de tempo integral para formar uma nova criança dentro de um novo ambiente, numa nova visão e valores, nova ética, para que essa criança tivesse oportunidade de aprender o que é o trabalho e que é possível através do trabalho, e não de outra maneira, construir o seu futuro de forma muito positiva.

Tudo isso caminha junto com a idéia de desenvolvimento. Não adianta criar educação pela educação, porque, sem emprego, você apenas tem um gasto social e o indivíduo vai para outro lugar onde ele será utilizado. Hoje, nunca se falou tanto em educação, porque o Brasil está às vésperas de poder dar, de fato, um novo salto em desenvolvimento de forma muito séria, criando emprego. Se você vai criar emprego, há a necessidade de educação.

O PAC do Haddad, apresentado para o presidente Lula, é muito bom. O problema será a aplicação do programa. Eu penso que, hoje, já existe uma consciência política sobre a educação básica. O que temos, agora, é que realizar as mudanças, investir na formação dos professores, mexer nos conceitos dentro das Secretarias de Educação, transformando [o conjunto] em uma máquina efetivamente produtiva, onde você forma pessoas para a vida de uma maneira eficiente.

O PAC da educação criou caminhos importantíssimos. Em São Paulo, o Serra (governador José Serra) está fazendo um programa muito importante de educação. Eu vejo com muito bons olhos o que está acontecendo. e espero que os demais estados brasileiros tenham essa visão de atacar esse problema de uma maneira muito sólida. Talvez nem seja mais uma questão de dinheiro, mas uma nova visão de como se educar. 

Alguém me disse uma frase, que repito aqui: “uma das características da educação é que ela é muito conservadora, o processo educacional é conservador e evolui muito lentamente”. Isso é verdadeiro, as pessoas têm dificuldade de mudar os modelos. Estamos num momento em que precisamos mudar os modelos. Não só porque queremos, mas porque, sem mudanças, não vamos a lugar nenhum.


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